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vinha

O Outono começa oficialmente daqui a 3 dias, mas esta melancólica tarde de Domingo assinala a data. Pode parecer um cliché associar o Outono à melancolia, mas estou desanimado, daquela maneira que só esta estação me faz sentir. Lá fora o céu está cinzento, com algumas abertas onde a luz insiste teimosamente em entrar, como se o Verão ainda estive a lutar para não terminar, mas é tarde demais. O cinzento apoderou-se. A chuva não pára e frio já começa a mostrar as suas garras, aquelas me arranharão a cara nas gélidas manhãs de Novembro.

Por outro lado, porque na vida há sempre um outro lado, sinto um certo conforto, é difícil explicar o que é. O castanho da Natureza morta, o amarelo-torrado das folhas, o calor brando do sol, acho que a palavra certa é ameno. Sim, é isso, ameno. É esse o meu espírito. Dá-me para ler nestas alturas, de aprender coisas novas.

O Outono é pleno de romantismo, não no sentido lamechas da palavra, mas porque é uma altura em que penso mais naquilo que sinto, intelectualizo mais as sensações que tenho, em vez de apenas as sentir tal como no verão. Há uma beleza subtil no que me rodeia, sem exuberância, mas sempre bela, pois a Natureza nunca perde a beleza. Apenas vai mudando. Anoitece mais cedo. As pessoas parecem-me mais sonolentas.

De modos que é assim, odeio Domingos à tarde. Pior do que isso, são os Domingos à noite depois do jantar. Há qualquer coisa que me desanima. É não acho que seja a perspectiva de uma semana inteira pela frente. Estas horas deprimentes acentuam a melancolia do inevitável Outono.

O que mais me inquieta nesta estação, é que eu sou a personificação da mesma. O outono sou eu, uma luta constante entre a luz e a sombra, com a inevitável derrota da luz, sempre consciente que me levará ao inverno, e em mim, tal como na natureza é a estação mais longa.