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Eu não percebo quando homens iluminados, inteligentes e capazes de uma análise profunda e certeira, quando começam a falar de religião, fazem-no sempre de uma forma superficial, demasiado apaixonada para ser isenta e até racional por vezes. Respeito o escritor José Saramago, mas as suas ideias sobre religião e a união entre Portugal e Espanha soam-me completamente fundamentalistas. Eu não afirmo que ser-se ateu é ser-se fundamentalista, nem o contrário, e nem quero estar aqui a discutir isso nem religião, isso é outro campeonato.

Depois de lêr alguns artigos com as recentes entrevistas ao escritor prémio Nobel, de lêr o seu blog acho incompreensível a superficialidade com que trata as convicções das pessoas. Reduz a ignorantes todos os crentes em qualquer religião, embarcando naquela ideia dos ateus iluminados. Uma arrogância tão dogmática como as próprias religiões. É um ateísmo tão dogmático como as convicções políticas do escritor. Admiro a simplicidade e “pontaria” com que trata os assuntos que aborda, mas ainda não o conseguiu fazer neste tema. Deveria escrever um “Ensaio sobre a sua própria cegueira”.

Não sei de onde vem este “veneno”, vindo de um homem capaz de fazer análises tão profundas do ser humano, mas esbarra sempre na religião. É pena, pois é alguém capaz de dar um contributo importante na reflexão sobre convicções religiosas das pessoas, algo bem mais profundo do que a corrente ateísta afirma.

Não me sinto ofendido pelas criticas, eu também não me considero católico, partilho de muitos dos ideais, apenas acho que uma pessoa que já revelou algo mais em relação aos outros, deveria ser menos cega nestas coisas. O pior é que acho que até nem é sem querer…

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