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Talvez seja porque o meu 27º aniversário se aproxima, mas ao estilo dos canais de televisão no dia 31 de Dezembro, lembrei-me de compilar a música mais importante para mim até agora. Verdade seja dita, a música mas significativa da minha vida, foi a voz de algumas pessoas,mas isso é outra história…aliás, eu podia tentar fazer este exercício com as pessoas que mais me marcaram, mas isso seria demasiado doloroso, para ambas as partes.

É uma introspecção bastante exaustiva no meu gosto musical, um historial daquilo que eu ouvi desde que me lembro de ouvir música, quer sejam coisas que goste ou que não goste, vou falar daquelas que mais me marcaram

Se alguém se interessar em ler este post e me conhecer, é bem capaz de ficar chocado com os nomes que vão aparecer aqui. Atenção, quando falo da banda sonora da minha vida, não me refiro aquilo que de melhor ouço, nesse caso a minha lista tinha dois nomes: Bach e Handel. Não se trata de qualidade, mas da marca que deixou na minha vida, das recordações que me trazem certas melodias, das pessoas que a música me faz lembrar, das alturas em que foi a única coisa que me consolava ou que me deprimia. Porque afinal são essas as coisas importantes. Até um isqueiro pode ser uma fonte de lágrimas, se foi oferecido pela pessoa certa, no meu caso esse sentimento é exponenciado em relação à música.

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Porque é que ABBA faz parte da banda sonora da minha vida?Quando tinha 9 anos a minha mãe comprou o álbum que está na foto à esquerda, em K7! Rolou no auto-rádio do Renault 21 durante anos. Esse aparelho tinha auto-reverse, adivinhem o que acontecia quando a K7 chegava ao fim…Os famosos passeios nas tardes de Domingo (o “passeio dos parolos, deviam era ficar a estudar” dizia a minha professora de física do 12º), eram sempre musicados com ABBA, não havia hipótese! Isto só me podia marcar, aliás faz-me lembrar o 1º carro de família, traz-me muitas recordações. Ainda bem que os meus pais não ouviam Tony Carrera, senão era uma pessoa traumatizada, assim só tenho uma tara por loiras e visto calças à boca de sino.😛

Eu não dava muita atenção à música nessa altura , gostava de ouvir, impressionava-me sempre com os clássicos, mas quem é que lhes pode ficar indiferente? Estou-me a referir a coisas óbvias como “Quatro Estações” de Vivaldi ou a 9ª Sinfonia de Beethoven. Não gostava das aulas de música no 5º ano, principalmente porque era obrigado a tocar canções infantis na flauta. “Três galinhas a cantarVão para o campo passear…”. Detestava aquilo, ganhei uma aversão a instrumentos de sopro. Eu tenho a sensação que eu nunca passei pela fase das canções de criança, nunca gostei, mas também não era o puto que ia para o canto da sala na altura de as cantar na escola. Agora sou muito mais esse puto, mas as músicas são outras. Detesto musicais, nunca vi um musical até ao fim, refiro-me a filmes, é um tédio inacreditável. Mas admiro os intérpretes, tem de ser pessoas com muita musicalidade, mesmo assim é demais para mim.

O tempo passou, entre o 6º e o 8º ano foi o período da minha vida onde a música não teve qualquer importância, simplesmente era-me indiferente. Tal como muitas outras coisas na pré-adolescência. Mas no final do 8º ano, uma grande amigo meu emprestou-me uma K7 com várias coisas. No lado B da K7, se não estou em erro, estava Angelo Badalamenti (o compositor da banda sonora do Twin Peaks, entre outros) e Therion. Do outro lado tinha Angra e Moonspell gravados da rádio, do programa Hiper-Tensão da Antena 3. Quando ouvi estas bandas pela primeira vez, fiquei a pensar: “Onde raio andava eu metido! Como é que eu não conhecia isto?!” O 1º contacto com o Metal foi um bocado chocante, mas pela positiva.

