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Nesta altura da minha vida, não estava à espera de ter visto ao vivo as bandas que já vi: Iron Maiden, Metallica, Dream Theater, Joe Satriani, Steve Vai, Al Di Meola, etc. Para grande felicidade minha, vieram literalmente tocar à porta de casa 3 grupos que fazem parte da banda sonora da minha vida: Judas Priest, Testament e Megadeth, tudo no mesmo dia. Aconteceu no passado dia 13 no Velodromo de Anoeta.

As portas do recinto abriram às 19:00, e como sempre eu entro cedo, gosto de ficar à frente onde está a emoção. O único problema foi o tempo que lá passei, são 5 horas de pé! Se a isto adicionarmos o mosh, torna-se numa espécie de maratona.

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O recinto não estava completamente cheio, mas perto do palco não havia uma nesga de espaço livre, situação que ficou pior em Judas Priest, pois quando não há mosh, está-se muito menos à vontade. Pode parecer um contra senso, mas os concertos sem mosh são muito mais difíceis de aguentar, o mosh cria espaços, quando isto não acontece o pessoal tem tendência a juntar-se na frente e a criar um ambiente extremamente claustrofóbico. Isto para não falar daqueles patos-bravos que se põem aos saltinhos tipo bailarinas e pisam os pés do pessoal que está atrás, isto dói muito mais do que um encontrão!

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O festival começou com Testament. Esta é uma das bandas mais underrated que eu conheço (Angra será outro exemplo). Ao lado de Pantera fazem o melhor trash que se pode ouvir. Muito por culpa do guitarrista Alex Skolnick e do carismático frontman Chuck Billy, este tem uma presença em palco fortíssima, e uma comunicação com o público que transmite a sensação de que se está a ver uma banda que já tocou ao vivo centenas de vezes, que tem uma carreira consolidada e uma identidade única.

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Sao muito profissionais, não estão em cima do palco a “moshar” à toa, passando a qualidade musical para segundo plano. Os Testament conseguem transmitir a emoção inerente ao Metal, particularmente o Trash, um estilo que privilegia a técnica e a fúria de quem tem prazer naquilo que está a fazer. Depois da introdução (For the Glory Of) abriram o espectáculo com o clássico Over The Wall. Eu ouço esta música desde os meus 14 anos, na minha opinião, que toco alguns acordes na guitarra, esta é das melhores músicas do trash. O riff principal e o solo são lições de guitarra.

O único problema deste concerto é o pouco tempo que os Testament tocam, cerca de 40 minutos. O som também não era perfeito, acrescentado o facto de eu estar muito perto do palco, alguns detalhes dos solos não se percebiam, o que é uma pena numa banda destas. Mas é o preço a pagar para uma banda de abertura, em Megadeth também se notou este problema. Por vezes ficava um bocado confuso quando as músicas eram mais pesadas.o melhor som estava reservado para Judas Priest. O set list de Testament também poderia ser um pouco melhor, tocaram muita coisa dos últimos álbuns, apesar do último ser bom, comparados com os primeiros (The Legacy, The New Order, Souls of Black, Practice What You Preach e The Ritual) deixam um bocado a desejar, mas mesmo assim para uma set list tão pequena tocaram muita coisa "old-school", tal como se pedia. Eu não quero
parecer retrógrado, há coisas boas hoje em dia, mas em termos artísticos, quanto mais se anda para trás no tempo, melhor a música é, isto é factual, nem sequer é uma opinião.

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Nunca tinha visto antes também, mas sei o que me esperava. Grandes riffs e solos de guitarra. Gosto muito de Megadeth, principalmente do 4º e 5º álbuns, Rust in Peace e Countdown to Extinction, respectivamente. Acho o Mustaine um grande guitarrista e compositor de riffs, um bocado "atrofiado" da cabeça, mas em palco tem uma personalidade inconfundível. Pensava que seria ele a fazer a maioria dos solos, mas estava enganado, isso fica a cargo do novo guitarrista Chris Broderick. Nota-se perfeitamente que praticava 14 horas por dia quando era adolescente, tem uma técnica de escola, claramente. Imprescindível, para os fãs de guitarra. O público ficou um pouco expectante quando o concerto começou, mas depois aqueceu com Take no Prisioners. Tocaram Tout Le Monde, para o pessoal levantar os isqueiros e descansar um pouco, eu aproveitei para comer um chocolate :D Mas resulta bem ao vivo essa música. O concerto seguiu com mais alguns clássicos como In my Darkest Hour e Hangar 18 e o riff espectacular de Sweating Bullets.

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Muitos solos e super-segurança no que respeita ao domínio dos instrumentos, bom som (com as limitações supra mencionadas), embora a guitarra do Chris não se ouvisse muito bem na altura dos solos, se comparado com a do Mustaine.

