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O Jazzaldia é um festival de jazz que ocorre em Donostia. A partir das 18:30 começam vários concertos em diferentes palcos espalhados pela zona junto à praia. Sinceramente pensei que fosse ser mais “jazzístico”, pois já vi 3 concertos ejazz_kursal nenhum deles era jazz. Os nomes mais importantes são mais caros, sempre de 25€ para cima, aqueles que assisti tinham entrada livre.

O primeiro artista que vi foi o havaiano Jake Shimabukuro, eu sei que este nome não parece do Hawaii, ele tem ascendência japonesa, mas foi criado no Hawaii. Ele tocava um instrumento de corda típico daquelas paragens, semelhante a uma guitarra, mas com 4 cordas, mas pequeno e com um som mais agudo, mas com denominado de Ukele. Não conhecia o tipo, mas ele é impressionante. Mistura feeling e virtuosismo em doses pouco comuns, tem um domínio espantoso deJake-Shimabukuro-web(5) um instrumento do qual só estamos habituados a ouvir ritmos havaianos, mas ele faz técnicas como tapping, bending, harmónicos que soam maravilhosamente naquele instrumento, etc.

Desde já ponho alguns defeitos. Este concerto foi numa tenda muito pequena, não havia espaço para toda a gente e a maioria ficava de fora, nas laterais. Deviam ter planeado melhor estas coisas, ou então estavam a assumir que a assistência ia ser fraca e as pessoas cabiam todas na tenda, o que também não abona a favor da organização. O outro problema tem a ver com a falta de civismo e educação que os espanhóis por vezes mostram. Dava a sensação que estávamos numa feira ou qualquer coisas assim, tal era o ruído que as pessoas faziam. O artista tinha um dinâmica excelente, certas passagens eram muito “suaves”, em termos musicais em pianíssimo, e não dá para desfrutar da música com pessoal as berros durante o concerto, isto verificou-se em todos, é o problema da entrada livre, duvido que o fizessem se fosse a pagar. Esta história da fúria espanhola, interpreto mais com faço o que quero e que me apetece sem pensar se vou incomodar os outros, basta ver pelo lixo que espalhado pela praia, outra marca de luxo…

Depois deste concerto cheguei a casa e peguei no cartaz e vi o que ia haver a seguir. Às 21:30 ia tocar no palco que estava na praia uma tipa com o pseudónimo de Russian Red. O nome não me era estranho, mas nunca tinha ouvido,russian_red decidi verificar no youtube. Saía correr de casa com 2 cervejas na mão (porque os concertos na praia parecem um botellon gigante com música a acompanhar) para ver o concerto dela. Eu tenho de confessar que adoro ver artistas femininas a cantar e tocar guitarra, eles tem uma sensibilidade muito particular. Senti o mesmo ao ouvi-la como o que sinto com Anneke Van Giersbergsen, uma melancolia, beleza sempre com alguma esperança. Recomendo vivamente esta moça.

Mais uma perfeita para ouvir sentado na praia, com uma brisa fria na cara.

E Jazz? Ainda não é desta. Logo a seguir a este concerto que me deixou os pés gelados do frio, mas com efeito contrárioDSC00230 na alma, tocaram os Klezmafour. São uns tipos polacos que tocam música judia e balcânica, que eles denominam de klezmer. Excelente concerto, muito divertido e musicalmente estimulante. O grupo é constituído por um clarinetista, violinista, acordeonista, baterista e baixista. Bons músicos e com uma excelente presença de palco. Constantemente a serpentear nas escalas judias com um sabor árabe, misturando com um feeling dos Balcãs. Extremamente dançável, conheço muita gente que ia adorar este concerto.

No dia seguinte estava doente e não consegui ver quase nada. Mas pude assistir a algumas músicas de um interessante concerto. Eram dois artistas com o estranho nome de Thee, Stranded Horse e Ballaké Sissoko. Não era para qualquer ouvido, essencialmente instrumental e progressivo, com influências africanas pois os dois músicos tocavam um instrumento africano chamado kora. Mas um deles tocava guitarra, sempre com dedilhados bastante etéreos, tenho uma certa dificuldade em classificar este tipo de música, encaixava bem na banda sonora de um filme de algum viajante solitário. Ficam aqui dois vídeos, não encontro nenhum com os dois músicos a tocar juntos, mas estão em separado.

Houve uma banda que me deixou particularmente surpreendido por ter gostado, os Bikini Machine. Surpreendo-me porque o estilo de musica deles nunca fez parte das minha selecção, e continua a não fazer, faço uma excepção por ser ao vivo. É assim uma espécie de electro-rock humorístico, muito dançável, pelo menos as damas mui simpáticas que se abeiravam a mim o faziam parecer. Eram bastante competentes e multi-instrumentistas com uma excelente presença em palco.

Também interessante foi o concerto de Black Joe Lewis & The Honeybears, o estilo blues soul é sempre agradável de ouvir, os músicos eram bons e tocaram algumas melodias conhecidas.

O único Jazz que ouvi foi precisamente no último concerto. Tocaram os Noruegueses Esemble Denada, e só posso dizer que são excelentes. O baterista foi de longe o melhor que vi no festival, sem qualquer dúvida. O mesmo posso dizer do guitarrista, mas não na mesma proporção. É um jazz um bocado difícil de ouvir para a maioria dos ouvidos, em termos de tempo e melodia e mais uma vez as pessoas foram embora depois das primeiras músicas.

Em jeito de conclusão, posso dizer que ver concertos à borla é algo que sabe muito bem, e sinceramente é serviço público no verdadeiro sentido da expressão. Gostei bastante do som em todos os palcos, mesmo nos mais pequenos, que eram bastante acolhedores, um deles era uma tendo demasiado pequena, mas o outro era muito bom. O cenário dos concertos com a praia e o pôr-do-sol no mar dava um toque romântico ao espectáculo, no caso de Red Russian exponenciou o feeling que ela tem por natureza. É nestas alturas em que vejo estes concertos sozinho, que penso que dou demasiado valor à minha liberdade, mas depois passa. Os maiores nomes eram a pagar e por isso não vi nenhum. Acho que deveria ter mais guitarristas como Frank Gambale ou Pat Metheny, bossa-nova, jazz latino (Billy Cobham), jazz rock, etc. Muita coisa poderia haver aqui, até era para estar cá o João Gilberto com o pornográfico preço de 60€ o bilhete, mas por motivos de doença não tocou. Não deviam chamar Jazzaldia a este conjunto de espectáculos, tudo bem que o Jazz engloba muitos estilos, mas muita coisa ficou por tocar, isto claro de borla, porque a vida tá cara!