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Eu ouvia Moonspell numa K7 que foi dobrada de outra, tinha o Irreligious de um lado e o Wolfhearth do outro, este já tinha sido dobrado de outraamorphis_1000lakes1 K7, um som espectacular…Eu adorava Gothic Metal na altura: HeavenWood, Amorphis,etc. Ia para o carro ouvir, pois não tinha aparelhagem em casa😛, uma vez o carro deixou de pegar e deixei-me disso. Juntei dinheiro e comprei uma aparelhagem. 80 contos na altura. Dos melhores investimentos que já fiz, mas na altura não ficou no meu quarto, ficou na sala a uma porta da cozinha, perdi as contas às vezes que o meu pai me disse: “Baixa isso, tá a fazer doer a cabeça à tua mãe!”. Foi uma banda que adorei.Nessa altura o Gothic-Metal nighttime_birdssmall1era o meu estilo preferido e havia uma banda pela qual tinha uma predilecção especial: The Gathering. A voz da vocalista, Anneke van Giersbergen, hipnotizava-me e não consegui parar de ouvir o “Nighttime Birds”, álbuns queBOBV027_GF_OUTER.qxd encomendei por telefone a uma loja de discos em Lisboa, a “Guardians of Metal”. Esta foi uma altura em que procurava uma música mais intimista, mais sombria, o lado “dark” do metal. Talvez tenho tenha sido resultado da complicação que é ser-se adolescente, agora não sou assim. Também ouvia Black-Metal, o ponto mais extremo do Metal. Muito barulho, mesmo muito, com uma bateria tipo motor, o pedal duplo só pode parar no intervalo entre faixas, com um teclado a fazer as melodias mais negras que se possa imaginar, nem sequer falo da voz e das letras. Ok, estou a exagerar, mas era extremo. Ainda agora ouço para matar saudades, mas só Emperor e o álbum “Anthems To The Welkin At Dusk”, porque é o melhor dentro do estilo, coisas como Cradle Of Filth ou Dimmu Borgir nunca fizeram o meu género. Não tinha qualquer simpatia pela ideologia destas bandas, apenas criavam um ambiente que na altura fazia sentido para mim. Já deixou de fazer.

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O primeiro CD que comprei foi o “The Best of Testament”, no Feira Nova, sempre encontrei lá álbuns baratos e bons. Estava na dúvida entre esse e o Cyptic Writings dos Megadeth, mas também acabei por ouvi-lo em K7. Marcou-me muito este estilo, o Trash Metal. Testament é uband_panterama banda muito “underrated”, ouvia quase todos os dias, sabia as letras de cor. É denominado de trash old-school, mas na minha perspectiva deviam tirar a parte do old-school, porque não existe uma new-school no trash. Posso parecer fundamentalista ao dizer isto, mas que bandas é que conseguíram fazer trash como Testament, Pantera, Anthrax, Exodus, Megadeth, etc?. Testament tem um guitarrista excelente (Alex Skolnick), aliás é hábito do metal ter muito bons executantes, a par do Dimebag Darrel (o tipo à esquerda com pêra vermelha na fotografia dos Pantera), é o melhor. Este guitarrista foi assassinado em palco 2004 por um fanático, com 3 tiros na cabeça. Fou requisitado pela família que ele fosse enterrado dentro de um “Kiss Kasket”, com o caixão cheio de garrafas de whisky canadense, o preferido dele. O Van Halen esteve no funeral e colocou uma guitarra no caixão em homenagem.

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Faço referência a este acontecimento porque o Dimebag Darrel foi um guitarrista muito importante no metal. Conseguia que Pantera fosse pesado não por usar 600 amplificadores com o volume no máximo, a distorção mais pesada que pode haver e o gain no máximo, mas pela forma como tocava, pelos ritmo marcante dos riffs, basta ouvir a guitarra pra ter vontade de “moshar”!

