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Eu tenho um prazer especial em ver filmes que são muito bons, e já saíram há uns anos. Toda a gente os viu, já me falaram deles, bem ou mal, e já sei a história. Não gosto de ir a correr para o cinema apenas para ser um dos primeiros a ver. Acho que os filmes fazem sentido em determinadas alturas e estados emocionais. Também depende muito de cada filme, alguns não me fazem grande diferença e vejo-os a qualquer altura. Aconteceu com variadíssimos filmes: Fight Club, Titanic (o único arrependimento foi tê-lo visto), Mas também não caio no exagero de ainda não ter visto o Star Wars😀 (refiro-me aos primeiros, episódios IV,V e VI). Desta vez foram uma série de filmes sobre a vida do revolucionário argentino. Desde o despertar para a grande aventura da sua vida, até à sua morte.

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Eu escrevi bastante sobre este filme, mas o firefox crashou e perdi tudo. Trata-se da história da viagem de mota que o Che Guevara fez pelas Américas, acompanhado pelo seu amigo Alberto Granado (Rodrigo de la Serna). O Che é interpretado pelo Gael García Benal, que o faz de uma forma extraordinária. É notável a forma como ele expressa a crescente perturbação na alma da personagem, ao ser confrontado com a injustiça social, e a miséria da gente que encontra pelo caminho. O Alberto é um boémio, um personalidade que de certa forma contrasta e realça a forma de ser mais contida do Che, pelo menos durante aquela viagem, pelo que li o Che tinha um génio complicado. As paisagens onde o filme é rodado, são lindíssimas. Um retrato da América do Sul, desde as florestas tropicáis e altas montanhas até às cidades repletas de casas e ruas íngremes. Ao longo do filme, começa-se a perceber que algo espera pelo Che, um propósito maior, um destino ao qual ele não pode e não quer fugir.

Link imdb.
Estes dois filmes de Steven Soderbergh, “Che: Part One” e “Che: Part Two” retratam a fase da vida do Che enquanto  cinema-che-part-oneguerrilha. Foi o Benicio del Toro que encarnou a personagem do Che, e tal como o Benal deu-lhe uma dimensão humana e uma personalidade que é aquilo que esperava ver. O Benicio recebeu o prémio de melhor para melhor actor em Cannes, mais do que merecido. Sei que houve alguma polémica em torno do mesmo, a maioria vinda dos tipos anti-Che, argumentando que ele matou muita gente, e é um facto. Foi um líder carismático, alguém que defendeu e lutou pela liberdade contra a opressão, parece uma lenga-lenga esta última frase, mas quem é que é capaz de defender algo com esta tenacidade e inteligência? O segundo filme mostra a guerrilha na Bolívia, onde o Che foi morto. Foi uma guerra onde deu a sensação que o Che estava sozinho, lutava contra a sua doença, contra os traidores e congeminações contra a sua pessoa, por parte dos americanos. O primeiro 6suf7yhfilme é intercalado com imagens a preto e branco que dão uma sensação de documentário, reforça o interesse histórico do filme. A figura de Fidel Castro não podia faltar, com aqueles tiques e colocação da voz tão características. Este filme está cheio de coisas que me apetece comentar, para isso quase que precisava de comentar a cada minuto do filme, há muitas cenas memoráveis, uma delas é o discurso de Che nas Nações Unidas. A pose dele debruçado no palanque, o olhar para os outros líderes, as palavras de luta anti-capitalista (a tal k7, mas dita por alguém que consegue fazer passar a mensagem). O Che foi retratado como alguém com grande humanidade, era médico e tratava das pessoas, mas também ordenou execuções, os traidores eram punidos com a morte. É um filme cheio de grandes frases, aqueles pensamentos que são citados por muita gente. É preciso ver os dois filmes, a glória pela conquista da liberdade em Cuba e luta pela sobrevivência na Bolívia. Em ambos, um grande actor e uma ainda maior personagem.

Links imdb: Part One & Two

Este vídeo é o discurso real de Che nas Nações Unidas, atenção eu não sou comunista, mas admiro a grandiosidade destes homens que lutam pelos seus ideais em dias turbulentos, arriscando a própria vida, e agigantam-se. Este é um desses momentos.