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Há uns tempos, mais uma senhora francesa (artigo) recebeu um transplante de cara de um dador em estado de morte cerebral. Essa pessoa tinha graves deformações no rosto devido a um ataque canino, compreendo perfeitamente e justifica-se, pois não conseguía comer nem respirar sem a ajuda de um tubo. São intervenções cirúrgicas demoradas e arriscadas em caso de rejeição, mas com uma clara melhoria na qualidade de vida. Recentemente, aqui em Espanha foi realizada uma operaçao deste género com sucesso, e se a minha pesquisa foi certeira, ainda só houve umas sete do género. Estas pessoas têm graves problemas, necessitam mesmo desta ajuda. Podemos pôr a questão da família do dador e da utilização do rosto do seu familiar falecido, é algo bastante delicado.

Considere-se esta hipótese: já é possível fazer transplantes e intervenções radicais em rostos humanos sem qualquer risco de rejeição ou problemas após a intervenção. É possível uma total reconstrução da cara. Considerando que é algo caríssimo, os ricos poderiam fazê-lo. Acho que corríamos o risco de ter uma elite de beleza, passava-se de um presente ofericdo pela Natureza, obra do acaso, entenda-se assim. Modelos por encomenda. A banalização de algo que  é uma das principais inspirações da Humanidade transformado numserviço a troco de dinheiro. Isto já acontece de certa forma, mas no futuro poderá radicalizar-se, não me admira que aconteça. aliás acho que é inevitável. Mas como podemos negar a alguém ser bonito. Se tem essa chance? Seria negar a felecidade de alguém, baseado em quê? Ética? É isto uma questão fracturante? Não seio que dizer. Não me soa bem, se tivesse essa opurtunidade, não sei se teria coragem. Perderia a minha identidade? – Olha, hoje tenho a cara do Tom Cruise. Estou a juntar dinheiro para ter a cara do Brad Pitt. – E daí? Também posso mudar de penteado e usar tatuagens, ficava com uma aparência diferente, obviamente que não era uma mudança de fundo tão radical, mas tratam-se sempre de questões estéticas. Afinal o que nos distingue são as nossas acções e a nossa personalidade, certo? Um bocado ingénua esta última frase.

E os pais? Que desilusão seria para eles, um filho não gostar da cara que no fundo é uma interploação dos seus próprios traços, completamente adulterada agora. Não seria uma questão de habituação, tal como tudo até agora? Nós temso essa capacidade de nos adaptarnos a novas realidades, surgiram outras questões que nso ocupariam as discussões. Naõ consigo olhar para o assunto fora de uma perspectiva pessoal. Seria uma escolha como outra qualquer. Só era preciso actualizar a foto do BI com mais frequência e avisar os amigos que agora se tem a cara do Stallone. Se bem que esta questão de escolher caras que já existem seja uma aberração, e obviamente isso não poderia ser permitido, e acho que ninguém escolheria aquela última.

Eu não sou um tipo conservador, mas se tivesse que votar numa lei que permitisse isto, acho seria um voto negativo. É uma realidade para a qual não acho que a Humanidade esteja preparada. Nós damos saltos maiores do que a perna no que respeita a questões éticas deste género. A Humanidade é imatura. Prolongamento da vida até idades bíblicas, clonagem de pessoas, escolha das características de um bébé, enfim. É tipo pôr uma criança de 6 anos a escolher o curso universitário, éramos todas astronautas, médicos, bombeiros e educadoras de infância. Atenção, não tenho nada contra estas últimas, mas tenho a ideia (talvez errada) que é isso que as raparigas de 6 anos querem ser.😀