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Já pensaram, há 10 anos atrás, naquilo que queriam ser quando tivessem a idade que tem hoje? Mais uma vez a proximidade do aniversário faz-me pensar naquilo que sou, principalmente no que não sou. Para ser sincero, penso nisso todo o ano, mas quando digo a idade às pessoas tenho sempre aquela reacção de espanto contido, temperada com uma certa reprovação: “quando tinha a tua idade já tinha casa e dois filhos”, “ainda não tens namorada?!”, “ainda não saíste da escola?!”, “tás velho, ao menos ainda tens cabelo…”, isto tudo faz-me sempre reflectir que comparado com muita gente da minha idade, ainda não fiz nada de assinalável e não sei se irei fazer. Também não penso que o tempo esgote aos 30 ou qualquer outra aquela barreira psicológica, assinalando que a partir daí se é demasiado velho ou demasiado novo para fazer certas coisas, aposto que nessa idade a minha mãe ainda me vai fazer o saco para a viagem, eu espero que sim, nao é por preguiça ou mimalhice, mas há coisas que não se podem perder no tempo, ligações que nos prendem á infância, uma espécie de cordão umbilical que não se deve cortar, sob pena de a idade nos esmagar ainda mais.

Tentando responder á 1ª pergunta. Sinceramente pensei que fosse ter uma banda de Heavy-Metal e fosse guitarrista, um bocado ingénuo talvez. Ainda não tinha escolhido o curso na altura, se fosse agora teria tentado uma carreira artística, provavelmente tinha-me arrependido. Por um lado tinha mudado muita coisa, por outro poderia não conhecer as pessoas que conheço agora, e era uma grande perda para mim visto à distancia do tempo. Não gosto de me arrepender das escolhas, é uma perda de tempo, somos seres adaptáveis, tudo tem um lado positivo, há sempre coisas boas a tirar das nossas escolhas, mesmo que pareçam erradas depois feitas.

Muita coisa mudou, outras permanecem na mesma, a minha maneira de apreciar o mundo tem sido imutável. Eu não gosto das coisas, ou amo ou odeio, mesmo as mais simples, não consigo ser de outra maneira, o meio-termo, para mim representa a indiferença. Agora as coisas parcem-me mais claras, não pela idade, mas pela necessidade de não deixar a vida passar-me ao lado, é preciso aprender a ser espectador e protagonista, na vida temos de desempenhar ambos os papeis, em doses que só o tempo ensina a medir.

Eu não tenho medo da velhice, aliás sou demasiado novo para ser velho, só temo o “é tarde demais…”.