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Que tal estes nomes próprios: Antônio Dodói, Abecê Nogueira, Barrigudinha Seleida, Eclesiaste Cardeal da Costa, Francisco Facada Sargento de Cavalaria. Gilete Queiroga de Castro, Dartagnan Pascal, José Amâncio e Seus Trinta e Nove, Oto Bompeixe de Oliveira, Magnésia Bisurada do Patrocínio. Estes nomes estão registados, foram recolhidos pelo folclorista Brasileiro Mário Souto Maior, que escreveu um livro com estas pérolas. Para fazer o download do livro na íntegra: Mário Souto Maior – Nomes Próprios Pouco Comuns.

A onomástica é o estudo dos nomes próprios de todos os géneros, das suas origens e dos processos de denominação no âmbito de uma ou mais línguas ou dialectos. (Fonte: Wikipedia). Eu estive a pesquisar no domínio dos nomes próprios de pessoas. Na altura em que jogava CM, um dos meus passatempos era procurar nomes de jogadores Cabo-Verdianos da selecção de sub-21, e ria-me com isso, há pessoas assim!😀 Uma coisa é certa, há alguns verdadeiramente impressionantes, parece-me impossível que haja pessoas com esses nomes. Mas há um explicação para isso, pelo menos no Brasil, onde os nomes são mais extravagantes. Parece que há várias explicações, não havia regras para os nomes no Código Civil, logo essa liberdade permite aplicar a imaginação e inventar os mais hilariantes nomes. Outra explicação é que, também no Brasil, a imprensa teve grande responsabilidade, não havia um standard e cada um escrevia os nomes de maneira diferente:

O absurdo maior, relata Marcos de Castro, ocorreu em outubro de 1985, quando da morte do ex-presidente Médici. Em pesquisa realizada nos jornais O Globo, Jornal do Brasil e Folha de S.Paulo, encontrou o nome da discreta viúva do general escrito de nove (9) maneiras diferentes: Scylla (como ela usava e estava registrada), mais Scyla, Scilla, Scila, Silla, Sila, Cylla, Cyla e, por fim, a grafia que seria a correta: Cila. (Fonte: Observatório da Imprensa)

No livro referido acima, está bem explicado as razões de cariz mais popular e folclórico para a origem desses nomes, é muito interessante e divertido de ler. Podem ser promessas, ignorância, homenagem a alguém, etc. Repare-se neste caso:

Uma empregada doméstica, daquelas bem simples, deu à filha o nome de Madeinusa. Quando uma pessoa da casa foi perguntá-la o motivo do nome, ela respondeu inocentemente: É que eu estava pegando suas roupas para lavar e li na etiqueta de sua camiseta a palavra “Made in USA”, eu achei tão lindo… (Fonte)

Os nomes baseados em pessoas famosas podem ter resultados espectaculares, se pensarmos que ainda estamos a falar da língua portuguesa: Mussolini Campelo, Karl Max Guimarães, Ludwig van Beethoven Silva (gostava de ter este :P), Joana D’Arc Colombo, Tarzan da Costa e o expoente máximo Adolpho Hitler de Oliveira.

Na tira de jornal seguinte, encontram-se nomes angolanos oficialmente registados.

Angola

Como é que será a vida de uma mulher chamada Maria Augusta Rata Seca? Ou Joaquim Bagina? A vida deve ser complicada só por causa do nome. Na minha escola primária ia ser uma comédia.

Outros nomes que parecem inventados por algum humorista, mas são reais:

Antonio Manso Pacífico de Oliveira Sossegado (Nobel da Paz)
Carabino Tiro Certo
Éter Sulfúrico Amazonino Rios
Inocêncio Coitadinho
Simplicio Simplório da Simplicidade Simples (Se houver pessoas simples no mundo terão de se chamar assim)
Capitulina de Jesus Amor Divino
José Xixi
Colapso Cardíaco da Silva
Restos Mortais de Catarina
Um Dois Três de Oliveira Quatro
Vicente Mais ou Menos de Souza
Soraiadite das Duas a Primeira
Placenta Maricórnia da Letra Pi
Otávio Bundasseca
Jose Amancio e Seus Trinta e Nove
Jose Casou de Calcas Curtas
Sete Rolos de Arame Farpado (O gajo do notário deve ter usado uma lista de compras)
Valdir Tirado Grosso

Estes foram alguns nomes que me saltaram à vista, mas a lista é maior, pode ser consultada aqui e existe outra aqui. Também é possível obter sobrenomes dignos de um refraão de uma música do Quim Barreiros, através dos casamentos. Uma mulher da família “Rego” casou-se com um rapaz cujo sobrenome de família era “Barbudo”. O sobrenome dela passou a ser “do Rego Barbudo”. Outra mulher era japonese a chamava-se Mitiko Kudo e o noivo, Jorge Endo.O resultado foi Mitiko Kudo Endo. Parece aquelas piadas linguísticas que se contavam na primária – “Sabes como é que se diz enfermeira em japonês? Pika Moku.”

Em Portugal, a ortografia é estável, em qualquer publicação. Os nomes aqui não são tão bizarros, mas também existem alguns assinaláveis. Recente uma atleta que bateu o record nacional de triplo salto, suscitou curiosidade com o seu nome: Patrícia Mamona😀 Na política também tem surgido um nome diferente, Sónia Sanfona. É uma deputada do PS que tem recebido alguns piropos dos betos do CDS, claro está, chamaram-na de deputada-sereia e deputada-princesa. Pode-se ler sobre isto neste artigo do ionline. Existem mais, tais como: Balduíno, Capitolina, Diógenes, Epaminondas, Estanislau, Fúlvio, Gaudêncio, Políbio, Querubina, Umbelina, etc. Mas não conseguimos competir com o Brasil ou com os PALOP no que respeita à bizarria onomástica.