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Eu não posso falar de Trash-Metal sem referir Metallica. Eu comecei a ouvi-los já na altura da decadência, quando lançaram o ReLoad. O primeiro álbum que ouvi foi o Black, mas o primeiro que comprei foi o Ride The Lightning, na feira por 2 contos. E esse entusiasmou-me mais que o Black. O riff da “Fight Fire With Fire” nunca me saia da cabeça e a “Creeping Death” é mítica, bem como a intro da “Fade to Black” e o andamento da “For Whom The Bell Tolls”. Eu não sei quantas centenas de vezes é que toquei o riff da “Enter Sandman” e da “One” na guitarra…O dedilhado da “Nothing Else Matters” assim como o riff inicial da “Come As You Are” dos Nirvana, são as tablaturas mais requisitadas pelos alunos de guitarra aos seus professores, pelo menos no meu tempo.

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Os brasileiros Angra. Na minha opinião, é a melhor banda de Power-Metal que existe. Conseguem misturar elementos de música clássica, normalmente do barroco, com ritmos do folclore brasileiro e Heavy-Metal, tudo isto sem “enjoar” o ouvido, como é costume no Power-Metal. Eu não consigo ficar muito tempo a ouvir Stratovarius, Rhapsody ou Avantasia, simplesmente cansa. O pedal-duplo e o palm-mute na guitarra a 200 bmp durante meia hora, são um desgaste enorme para o ouvido, pior do que isso, uma coisa que não pode acontecer na música, tédio. Os Angra não são assim, conseguem ter uma sobriedade incomum na inclusão de todos elementos anteriormente mencionados. Para que isto aconteça, uma coisa é necessária, muito bons músicos. Tem dois dos melhores guitarristas do Heavy, o
3092_angra291Rafael Bettencourt e o Kiko Loureiro. Uma técnica irreprensivel, um excelente som de guitarra (não me canso de frisar o quanto isto é importante, eu nunca consegui um bom som com a minha…), um feeling extraordinário, fazem as coisas certas na altura certa. O primeiro álbum que ouvi foi o Freedom Call, adorava aquilo, horas seguidas de “head banging” e “air guitar”. Nesse álbum constava uma cover de uma música dos Judas Priest, a “Painkiller”, foi o solo dessa música que me levou a querer tocar guitarra! Os Angra são prolíferos em baladas e passagens com muito feeling, músicas como “Reaching Horizons” ou ou “Deep Blue” são bons exemplos disso. O folclore brasileiro e as batidas tribais estão sempre presentes, especialmente no álbum Holy Land, o meu preferido. Sofreram várias alterações na formação, a mais significativa foi a do vocalista, a substituição do André Matos pelo Edu Falachi . Pessoalmente sou fã do André Matos, tem um timbre muito especial, e atinge notas muito altas, aliás uma características obrigatória nos vocalistas do Metal, e uma das razões porque muita gente não gosta do estilo, aqueles gritos…😀

