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No passado dia 10 de Março, entrou em vigor o Decreto-Lei nº 62/2009, aqueles que passam ao lado porque não se fala de mais nada, além da enormidade que é o Bloco Central. Este decreto é importante, pois permite a criação de uma lista de consumidores que manifestem o desejo genérico de não receber comunicações publicitárias, cuja recepção seja independente de intervenção do destinatário, nomeadamente por via de aparelhos de chamada automática, aparelhos de telecópia ou por correio electrónico (informação mais detalhada, e inscrição na lista pode ser encontrada Portal do Consumidor).
Eu já me inscrevi nesta lista, estou farto de publicidade, é deprimente. Aqueles telefonemas que as pessoas recebem em casa, de alguém que lhes tenta impingir qualquer electrodoméstico, é um abuso da liberdade, um aproveitamento da inocência de algumas pessoas. Apesar de que este decreto não impede isso. Os cartazes que degradam as cidades; em Portugal é impressionante a quantidade deles; amontoados uns nos outros; a lutar por espaço, meios vergados de lutar contra a chuva e contra os putos que teimam em rasgá-los com desdém; desenhados com caras que prometem que na próxima campanha, o dinheiro dos contribuintes não vai ser desperdiçado com cartazes inúteis; promoções atrás de promoções que juram atenuar a crise que vai ter a duração do nosso egoísmo;  uma metáfora da selva que é o consumismo, que entra de rompante bem dentro dos  nossos olhos e ouvidos, logo de manhã bem cedo. Papeis na rua, nas árvores, flyers, um desperdício pornográfico de papel com as mais variadas inutilidades, que acabam a entupir um qualquer esgoto na rua, mas não faz mal, pois as publicidades estão nos guarda-chuvas e nos impermeáveis. É deprimente que a mensagem de boas vindas das cidades, seja o anúncio de mais um centro comercial, o maior da Europa, maior do que os 10 construídos no ano anterior, bem juntinho ao Feira Nova ou Intermarché ou Lidl ou Continente ou Carrefour ou o raio que os parta…O mais triste é que eu preciso de pelo menos um deles. O que é que se passa connosco?!