Tags

, , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

A revista Time fez recentemente uma lista com os 10 melhores guitarristas de todos os tempos. A lista é a seguinte:

01. Jimi Hendrix
02. Slash
03. B.B. King
04. Keith Richards
05. Eric Clapton
06. Jimmy Page
07. Chuck Berry
08. Les Paul
09. Yngwie Malmsteen
10. Prince

Estas coisas das listas dos melhores de sempre, têm sempre muito que se lhe diga. Eu tenho a certeza absoluta que o critério principal foi o gosto pessoal de quem fez a lista. Todos os rankings de guitarristas que vi até agora, têm o Jimi Hendrix no topo. E sempre será. Mas analisando as coisas friamente, ele é o melhor guitarrista de sempre? Eu nem me atrevo a contestar isto, é um lugar-comum. Se ele merece? Provavelmente sim, pôs a guitarra na ribalta e isso é muito. Aquilo que mais aprecio no Jimi hendrix são duas coisas que me faltam: um sentido rítmico apuradíssimo e a forma como misturava ritmos e melodia, criando assim uma harmonia extraordinária, poucos conseguem criar tanta riqueza musical apenas com uma voz e guitarra. Em baixo estão dois exemplos daquilo que acabo de dizer. O segundo “Little Wing” é das minhas músicas preferidas, é de um bom gosto incrível e tem um solo que derrama feeling, como é de costume no Jimi Hendrix.

Muito disto passa pelo problema em homenagear pessoas vivas, ou que ainda estão a construir a lenda, tais como Steve Vai e Joe Satriani. Estes dois são absolutamente incontornáveis. Não se pode fazer uma lista dos melhores de sempre sem os incluírem. A questão passa muito pelo critério, que além do goisto pessoal, é a influência noutros músicos. Certamente o Hendrix é a maior referência nesse domínio. O próprio Satriani o admite e o elege como o melhor. Mas então próprio Satriani não é uma influência? Absolutamente. Nem se questiona. A maior da minha geração, e essa quando fizer uma lista dos melhores guitarristas, vai incluir esse nome de certeza. Eu até uso uma guitarra do modelo dele, palhetas da mesma marca, cordas, etc. Não imito o som porque não tenho ouvido, talento e material para isso.

E quanto ao Steve Vai, é difícil ser influencia porque ninguém consegue tocar como ele. O Satriani é mais alcançável, não digo tecnicamente porque isso é outro campeonato, mas as harmonias, o uso de frases com muitos pull-off’s e hammer-on’s, o uso modo lidío que também é muito usado pelo Steve Vai, o qual confere um sabor exótico nas músicas, coisas que podem ser absorvidas, menos mirabolantes, o Satch distingue-se muito pela dimensão em termos de composição que consegue dar à guitarra. Pois é, este senhor Satriani fundiu este exotismo com o rock,juntando aquele som único e uma técnica magistral (O Hendrix não tinha tanta, lamento, mas é mesmo assim) criou um estilo que influenciou muita e muita gente. Está para os guitarristas da actualidade como o Hendrix para os hippies, mas com uma grande diferença. O Jimi Hendrix estava associado a um movimento de libertação cultural, uma mensagem de liberdade e paz numa altura conturbada. Isso é fundamental para a criação de um ídolo, uma referência, não critico isso, a música serve para isso e o Hendrix transmitia essa cultura a cada nota que atacava.

Este artigo fala de uma coisa muito importante. A injustiça de compara guitarristas de estilos muito diferentes, blues, flamenco, heavy, jazz, etc. São campeonatos diferentes, o Paco de Lucia certamente tem lugar nesta lista. Sou grande adepto do Slash, mas um segundo lugar parece-me esticar um bocado a corda. Rolling Stone também elaborou uma lista do género onde classificou o Kurt Cobain como o 12º melhor guitarrista de sempre. Eu sem exagero, consigo pensar em 50 guitarristas melhor que ele. Mas uma coisa eu não posso negar, se calhar se forem contabilizadas as tentativas de aprendizes de guitarra em tentar tocar o riff inicial da “Come Has You Are”, e comparando com as tentativas em tocar os riffs daqueles 50 em que estou a pensar, provavelmente o Kurt Cobain ganha por “quinjajero”. É uma geração inteira com guitarras cheias de autocolantes a ouvir o “MTV Unplugged in New York” e a passar um charro à gaja que gostam. No fim, são essas coisas que contam. Que se lixe o Satriani…

Na lista da Time, consta um nome que diz muito, Yngwie Malmsteen. Eu não o colocaria no top ten, porque foi alguém que se perdeu no tempo, a qualidade da música foi-se perdendo gradualmente e é um tipo cheio de “manias”. Mas uma coisa é certa, o primeiro álbum dele, Rising Force, continua a ser dos melhores de sempre do heavy neo-clássico. Uma mistura espectacular entre heavy-metal e o barroco, dois estilos que assentam como uma luva um no outro. Porquê? Virtuosismo. Essa é a qualidade principal que os executantes do dois estilos devem possuir. Muitos outros guitarristas fizeram o mesmo, Rhandy Roads (Ozzy Osbourne), Jason Becker, Marty Friedman (Megadeth), Kiko Loureiro (Angra), Ritchie Blackmore (Rainbow & Deep Purple), Tony Macalpine, Michael Angelo Batio.