Claro que eu, como queria ser como aqueles gajos, deixei crescer o cabelo e vestia casacos de ganga. :Da Quando completei 16 anos, foi precisamente nessa altura em que me põe uma guitarra nas mãos, uma prenda da minha mãe. Foi um ponto de viragem. comecei a ouvir a música de uma forma totalmente diferente, ABBA deixou de ser uma loira bonita e, passou a ser uma guitarra com um ritmo disco e um ritmo “quadrado” de bateria. Lembro-me perfeitamente dos primeiros acordes que aprendi: um dedilhado em D que me trocava as voltas, e uma passagem dificílima parasatriani G. Na altura tinha a mania que era “craque”, mal sabia eu que não tocava nadinha…Tive aulas de guitarra, o meu 1º professor ensinou-me uns acordes, mas não me ensinou a ser humilde como músico (que não sou), isso ficou a cargo do meu segundo professor. Na altura tínhamos umas audições por altura do verão, eu na minha inocência queria tocar a “Rusalka” do Tony Macalpine, o meu professor disse-me: “Tu simplesmente não consegues tocar isto.” Mas eu insistia que conseguía, então apresentei-lhe outra proposta, uma instrumental dos Testament chamada “Musical Death”. Ele ainda ficou majoe_satriani_-_surfing_with_the_alienis estupefacto: “Nem eu consigo tocar isso…”. Foi aí que ele me deu a conhecer aquele que se veio a tornar a minha maior influência e o meu guitarrista preferido: Joe Satriani. Foi como abrir os olhos para uma nova realidade. Propôs-me que tocasse uma música chamada “Always With Me , Always With You”. Nunca consegui acertar bem com ela, e quando a toquei ao vivo falhei a toda a linha, principalmente no ritmo, o meu calcanhar de Aquiles em termos de interpretação. Mas essa frustração fez-me perceber aquilo que é preciso para se ser músico, saber ouvir os outros e perceber que podemos ser sempre melhores e temos sempre algo a aprender com os outros músicos.

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Nessa altura foram-me dados a conhecer muitos dos guitarristas que ouço hoje, o Steve Vai, a lenda, tira sons da guitarra que ainda não vi mais stevevai_passionandwarfare_lrgninguém a fazer o mesmo, aluno do Satriani (só podia :D) e o maior virtuoso daquele instrumento, há que admitir. Para além disso é um grande compositor para guitarra eléctrica, para perceber isso basta ouvir a “Tender Surrender” e a “For The Love Of God”, esta última ouvi centenas de vezes…Conjuntamente com o Satriani são os melhores guitarristas da actualidade, reúnem todas as virtudes que um guitarrista pode ter.

A guitarra fascina-me, na altura Van Halen e a técnica de tapping, o neo-clássico do Malmsteen, os arpegios do Frank Gambale, o ritmo do Rafael Bettencourt, passava o dia a sonhar em ser um guitarrista com essa técnica. Tenho um amigo me dizia: ” O nuno bettencourt é o guitarrista que eu gostava de ser”, de facto é mesmo muito bom, é invariavelmente underrated no panorama nacional, herdeiro do Van Halen, técnica excelente e sentido rítmico apuradíssimo, era o melhor que o Extreme tinham, só comecei a dar-lhe o devido valor mais tarde, quando me apercebi das subtilezas inerentes à arte de tocar música.

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É nesta altura que entra em cena aquela que é a minha banda preferida: Iron Maiden. Gostava de saber ao certo, quantas horas na minha vida é que passei a ouvir a música deles. Certamente estará na casa dos milhares…Não estou a exagerar, desde os 16 anos que ouço, praticamente todos os dias, a venerar cada acorde. Eu comecei a ouvir Maiden quando o meu 2º professor de guitarra me deu uma tablatura da “Virus” (do álbum X-Factor) para eu treinar, por ironmaidenbandcoincidência (ou intervenção divina), no Hiper-Tensão da Antena 3 eu ouvi 3 músicas de Maiden: “The Number Of The Beast”, “Run To The Hills” e “Hallowed Be Thy Name”. Eu lembro-me perfeitamente disto, costumava gravar o programa em K7, nos dias seguintes não conseguía parar de ouvir, tinha um baixo extraordinário, solos de guitarra com um extremo bom-gosto, adorava o timbre e altura da voz, simplesmente tinham qualquer cbestofthebeast1oisa, sabia que a partir dai não iria deixar de ouvir Iron Maiden. Ainda nessa semana, na escola, fui falar com um amigo meu para saber se ele tinha algum CD de Iron Maiden que me emprestasse, ele disse-me que sim: “Até te vendo! O outro dia comprei um. Oh pá, gostei da capa…tinha um booklet engraçado com a história da banda, fotografias e tal, é o Best Of The Beast. Faço-te um preço de amigo, vendo -te isso por 3 contos!” Eu não fazia ideia o quanto aquele álbum que era um compilação das melhores músicas de Maiden até à data, iria mudar a minha vida musical, até social, diria. A partir daí arrumei com alguma das coisas que ouvia até então, o Black-Metal em definitivo, o Gothic e o Thrash em parte. Até vendi os cd’s de Emperor, The Gathering, ect. Agora estou arrependido, até porque gostava muito deles, mas naquela altura tive a sensação que os meus gostos estavam completamente errados, porque eu faço isso, uma auto-avaliação daquilo que gosto, não me limito a gostar sem pensar, embora seja um defensor das sentimentos genuínas, iria-me auto-reprimir se estivesse por momentos a gostar de Eminem.

