Tags

, , , , , , , , , , , ,

“Falta um bocadinho assim para Portugal parecer um país da América do Sul!”

Eu não costumo falar muito de política neste blog, não é que não tenha havido razões mais do que suficientes para isso e esta situação é mais um capitulo na desconstrução da sociedade portuguesa. A razão porque o faço é apenas porque eu sou um idealista no que respeita à política. Não sou ingénuo em pensar que toda a gente que lá está, governo e oposição, pensa assim, mas estou em crer que há pessoas com qualidade. Não sou cínico e demagogo ao afirmar que todos que lá estão, só o fazem em beneficio próprio. Se o fazem é grave e profundamente condenável.o maior problema de Portugal não é a corrupção na politica, é a corrupção dos ideais dos portugueses, que admiram a chico-espertice, e chegar a politico e desviar dinheiro dos contribuintes para construir uma piscina é a expressão máxima dessa esperteza rasteira. Frases como “roubou, mas ao menos fez alguma coisa” para mim dizem tudo. Estaremos condenados a este buraco negro de ideais que parece ser a nossa politica? A excelência naquilo que fazemos não deverá ser o nosso objectivo?

Em relação a esta situação com o Presidente da República (PR) Cavaco de Silva e as escutas supostamente a mando do PS, recentemente eleito para mias um mandato, tudo isto dá-me a sensação que as pessoas não estão interessadas em resolver os problemas sérios que o pais atravessa. Mas sérios mesmo! Já nem falo do endividamento externo de 100%, ou seja, o país não tem capacidade para pagar os seus compromissos. Eu falo desta personalidade colectiva portuguesa, invejosa e intriguista, sempre a acotovelarem-se uns ao outros para chegar primeiro. Temos o mesmo comportamento como cidadãos como temos na estrada, sem respeito pelos outros, a buzinar e arrotar palavrões, sem outro objectivo que não ultrapassar aquele que está à frente. E os politico não fogem à regra, são como o resto das pessoas, nem mais nem menos. Como censurá-los? Se são assim tão maus, porquê o nível de abstenção que houve nas ultimas eleições? Não querem saber?

Será preciso um desenho para perceber que só com um objectivo comum é que Portugal terá um futuro próspero? Vamos estar sempre com este espírito fraccionista que nos divide? Somo nós que nos derrotamos, mais ninguém. Cada situação destas, que cada vez com mais frequência e menos vergonha e decência acontecem, é um salto para trás na edificação de um espírito de cidadania nacional.

Eu tenho o PR como uma pessoa séria. Não percebo o que se passa. Porquê fomentar um clima de suspeita que ensombra o país desde sempre? Basta ler o autores portugueses do século XIX como Ramalho Ortigão nas “Farpas”, isto não é novo e tem tendência a ficar assim. Porque é que os políticos não são mais claros naquilo que dizem? Estas intrigas são patéticas. Este tipo de coisas devia ser resolvido em 2 segundos. Se a este nível as cosas são assim, como é que a sociedade que é governada por esta gente vai funcionar?

Dá-me a sensação que estamos sempre à espera de um Dom Sebastião qualquer, que apareça entre as brumas e resolva tudo com uma varinha de condão. E ela apareceu. Chamava-se Europa. A CEE. Aproveitamos para melhora? Em algumas coisas, mas na mentalidade continuamos os mesmos. Eu não tenho grandes esperanças em Portugal, seja lá qual for o governo, podemos ter as pessoas mais competentes do mundo, absolutamente isentos e pessoas de bem a governar. Não funcionaria na mesma. Porquê? Porque não tem matéria prima com que trabalhar. Os portugueses são assim. Não vêem objectivos, apenas cores partidárias ou clubes. As suas tribos, só essas tem razão e podem vencer. Não há consensos, só vitórias vazias de objectivo e razão.

O cronista do DN Vasco Graça Moura disse: “Só o mais profundo analfabetismo político, de braço dado com a mais torpe cobardia, explica esta vitória do Partido Socialista”. Esta frase representa esse clubismo que é a nossa política. Depois da campanha do PSD fez, era assim tão cabal que se votasse neles? A oposição sem ideias do partido mais importante da direita (acho que são de direita…) foi deprimente. Era mais do mesmo. Não me estou a congratular com a vitória do PS, acho que os nossos problemas são de fundo e necessitam de outra seriedade. Meteu nojo esta campanha, mostrou aquilo que Portugal pode ter de pior. A solução para os nossos problemas terá de passar por uma consciencialização colectiva de que temos de estar juntos por um objectivo. Eu vejo este governo de minoria, como uma boa oportunidade para que os políticos mostrem o entendimento, que será necessário para que Portugal evolua onde é mesmo preciso, na mentalidade.

Este terá mesmo de ser um governo de consensos, mas ainda o primeiro-ministro não foi indigitado e já o PR lança suspeitas e oferece numa bandeja aos demagogos e cínicos, as balas que vão ser disparadas direitinhas ao coração da democracia que custou tanto a conquistar. E foi conquistada pelos mesmos que agora a ferem.