Este guitarrista sofre de uma doença degenerativa rara que o deixou impossibilitado de tocar, ainda compõe com o auxilio de um computador. Esta é a sua virtuosíssima versão do 5º Capricho de Paganini.

Mas existe sempre uma coisa que impressiona os leigos da guitarra, o “show off”. E o maior especialista nessa matéria é o Michael Angelo. Tem uma técnica e habilidade impressionantes, toca com guitarras de dois braços ao mesmo tempo e faz assim umas trocas de mãos alucinantes e coisas do género. Mas é apenas circo, pois a música é completamente desprovida de feeling.

Eu não discordo que o Prince e o Keith Richards constem da lista, mas consigo pensar em melhores guitarristas, mas o Prince é muito bom e a maioria das pessoas desconhecem esse facto. A presença de Les Paul (falecido recentemente) também compreendo, inventou o modelo Les Paul, absolutamente famoso em todo o mundo guitarrístico, além de ser ele próprio um bom guitarrista. O Chuck Berry é considerado o criador do rock & roll. O Jonh Lennon disse que se houvesse outro nome para o rock & roll seria Chuck Berry. Aqueles riffs de guitarra são reconhecíveis de imediato e a presença em palco com os movimentos de pernas que deram origem à postura rock dos guitarristas. Fica aqui o vìdeo da sua famosíssima “Johnny B. Goode”.

E este é um dos seus famosos “moves”, o “duckwalk”, mais tarde imitado pelo Angus Young dos ACDC.

Há guitarristas que se destacam pela elegância da sua musica. Exemplos disso são o Eric Jonhson e o Steve Morse. O Eric tem dos melhores sons de guitarra que já ouvi e um técnica extremamente subtil. Um primeiro convidado dos G3, um grupo de 3 guitarristas onde 2 são o Satriani e o Vai e outro é um convidado. Uma cimeira dos 3 grandes. Fica a qui uma das suas preciosidades, “Manhattan”.

O Steve Morse é outro exemplo de elegância, mais ainda, de versatilidade. Uma çao de bom gosto e de domínio técnico de todas as técnicas de guitarra. Fica aqui um vídeo de um solo maravilhoso, feito nos Deep Purple, pois ele é o guitarrista dessa banda, em detrimento do Malmsteen, é bem melhor do que ele.

Os guitarristas de blues Peter green, Eric Clapton, Stevie Ray Vaughan, B.B. King, Albert King, Albert Collins, etc. Não consigo nomea-los todos, são muitos e muito bons. Estes influenciaram outros guitarristas de todos os estilos. No metal não há muito guitarristas, dos bons, que não tenham influências destes artistas e utilizam escalas de blues nos seus solos.

Na fusão proliferam geniais músicos. Fusão é um estilo que mistura jazz com outros estilos diferentes, rock, blues, e frequentemente música do mundo. Da parte dos guitarristas há muito bons exemplos como Pat Metheney, Al di Meola, Frank Gambale, etc. Já tive oportunidade de ver Meola ao vivo e tenho um cd autografado, é genial, mistura flamenco e latino com outras. O Gambale é um guitarrista que tem muitos livros publicados e é fenemonal na ´tecnica de sweep picking, ou seja, varrer as cordas com a palheta e fazer aperggios.

Este vídeo é de uma música do Meola, “Mediterranean Sundance”, ele toca com o Paco de Lucia e faz parte de um disco obrigatório para qualquer guitarrista. O “Friday Night in San Francisco”.

Este é o Frank Gambale, num vídeo a mostrar como se fazem arpeggios, atençaõ também ao baixista, Jeff Berlin.

Bem, eu podia continuar a falar de guitarristas, mas vou abreviar e passar a um estilo do qual sou profundo admirador, o Heavy-Metal. Aqui abundam grandes músicos. A dupla de guitarristas dos Iron Maiden é disso exemplo. O Dave Murray e o Adrian Smith definem o que é o metal. Nem vou entrar em detalhes, eles têm tudo, os om, a personalidade, a humidade e a técnica…Fica aqui uma das minhas preferidas e muito underrated, “Stranger in a Strange Land”.