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Foi no Heavy-Metal que que ficou definido o estilo de música que há muito procurava, mas sem ter noção onde encontrar. Admito que era bastante impressionável naquela altura, todo aquele aparato que rodeava a banda, a cor, o Eddie (mascote que aparece em todas as capas dos álbuns), uma música extraordinariamente apelativa, grandes solos de guitarra,tudo…Tinha tudo para que me tornasse fanático pela banda. Maiden tem um som absolutamente inigualável, consegue juntar características como o som do baixo e das guitarras, que no seu conjunto é perfeito, parece que não havia hipótese de fazer melhor do que aquilo. A discografia dos anos 80 è obrigatória para qualquer fã de Metal que se preze, pelo mironmaiden_eddieenos do “Iron Maiden” (1980) até ao “Seventh Son of a Seventh Son” (1988), este último é um álbum conceptual, que gira em torno do ocultismo, criando um ambiente de mistério e eeddie-eating-iron-maiden-logo-by-faded-warrior-arxoterismo ao longo do álbum, continuam a utilizar as guitarras sintetizadas que já vinham do álbum anterior “Somewhere In Time” (1987) , é o meu álbum favorito, adoro-o de princípio ao fim, ouviu-o inúmeras vezes, programa a aparelhagem para acordar aos domingos de manhã com ele. Muito daquilo que sei tocar na guitarra e a forma como imagino a música é influenciado por Maiden. Ainda continuo a ouvir, quase 11 anos depois, traz-me sempre boas recordações, faz-me sentir feliz. Admito que Iron iibrucelive1Maiden, musicalmente tende a cair na repetição, insistem nas progressões Em-D-C, break’s de bateria reconhecíveis em qualquer parte do mundo, nas primeiras músicas dos álbuns recentes, já se sabe o que se vai encontrar. Mas repetem aquilo que eles criaram, um estilo, uma forma de tocar e de gerir a carreira de uma banda, que 34 anos depois da sua formação continua a cativar fãs e mantém os antigos, não desiludem como fizeram os Metallica, que no Super Bock Super Rock, a música mais recente que tocaram foi a Memory Remains…isso diz muito de uma banda, os Maiden sobreviveram aos anos 90, com os piores álbuns é verdade, X-Factor (1996) e Virtual XI (1998), mas renasceram e o último álbum é muito bom (A Matter of Life And Death (2008)). São assimas grandas bandas, são assim os Iron Maiden, UP THE IRONS!!!