De notar também uma parede de amplificadores impressionante, bem como a bateria, uma opinião que não é partilhada por amigos meus que tocam bateria, pois defendem a simplicidade no que respeita ao set utilizado pelo baterista. Em relação a isso, em termos de espectáculo visual a bateria do Shawn Drover resulta muito bem :P

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Depois de uma penosa meia hora à espera a ouvir gajos a tentar imitar o Rob Halford, um constante cheiro a suor e uma brutal dor de pés, eis que as luzes baixam e Judas Priest começa. Esta é uma daquelas bandas que já influenciou tantas outras que é cabeça de cartaz seja lá onde for que toque. Uma banda que lançou o 1º álbum em 1974 (Rocka Rolla) e desde aí lançou mais 15 originais, mais alguns ao vivo e outras compilações, o último foi o ano passado (Nostradamus). Quantas bandas conseguem manter esta longevidade? Mantém o alinhamento praticamente o mesmo desde a formação da banda (1970) , com algumas alterações na bateria (com o Scott Travis desde 1989) e uma saída e posterior regresso do Halford. Não se poderia esperar outra coisa senão um concerto à parte. É ao vivo que se avalia uma banda e Judas Priest ainda consegue ser melhor ao vivo do que em estúdio. Tem um som absolutamente único, a todos os níveis. Congrega características que os tornam lendas vivas, um nome incontornável do Heavy-Metal, estes tipos são do tempo de Led Zeppelin e Black Sabbath! :D A diferença é que Priest ainda dura, e de que maneira! Nao se estão a arrastar em cima do palco, ou sendo sombras do que eram (basta ver um concerto de Sex Pistols para perceber do que estou a falar), mantém a postura que os tornou famosos e continuam a tocar muito.

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Os Judas Priest sobreviveram aos anos 90 com um álbum bom (Jugalator) e um fabuloso (Painkiller) que foi lançado no inicio dessa década, foi uma época difícil para as bandas de Heavy Metal, o Kurt Cobain estragou tudo :P, mas os Priest sobreviveram em termos discográficos, basta ouvir o último e perceber a maturidade e profissionalismo com que aquele álbum foi feito. O mesmo não aconteceu a Metallica ou Guns N' Roses, pelo menos os Metallica ainda vão dando bons concertos, mas no que toca a álbuns...esquece. Com todo o respeito à banda que compôs o Master of Puppets, Ride the Lightning e ...And Justice for All. Aliás eles sublinham o que eu estou a dizer com a set list que tocam ao vivo.

Em termos musicais não há nada a dizer, é Judas Priest. Quem compõe músicas como a Painkiller, Screaming for Vengeance , Victim of Changes, etc, etc, etc.... só pode estar no panteão das melhores bandas de sempre. As guitarras tem um som tão reconhecível, tão característico, uma qualidade excepcional. Com o é normal nas grandes bandas ingleses, Dave Murray e Adrian Smith dos Iron Maiden, Brian May dos Queen, David Gilmour dos Pink Floyd, Jimmy Page de Led Zepplin, só para citar alguns dos nomes de guitarristas com sons únicos, isto é grande parte do sucesso das bandas de rock/heavy. Mas não fica por aqui, o frontman é uma personagem única, Rob Halford. Consegue atingir notas impensáveis para o comum dos vocalistas, excepto os castratos... Tem uma presença em palco, que só lendas vivas tem. Uma espécie de Freddie Mercury do metal. Eu arrisco-me a dizer isto, apesar de gostar mais do Bruce Dickinson (Iron Maiden). A sua postura em palco é única, dá um cariz teatral ao concerto. Com todas aquelas roupas, aparecer em palco num trono ou de mota envolto em fumo.

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Durante o concerto foram visitados os clássicos da carreira da banda: Breaking the Law, Rock Hard Ride Free, Electric Eye, Painkiller, etc. Gostei de ouvir a Dissident Agressor ao vivo, muito forte! A Sinner foi outros dos clássicos bem como Hell Bent For Leather com a respectiva Harley em palco Muita coisa ficou ainda por tocar, nem sei por onde começar, podiam fazer 3 concertos com set lists completamente diferentes e manter o nível, é tipo a selecção do Brasil de futebol. Mas também confesso, não sei se aguentava mais...

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Esta foi a minha opinião deste mega-concerto. No geral é do melhor que há. Concentrei-me muito nos guitarristas, mas eu sou fã de guitarra. Em palco ouve 3 muito bons bateristas do Heavy Metal, os baixistas também são bons, apesar de discretos, digamos que não era a especialidade do dia. O menu principal era mesmo a guitarra.

É emocionante ver ao vivo bandas que ouço desde os 14 anos, ouvia em cassete no carro inúmeras vezes no caminho de casa para Braga aos Domigos á noite e Sextas ao fim da tarde, cd's que emprestava aos meus amigos no Secundário, covers que já toquei em bandas que tive, muitas memórias doutros tempos. Basta dizer que eu comecei a tocar guitarra, motivado pelo solo da Painkiller! Também queria tocar assim, mas ainda ano consigo... :P Esse solo está neste vídeo:

Fica aqui a set list. Vemo-nos num desses concertos onde se toca por amor à camisola! m/

Testament

1.For the Glory Of/Over the wall
2. The new order
3. Souls of Black
4. Sins of omission
5. More than meets the eye
6. 3 days in darkness
7. Practice what you preach
8. The formation of damnation
9. D.N.R. Do Not Resucitate

Megadeth

1.Sleepwalker
2.Wake up dead
3.Take no prisoners
4.A tout le monde
5.Skin o’my teeth
6.She wolf
7.Darkest hour
8.Symphony of destruction
9.Sweating bullets
10. Hangar 18
11.Peaces sells
12.Holy Wars

Judas Priest

1.Dawn of creation
2.Prophecy
3.Metal gods
4.Eat me alive
5.Between the hammer and the anvil
6.Devil’s child
7.Breaking the law
8.Hell patrol
9.Messenger of death
10.Dissident aggressor
11.Angel
12.The Hellion/Electric eye
13.Rock hard, ride free
14.Sinner
15.Painkiller

Encore

16. Hell bent for leather
17. The green Manalishi
18. You’ve got another thing coming