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…mas detestam-se aqueles que têm  opinião firme, defenda-na com firmeza e alguma arrogância, por vezes. Eu penso muito acerca disto, não me identifico com meios-termos. Compreendo essa resistência às pessoas que são convictas dos seus ideais, devem parecer uma ameaça aos olhos daqueles que não são capazes de seguir e defender aquilo em que acreditam, pois isso é muito difícil. É preciso remar contra ventos e marés, fazer sacrifícios, abdicar da simpatia dos outros, pois essa dificilmente é dirigida para aqueles que não gostam dos pensamentos em massa. Pode parecer que existe aqui alguma confusão, entre ser-se humilde e convicto ao mesmo tempo, admito que não é exclusivo, mas não é fácil e na maioria das vezes é impossível. Eu falo disto a propósito das inúmeras discussões que tive e terei ao longo da minha vida, até por coisas menores, mas sempre fui convicto dos meus ideais. Admito que não gosto de ceder, mas não considero uma derrota se o fizer, tenho uma perspectiva construtivista da vida. Mas em muitas dessas discussões, constatei que a grande maioria das pessoas, não é capaz de gostar de alguém que as enfrente as suas opiniões. Veja-se, por exemplo, o caso trivial de um filme, certas pessoas quando confrontadas com uma opinião desfavorável acerca de um filme que gostem, reagem mal e catalogam como arrogante e pessoa desagradável aquele que opinou. Agora, se esta discussão for acerca de política e religião, é melhor nem tentar. Eu já tive estas discussões com pessoas destas, e eu era a “pessoa desagradável”. Não estou aqui a queixar-me, muito pelo contrário, a última coisa que queria ser como pessoa era um desses que não “gostam” da confrontação. Eu acho que isso é apenas mediocridade e saloiice. Não crescemos como pessoas, assim. Se houver alguém que não pense como o grupo, é imediatamente disparado o gatilho do tribalismo que está enraizado em nós, que é muitas vezes  mascarado de moderação na opinião.

Não quero com isto dizer que devemos discutir por tudo e por nada, é preciso também perceber quando se deve ceder, quando é que nem vale a pena discutir. Somos seres sociais, quer se queira quer não, há sempre uma certa cosmética na forma como nos relacionamos com outros. Nem toda a gente tem a coragem de revelar a sua verdadeira opinião e confrontar com outra, talvez por fraqueza dos seus argumentos, um gosto pessoal,  sabe que está errada, mas gosta do que faz, certas situações em que é melhor não complicar. Enfim, as coisas são bastante complicadas entre nós, ser-se sempre coerente é praticamente impossível, para isso é preciso ser-se eremita. É a conclusão a que cheguei. Se pensarmos bem, até connosco somos incoerentes, a começar nas pequenas coisas até aos grandes ideais (se bem que para esses se deva reservar mais coerência :D), mas há tantos factores a ter em conta, tantas coisas que nos podem acontecer durante a vida, e acima de tudo tantas pessoas que nos fazem pensar duas vezes naquilo em que acreditamos.