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Esta banda abriu-me as portas pra o Heavy-Metal mais clássico e para o Hard Rock. Só ouvia disto. Ainda hoje certos riffs de guitarra fazem-me sorrir. Quando ouço a “TNT” dos ACDC sinto um prazer e uma vontade de estar num concerto. Dos vários álbuns que me marcaram a vida, o “Metal Works 73-93” dos Judas Priest foi um deles, era judas20priest_metal20works201973-1993_frontdaqueles que nunca saía da aparelhagem. É uma banda que ainda sobrevive, desde os anos 70 até agora, continuam a fazer grandes concertos. Os anos 70 tem uma genuidade que não encontro nas bandas actuais. Dá-me a sensação que tocar bem já não interessa, não é relevante para se fazer música saber tocar. O que é que se passa?Onde estão os solos? As músicas de 15 minutos? Eu corro sempre o risco de parecer fundamentalista quando falo de música, mas dois minutos de escavanço na guitarra, não me convence e não me estou a referir a punk. Eu sei que há uma altura própria para tudo, mas por favor! Já olharam para os anos 70? parece uma piada aquilo que se faz hoje. Dá a sensação que a música é um museu. Estamos muito mal. Eu não consigo ouvir rádio, enoja-me, é um tédio inacreditável, música completamente despersonalizada, sem sentido nenhum, uma sequência de acordes banalíssima,acdc com uns efeitos esquisitos para encher, importamos para Portugal aquilo que pior se faz na América e n4ao damos valor àquilo que temos. Quantas pessoas é que terão ouvido falar do álbum do José Cid “10000 Anos Depois Entre Vénus e Marte”? Do Gonçalo Pereira? Do Pedro Jóia? Tivemos compositores importantes no barroco, Carlos Seixas, Domingos Bomtempo, conhecem? São estas coisas que me enervam, porque é que isto acontece? Estamos sempre prontos para o “bota-abaixo” sempre que alguém tenta fazer algo de diferente ou inovador em Portugal, em termos musicais, imagine-se do que era dos Beatles se tivessem nascido em Portugal. A esta hora estariam num qualquer programa do Júlio Isidro onde se revivem as décadas passadas, altura em que conseguíram um disco de ouro.

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A certa altura o progressivo começou a ter um lugar importante no meu mundo. Eu refiro-me tanto a rock como a metal progressivo. Um amigo uma vez emprestou-me um álbum dos Rush chamdo “Different Stages”, na altura não rush_movinggostei, ele ficou escandalizado comigo “Que falta de gosto, man!”. Eu não me apercebi da qualidade da banda, não gostava da voz do Geddy Lee, não era um estilo musical ao qual estivesse muito habituado na altura. Passado algum tempo acabei por gostar, e tornaram-se numa das minhas bandas preferidas. Álbuns como o “Moving Pictures”, “2112” ou “Hemispheres” são do melhor que se fez na história recente da música. É uma banda constituída por 3 elementos, guitarrista, baterista e baixista que também é vocalista e teclista, toca as teclas com os pés. O baterista, Neil Pert, é o meu preferido, não digo que seja o melhor do mundo, mas os diferentes sons que tem a maneirarush_hemispheres como os aplica na música, acho que não podia ser melhor. Quando começei a ouvir, na minha ignorância, não dei muita importância ao guitarrista, Alex Liefson, mas a importância dele na rush_neil_bigbanda é enorme, faz as coisas certas na altura certa, tem um excelente bom gosta, joga para a equipa, não é um protagonista, mas ele é fundamental, influenciou guitarristas como o Jonh Petrucci. Ainda não vi Rush ao vivo, mas sinto que um dia irá acontecer, os álbuns em estúdio não evidenciam a qualidade da banda, ao vivo é que se nota todo o brilhantismo dos seus elementos. Músicas de 20 minutos, típicas do progressivo, ao longo das quais se podem ser identificados vários temas, os quais vão sofrendo variações que são “encaixadas” com bom gosto do ponto de vista da composição. Um bom exemplo disso é a “La Villa Stangiato” do Hemispheres.

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Dream Theater é das bandas que mais ouço. Começei por ouvir o “Change Of Seasons”, em K7 com não podia deixar de ser. Contém uma música com 23 minutos de duração, genial do principio ao fim, só o riff inicial diz tudo. Depois tive dream_theater_images_and_words_capacontacto com o “Images and Words”, tornou-se num dos meus álbuns favoritos, ouço-o a toda a hora. Eu gostaria de uma dia ter uma banda e tocar coisas com Dream Theater (não vai acontecer,dream_theater-awake mas pronto), em termos técnicos são do melhor que há, em termos de composição penso que os álbuns recentes deixam um pouco a desejar. Falta-lhes qualquer coisa que tinham nos anos 90, álbuns como o “Train of Thought” são exemplo disso. Em relação aos Dream Theater sou um saudosista, embora reconheça coisas muito boas no álbuns recentes, e os concertos ao vivo são extraordinários, tive a oportunidade de poder assistir a dois. O mais frustrante disto tudo foi nunca ter tocado na guitarra um riff de Dream Theater em condições.😀

