Tags

,

Black Clouds & Silver Linings

Depois de alguma expectativa e receio, lá está o 11º álbum de estúdio dos DT. Eu digo expectativa porque eles tocam mesmo muito, ouço há anos e já tive o prazer de os ver ao vivo 2 vezes no Porto, sei do que falo. Digo receio, porque eles já lançaram álbuns com o “Train of Thought”, continuo a achar que foi um acidente de percurso. Este não tem nada a ver, é excelente do principio ao fim. Está melhor doseado no que respeita ao lado negro e pesado, os teclados woooo-wiii-wooo continuam lá, aliás, o álbum abre com eles, o que me levou a pensar que ia ser mais um dissabor, mas enganei-me e ainda bem.

As melodias estão lindíssimas, finalmente desprenderam-se um pouco do habitual que tem feito desde há 10 anos para cá. Eu sei que o Jordan Rudess é melhor músico que o Kevin Moore, a todos os níveis, mas tinha sempre a sensação que divagava muito nos solos, às vezes era um pouco “desgastante” para o ouvido, nos últimos álbuns brindava-nos sempre com uma “dose de cavalo” das tais melodias woooo-wiii-wooo, mas desta vez “partiu a loiça”. Eu tenho de confessar que tinha dito que não esperava muito deste álbum, isto dentro dos padrões de DT, mas depois de ouvir o “Chaos in Motion 2007–2008” (DVD ao vivo), fiquei com uma secreta esperança que este novo álbum ia ser especial, muito por causa da brilhante versão da “Surrounded” e os teclados fantásticos do Rudess. Um regresso ao passado, mas com os conhecimentos de hoje, recuperaram o “feeling” que tinham, mas tocam muito muito mais, e compõe cada vez melhor. O Jonh Petrucci tem momentos geniais, a nível de solos e ritmo, com riffs que continuam cheios de ritmo e solidez, cada vez melhor em termos de dreamtheatercomposição. Da técnica dele não há muito a dizer, já provou o que tinha a provar, é o melhor guitarrista no Metal.

O álbum abre com os tais teclados muito “dark”, a música “A Nightmare to Remember” conta a história de um acidente de automóvel em que o Petrucci esteve envolvido quando era criança, depois do inicio pesado, a entra numa parte de dedilhado de guitarra, foi aí que percebi que o Petrucci tinha metido na gaveta o som do “Train of Thought” e regressado aos sons “bonitos ” da guitarra, dá prazer ouvir o refrão da música, é sublime. Esta música tem riffs bem pesados, mas este álbum não é pesado, está bem doseado nesse aspecto, ao contrário do último, que aprecio bastante, mas é cansativo.

O single deste álbum, “A Rite of Passage” é uma daquelas que vai ser tocada nos concertos durante muito tempo, a frase inicial tem um felling muito árabe, e um refrão típico de um single, claro que é intercalado com riffs mais pesados.

A “Wither” é uma “balada”, não gosto desta classificação para as músicas, pois o Micael Carreira também faz “baladas” e não é a mesma coisa, digamos que é mais “soft”. Adoro a voz do James LaBrie nesta música, desta vez não fez vozes tipo Muse, que na minha opinião fica bem ao Matthew Bellamy mas não ao LaBrie. A orquestração é de grande bom-gosto, e com um solo excelente. Podia passar na rádio, sem as pessoas desconfiarem muito, mas não se pense que é uma sequência de acordes lamechas.

A mais pesada do álbum é a “The Shattered Fortress”, trata-se de um medley de riffs de músicas anteriores, começa de uma forma espectacular, com um ritmo muito “headbang”, depois vem a sequênca de riffs conhecidos dos fãs: “This Dying Soul”, “Glass Prison”, “The Root of All Evil”, etc. Esta reutilização de frases é uma técnica muito utilizada pelos DT, algo que eu aprecio particularmente. Esta faixa faz parte de uma suite intitulada de “Alcoholics Anonymous Suite”, composta pelo baterista e fala da sua experiência com o alcoolismo. Esta suite é composta de várias músicas que estão espalhadas pelos álbuns do DT, este tipo de obras conceptuais é uma imagem de marca de progressivo e os DT tornaram-se em mestres desta arte.

“The Best of Times” é das melhores músicas do Dream Theater. Abre com uma sequência de piano acompanhado de cordas, uma melodia lindíssima, seguindo-se de um solo de guitarra acústica, continuo a insistir que os DT chegaram a um nível de composição elevadíssimo,não sei onde irão parar assim…A música fala do falecimento do pai do Mike Portnoy, sobre os bons tempos que passaram juntos, tem uma letra repleta de humanidade. É a música mais old-school do álbum, e mais um grande solo de guitarra…

A “The Count of Tuscany” fecha o álbum, não digo que seja uma nova change of seasons, mas está lá perto e só digo isto porque sou um fã old-school do DT. Só pelo inicio já vale a pena, mais uma vez o Petrucci a mostrar o que sabe. Depois de muita música, acaba à la Pink Floyd com uma melodia fantástica.

Tenho a sensação que o Mike Portnoy jogou mais para a equipa neste álbum, o pedal duplo não podia faltar, bem como aquelas sons característicos, mas parece-me menos exuberante, desta vez empenharam-se muito a nível de composição e aqueles solos do tipo “deixa ver quem toca mais” estão melhores e menos “plastificados”. Em relação ao Myung, continua o mesmo, irrepreensível e sossegado😀 Era bem mais interventivo nos primeiros álbuns, foi perdendo algum protagonismo ao longo do tempo, mas continua a tocar muito, quanto a isso não há sombra de dúvida.

Finalmente posso deixar de dizer “espero bem que não toquem muita coisa do último álbum”, antes dos concertos, que espero ver em Junho, aqui ao lado em Bilbau. O som de guitarra vale o álbum, que brevemente vou encomendar😀

Imprescindível para qualquer fã de metal ou progressivo. Em relação aos fãs de Dream Theater, nem vale a pena dizer nada…😀

Fica aqui parte da “The Best of Times”