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luduvico

Mais um dia, mais um concerto no Teatro Victoria Eugenia. Desta vez foi algo mais minimalista, um pianista italiano, de seu nome Ludovico Einaudi. Não o conhecia, nem à sua música, apenas ouvi uma no próprio dia do concerto. Quando comecei o espectáculo, a primeira coisa que me veio à cabeça foi que estava a ouvir a banda sonora de um filme dramático, realmente já as compôs (This is England, um filme recomendável com músicas dele). Sem dúvida que é muito bom pianista, com uma dinâmica extraordinária, muito “feeling” e alma na interpretação e na atmosfera que cria na sala. Em termos de composição, a estrutura não é inovadora, cai um bocado na fórmula verse-chorus-bridge, mas é propositado de forma a criar uma história, algo com que o ouvinte se identifique. As progressões por vezes faziam-medsc00095 lembrar baladas de Hard-Rock, coisas que estou habituado a ouvir, mas não caia na banalidade, com arranjos de muitíssimo bom gosto e detalhes que denotam um compositor de grande nível, a concerto atingiu momentos com grande profundidade dramática, sempre com tempos lentos e variações dinâmicas que embalavam o ouvido.

Qual foi o problema deste concerto? Ter-me levantado às 7:45 da manhã e ter-me deitado à 1 no dia anterior…Confesso que dormi durante uns minutinhos, não havia hipótese, depois de um dia à frente do computador, é inevitável. O outro problema, foi que ninguém se lembrou que devíamos ter comprado um bilhete para um lugar onde se visse as mãos do pianista, é mais uma mania minha, mas se não consigo ver o que os músicos estão a fazer ao vivo, os concertos não são a mesma coisa. Depois dos 5 minutos de sono reconciliador, um momento absolutamente “priceless”, naquela calma toda, acordes de embalar a 60 bpm, um tipo que estava num dos camarotes perto do meu dá um arroto :o…Daí é que vem o título do post, não é uma piada irónica sobre a música. Se fosse um concerto de Metal até passava despercebido, mas ali obrigou-me a tapar a boca com as duas mãos para que ninguém me ouvisse a rir.😀 Não podia olhar para o lado, pois os tipos que estavam comigo também se estavam a rir, olhei para a régie, erro…ainda se estavam rir mais, um deles estava quase deitado em cima da mesa de mistura com a mão na boca às gargalhadas😀 Eu não sei se o tipo estava a dormir e com o ressonar mais estranho do mundo, ou tinha bebido uma grade de cerveja “de penalty”, porque aquilo continuou durante uns 5 minutos…Genial, sem aquilo o concerto não era a mesma coisa, imaginem que vão dar um beijo a alguém e dão um “peido” imediatamente antes, é assim que imagino aqueles arrotos com aquela música.😛

Conclusão, com o estado de espírito certo, vale a pena ver, caso contrário, vale na mesma pela qualidade do músico e de muitos momentos da música, mas convém estar preparado para algo muito vagaroso e lamechas, mas com muito bom gosto. Fica aqui um bom exemplo.