Eles são tantos, que até parece mal falar deles só de passagem, já referi alguns, mas o Angus Young dos ACDC tem de merecer um reparo especial, são muitos riffs famosos e muito bom gosto. O Alex Skolnick dos Testament, um dos melhores guitarristas do thrash e a aluno do Satriani,um dos meus preferidos. O Dimebag Darrel dos Pantera, que reinventou o metal, o Criss Oliva dos Savatage, e por aí fora. Não me lembro de mais, mas são muitos. Ah, e não me posso esquecer do Brian May, apesar de não ser metal, Queen tem um guitarrista com um estilo único que tocava com uma moeda, que tinha um som que muitos tentaram imitar sem sucesso.

Vou finalizar esta extensa enumeração de guitarristas com um dos que mais me tocou, o Jonh Petrucci dos Dream Theater. Técnica e feeling desta maneira é uma coisa única. Um marco na história do metal. Nem vale a pena dizer mais nada é único. E não aparece na patética lista da Rolling Stone dos melhores 100 guitarristas do mundo, é mesmo isso, conseguíram fazer um alista sem o incluir, nem a ele nem ao Satriani…

O que me mete mais nojo nisto tudo, é o facto do Satriani ser conhecido pela história com os palermas do Coldplay. Experimentem escrever satriani no g0ogle e vejam qual é a palavra que aparece a seguir. Em relação à suposta imitação desses gajos, eu até acho que fazem coisas interessantes, não ouço, se é para ouvir pop, ouço U2 que é muitíssimo melhor. Mas o pessoal fica todo contente com aquela música “Viva la Vida” que supostamente é uma cópia da “If I Could Fly”. Se é ou não, não sei, mas uma coisa é certa, nem é do melhor de Satriani, longe disso.

ps: Faltam aqui imensos nomes (Santana…:D), eu também não me atreveria a fazer uma lista dos 100 melhores, simplesmente uma dos meus 100 preferidos, e não passam disso estas listas, sejam elas sobre guitarristas, álbuns ou bandas. E já agora, estou aberto a críticas, com sempre.😀

Actualização

Bem, lembrei-me agora de alguns nomes que não de forma alguma ser esquecidos, Santana, Eddie Van Halen e Nuno Bettencourt.

Já agora algumas uma curiosidades em relação a este video. O pormenor do Santana a desviar a guitarra quando pressente o feedback do amplificador (1:17) dá um ar caótico ao concerto. Genial, quando vejo este concerto e outros em woodstock, dá-me a impressão que foi simplesmente um grupo de pessoas que se juntou para tocar música “Hey, queres vir tocar uns acordes? Não tenho grande equipamento, mas vai estar lá um pessoal fixe e tal, Hendrix, Santana, The Who, Janis Joplin, Joe Cocker.” O baterista que toca com o Santana, Mickaël Shrieve, foi o músico mais novo que tocou nesse festival, e destacou-se pelo solo que faz nesta música. Obrigado Sal, por este vídeo😀

Como é que me esqueci do Van Halen?! Acho que poucos guitarristas popularizaram uma técnica como o Van Halen com o tapping. É uma técnica onde se utiliza a mão que segura a palheta para “martelar” directamente na corda na casa pretendida. Dá um efeito espectacular, e é a foram mais fácil de fazer coisas rápidas. Mas não é só por isso que ele se destaca, tem um sentido rítmico excelente, e os acompanhamentos dele são de um bom gosto tremendo. E sempre cheio de pinch harmonics lá pelo meio, assim grosseiramente, são os “gritos” que se ouvem a sair da guitarra. Algo que é usado e abusado no heavy-metal, Zack Wilde, Glen Tipton (Judas Priest), são bons exemplos.

Também me olvidé de falar dos guitarristas portugueses. E começo já pelo açoriano Nuno Bettencourt, imigrou para os EUA e foi considerado o herdeiro do Van Halen em termos estilísticos. Aquilo que falei do Van Halen em termos técnicos aplica-se ao Nuno, mas o português envereda um pouco mais pelo funk. Eu só não percebo é porque é que este tipo é tão pouco conhecido em Portugal, guitarrista dos Extreme, os autores da famosíssima “More Than Words”. Fica aqui um grande solo, lindo mesmo, pleno de técnica e sentimento, e eu não me canso de frisar o quanto estas duas características são importantes para um guitarrista.

Mas há outros, o Gonçalo Pereira, cheio de técnica e com um estilo muito próprio, também desconhecido em Portugal. Mas posso dar mais exemplos, Pedro Jóia; Joel Xavier, Paulo Barros. Todos eles muito bons. Este último é o guitarrista dos Tarântula, uma banda de Heavy-Metal portuguesa.