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Com uma falta de rendimento digna de um qualquer jogador do Benfica, nestes últimos anos, andava eu a explorar jornais e revistas na net. Essencialmente leio os artigos de opinião e algumas notícias que considero interessantes, coisas do gabarito de que afinal o comportamento homossexual é mais perigoso no que respeita à transmissão de VIH (este artigo é priceless), basicamente o que eles deviam fazer era “arranjar uma gaja”. Enfim, and soyone and soyone…Mas no meio desse bacanal que irá acabar numa excursão da Opus Gay à Red Light District por motivos de saúde (Atenção! Sem paragem em Leidseplein e os seus bares com bandeirinha ás cores), entre alguns artigos de opinião que soam a desabafo pessoal (não critico, uma opinião também é isso) lá aparece a política. Eu faço já de imediato um “parental advisory”, porque posso ser um bocado demagogo, mas não resisto.

Mas afinal qual é a ideologia desta gente? Eu quando falo de ideologia, refiro-me aquelas linhas que definem as nossas acções, a nossa conduta. Os partidos tem de ter uma definição claríssima a este respeito. Mas não é isso que acontece. Não se assumem, excepto os mais radicais com o BE e o PCP, e mesmo o CDS, pelo menos estes último apesar de ser de direita afirma-se sem medo. Admiro isso. Olho para os principais e vejo um vazio completo. Discussões patéticas sobre nomes e listas e as mesmas tretas de sempre. Aquilo que foi feito está mal, vamos fazer tudo de novo. Por exemplo o que é que o PSD pensa sobre ambiente? É para rebentar com tudo e construir coisas por cima? Eu sinceramente não sei. Estarei mal informado? Espero que sim, porque é miserável o panorama de discussão política. Algo que podia ser apaixonante, não passa de uma novela e nós pagamos para ter políticos assim. Nomes atrás de nomes, este e aquele, se não chamo este prá lista fica amuado e ele até é importante e tal, caso contrário vai fazer oposição e sabes como é, depois é chato. E vai sendo assim, o jogo de influências e mais nomes, no meio disto casos de corrupção, os casos de políticos com problemas na Justiça vão perdendo ou ganhado importância consoante as necessidades políticas dos opositores. Mais nomes. O Avô Cantigas pelo meio. Regresso do Santana, aleluia! Mais casos, como aquele convite feito aquela moça que eu dava tudo para que ela fosse ministra e tantas como ela. É lamentável, sou grande fã da moça, e não é pelas razões que são mais óbvias.

Eu sou a favor da dar nacionalidade portuguesa a estrangeiros e eles ocuparem cargos na política. O meu sonho era poder votar na Marie Ségolène Royal e na Hillary Clinton. Os franceses desceram 1000 pontos na minha consideração ao preterir uma mulher de belas ideias a um palerma. Mas lá está, na França discutiu-se a esquerda e a direita e as questões associadas, politicas sociais, politica externa, etc. Esta última, é um bom exemplo da falta de discussão ideológica. Ainda não ouvi ninguém a falar, por exemplo da imigração, da integração das pessoas que chegam ao país. O PSD é de direita, vão seguir os ideais conservadores associados ás políticas de direita? Hello Manela? Como é que vai ser isso? Vai ser o costume não é? Pois, já sabia. E tu Sócrates? Já não se fala no Freeport e tal, poder ser que te safes.

Depois há aquela ideia, que me deixa particularmente intrigado, que são os partidos ao centro. O que é isto? Alguém me explica. Para mim isso significa “Nos vamos fazer política consoante o que der mais votos”. Não há hipótese, é sempre a mesma coisa, chega-se a uma certa altura e começa-se a ouvir falar em alianças a pequenos partidos para um lado ou outros, consoante os votos que poderão ganhar. Aproveitam um bocado da esquerda e da direita e juntam tudo numa sopa chamada centrismo, que basicamente não é nada. Depois há os indecisos, quem será essa gente? Só a 15 dias de votar é que começou a pensar em política? Vão votar naquele que dá mais beijinhos nas feiras? Fazer como o Carrilho que de repente (não é assim tão de repente, foi antes das eleições para a câmara de Lisboa) começou a dançar ao som de pimba durante as festas populares? Poupem-me desse espectáculo deprimente.

E aquelas questões, chamadas de fracturantes, eu acho que se chamam assim devido ao facto de me apetecer fracturar o maxilar desses tipos, por não falarem do assunto sem politizar. São questões fundamentais que não podem ser deixadas para segundo plano. Eutanásia e bio-ética não são assuntos acessórios.

O que torna tudo mais triste, é que o povo vai neste paleio. Isto é puro entertainment enquanto não começa o campeonato, aí a discussão nacional muda a agulha para os pénaltis e o comportamento das mães dos árbitros. A politica passa outra vez para segundo plano até uma semana antes das eleições. Sinceramente, esta politica intriguista é feita para o povo. Mais nada. Distrair as pessoas e elas adormecem.

Será preciso ser um expert em política para conseguir compreender esta gente? Os país ganhava muito mais se os partidos fossem claros. Certamente as discussões eram mais interessantes e esclarecedoras. Por outro lado, não falta material para os humoristas. Enfim, e muito mais há para dizer.