O clássico esteve sempre presente. Não é uma designação precisa, pois o clássico é um período estilístico da História bachda Humanidade, o barroco e o romântico são outras. Sem dúvida alguma que o estilo que me define musicalmente é o barroco, sendo Bach o seu representante máximo. De certa forma somos privilegiados por viver na altura em que vivemos, porque podemos apreciar todo aquele período brilhante da Humanidade, em termos artísticos. Existem certas obras com a 9ª Sinfonia de Beethoven, Os “Concertos Bradenburgueses” e  a “Paixão” de Bach que na minha opinião são inigualáveis nos dias de hoje, apesar de haver músicos geniais, dá-me a sensação de haver um esgotamento de ideias, uma falta de rumo. Talvezhandel seja pelo tipo de música, hoje em dia tende-se a ser mais abstracto na arte, o que na música resulta em coisas um pouco estranhas, o nosso ouvido não costumar estar tão bem educados como os nosso olhos, se compararmos uma pintura abstracta com música contemporânea.  A música de Bach dá-me esperança na Humanidade, se alguém é capaz de compor aquilo,  então  talvez a Terra sobreviva aos Homens. Sempre tive particular admiração por guitarristas que incorporam elementos clássicos naquilo que tocam, Kiko Loureiro ou Yngwie Malmsteen são bons exemplos disso. Nenhum outro tipo de música chega ao meu coração como esta, não consigo encontrar muitos adjectivos para descrever o que me faz pensar, simplesmente é música absoluta.

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Actualmente ouço as mesmas coisas que ouvia há anos,mas com algumas adições, uma outra perspectiva sobre a música, um feeling diferente. Tom Jobim é um bom exemplo disso, a bossa-nova cria um ambiente intimista e elisreginaelisreconfortante em momentos mais deprimentes, aqueles em que se está em casa num dia de chuva.  A mistura do jazz com a música popular brasileira confere à bossa-nova um som sofisticado com um toquethe_gathering_anneke_van_giersbergen de exotismo, se for cantada pela Elis Regina a bossa-nova é uma música com muita sensualidade. Eu não ouço The Gathering com muita frequência, mas não deixei de ouvir a ex-vocalista Anneke van Giersbergen. Tem a voz mais bonita e cristalina que há, não é muito conhecida, tal como a maioria dos grandes músicos. Ela canta sempre com muito feeling e tem um vibrato lindíssimo, ainda não tive oportunidade de a ver ao vivo, enquanto estive na Holanda não consegui ir a nenhum concerto, o que foi uma pena. é um estilo de música que não tem nada a ver com aquilo que tinha ouvido até então, é minimalista,  coisas simples que dizem muito.

