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Faz hoje um ano que parti para a Holanda, naquela que foi a minha primeira aventura fora de Portugal. Lembro-me desse dia como se fosse ontem, na maioria dos detalhes. Da acordar de manhã e não fazer a mínima ideia onde me deitaria ao fim do dia. Da preparação das coisas e do quanto isso me parecia irrelevante, comparando com a dimensão da experiência que iria viver. Da procura incessante de casa, mal sabia eu o quanto isso me iria custar. Das saudades que iria ter de casa, e do desconhecimento que na altura tinha dessa palavra terrivelmente entranhada nos nossos sentimentais genes portugueses. Do meu silêncio na viagem até ao aeroporto. Da crescente tensão que via na cara dos meus pais à medida que a hora do check-in se aproximava. Do inevitável choro. Da viagem de avião, onde pensava que ia ter medo, mas nem passou pela cabeça, apenas medo do desconhecido. Da chegada ao aeroporto de Schipol em Amsterdam, e de tudo o que senti antes passava para trás das costas, preparava-me para conhecer e aprender. Do acolhimento por parte de um amigo, ao qual ainda não pude agradecer convenientemente.

A partir dessa viagem sinto-me muito mais capaz de de me despegar do sítio onde estou, e assentar noutro lado qualquer. O fascínio de outras culturas fez-me acreditar que não se deve ficar no mesmo local toda a vida. É um desperdício do imenso espaço que temos disponível para conhecer, nós que temos a sorte de circular livremente, um privilégio que não podemos deixar de celebrar e proteger.

Passou rápido o tempo, mais do que eu pude assimilar, talvez por esse mau relacionamento com a adaptação que eu vinha mantendo. Mas agora é diferente. Provavelmente um dia irei sentir a necessidade de assentar, mas não será em breve.

Espero que daqui a um ano possa estar a escrever um post semelhante, noutro sítio qualquer sobre um qualquer sítio.