Nirvana deprimia-me, se faço uma pequena dissertação sobre a música que me marcou, também tenho que referir aquela que o fez pela negativa. Na altura toda a gente ouvia, as gajas só falavam do Kurt Cobain, odiava aquilo, representava um antítese daquilo que eu gostava nirvanaem termos musicais, e não só. Sentia uma atitude anti-musical, uma sequência de acordes tocada de uma maneira esquisita, com uma distorção “rasca”, álbuns gravados às 3 pancadas, mas que se tornaram o símbolo de uma geração, da minha. A banda que eu mais detestei, é aquela que representa a minha geração. Isso de certo modo é paradigmático da minha forma de estar na vida, para o bem e para o mal. Mas estava enganado, Nirvana diz muito. Existe uma rebeldia sincera naquela música, pateticamente imitada por muitos putos mimalhos, talvez fosse essa razão de me sentir deprimido ao ouvir a “Where Did You Sleep Last Night”. Foi das bandas que mais me marcou, pela negativa, é verdade, sentia de certa forma que foram eles que acabaram com o Metal dos “eighties”, mas na realidade foram os 90’s que acabaram com os 80’s, o Grunge, é a evolução natural das coisas, os “eighties” simplesmente esgotaram, não havia mais nada ali, já estavam gastos. Já repararam que não há nada para acabar nesta década? Qual foi o estilo marcante entre 2000 e 2010? Nenhum, foi a falta dele que marcou esta década. Atravessamos um deserto de ideias em termos musicais. Uma coisa é certa a música é mais crua, mais directa, procura-se ser mais objectivo, talvez seja esse o estilo desta década, não haver estilo nenhum.

Há uma banda da qual eu não posso deixar de falar,  Xutos & Pontapés.  Eu não costumo ouvir, mas foi uma música que xutos_1985sempre me acompanhou ao longo da vida, eu não me estou a referir àquilo que eles fazem agora, mas ao que fizeram. A atitude que eles tinham no final dos anos 70, num país como Portugal onde quebrar as regras do “bom-senso” dava direito a censura, tal como lhes aconteceu com a músicaxutos78 “Avé Maria”. As influências do punk inglês e as letras irreverentes fazem deles a única banda de culto que existe em Portugal. Mas não foi por essas razões que eles ficaram famosos, foi por causa de músicas como “A casinha” ou  a “Circo de Feras”,  mas essas estão longe de ser o melhor que eles fizeram,  isso nota-se em palco, no prazer que eles tem em tocar a “Remar Remar”, “Mãe” ou a “Esta Cidade”.  Quando ouço álbuns como o “78-82”, o primeiro deles, noto uma banda que pretende transmitir uma mensagem num país que precisa de intervenção. Os Xutos caíram num certo comercialismo, não sei se foi a idade que os mudou, ou o facto de que se tivessem continuado como eram provavelmente já tinham acabado.

Quer eu queira
Quer não queira
No meio desta liberdade
Filhos da puta
Sem razão
E sem sentido

Não posso de deixar referir outro género musical fundamental. Lembram-se do verão de 1995? Nesse ano o Big Show pimbaSic “tava a bater” e o Emanuel lança um disco mítico (sem ironia), o Pimba-Pimba. Esta foi uma das mais brilhantes jogadas no mundo musical português. Eu tinha 13 anos na altura, as férias de verão duravam 3 meses, e havia sempre essa música em todas as festa da aldeia, e eram muitas…Esse ano foi muito prolifero, lembram-se do “Bicho” do Iran Costa? Também foi em 1995, o ano de afirmação do “pimba”. O pimba está associado ao que de mal se faz em Portugal, ao rasca, muita gente não hesita em classificar qualquer coisa que não goste em Portugal como pimba, mas uma coisa é certa, a maioria do pimba que existe no nosso país é importado. Eu toquei numa banda da baile, não interessa o nome😀, ouvi muuuuuuuuitas horas de “pimba” e toquei muitas mais, não consigo frisar mais o quanto esta música me marcou e as lembranças que me trás.

No meio disto tudo, uma coisa sobressai, eu queria ter sido músico. Quando comecei a tocar guitarra pensava que nesta idade fosse ter uma banda, e que tocava muito melhor do que toco, aliás para todos os efeitos eu não sei tocar. Há cerca de 2 ou 3 anos que não treino com frequência, nem sequer tenho a guitarra comigo, isso nunca acontecia, nunca a largava, mesmo que não saiba tocar nada de jeito. Não espero que as coisas continuem assim, e já fiz uma promessa a mim mesmo, quando assentar vou aprender música, desta vez a sério. Espero que não seja uma promessa do género de ano novo: ” vou começar a ir ao ginásio”.