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Depois da lei que proibia a compra de animais exóticos, surgiram as mais diferentes reacções.

O cronista e escritor Miguel Sousa Tavares, a mais recente estrela da caça, que é uma pessoa que admiro pela sua clareza de análise e inteligência, excepto quando fala de futebol, não deixado de ser claro e até certeiro derrama um certo ódio por um determinado clube e isso fica-lhe mal. Desta vez pronunciou-se sobre esta última lei referente aos animais no circo,  depois da típica desconfiança que  injustificadamente se costuma ter das associações de defesa do ambiente e animais,  concluiu com o injustificável e tão previsível argumento em favor da utilização dos animais no circo, “faz sonhar as criancinhas”. Sabem que mais é que faz sonhar as criancinhas? Uma chuva de gomas e rebuçados, comer no Mcdonald’s todos os dias, ou então e aproveita-se a deixa, um TGV de chocolate…Não é por não ver animais no circo que as crianças não vão ter sensibilidade em relação à Natureza. Não é isso que os torna ignorantes em relação à proveniência da comida que têm no prato, um animal teve de ser morto para que possa comer um bife ao jantar. É uma questão de educação, dada pelos pais e pelas escolas. Educação sem hipocrisia, pois muitos dos defensores de direitos dos animais também os comem. Apesar de não ser visível para muitas mentes iluminadas que cospem “bocas” por essa internet e jornais fora, acusando os activistas de hipocrisia e exigindo deles aquilo que eles não estão dispostos a dar, entre comer carne de um animal e divertir-se à custa dele, sendo que este sofre, são duas coisas completamente diferentes, do ponto de vista ético. aquilo que os activistas pretendem, mais do que defender os próprios animais é lutar por uma sociedade com valores e princípios morais. É isto difícil de compreender? Eu sei que há um longo caminho a percorrer, é fácil cair-se na hipocrisia e demagogia quando se defendem estas causas, mas é um imperativo moral. Isto não é nada pessoal contra o referido escritor, mas o que ele disse representa uma certa corrente de pensamento tradicionalista no que respeita a esta questão.

Eu acho extraordinária esta indignação, este querer continuar no marasmo ético, prolongar o “mediavalismo” de certos costumes. Depois de saber o tipo de tratamento que os animais têm, continua-se a defender a mesma coisa em nome do entretenimento dos seres supostamente racionais. Para não falar da tradição. Foda-se! Não brinquem comigo! Acho que nem é preciso dizer nada, pelo menos não deveria. Como é que se pode defender algo, apenas porque se faz há muito tempo?! Mas está mal! Então muda-se!

O mesmo se aplica à tourada, um dos argumentos dos críticos a esta lei, é o facto de não ser aplicada em touradas, onde o animal sofre bem mais. E depois aparece outro tipo de ideia peregrina que é “não é possível quantificar o sofrimento dos animais”, esta sub-espécie de argumento é usado com frequência. Estão a querer dizer que um elefante não sente as pauladas que leva na cabeça? Que os animais gostam de viver enjaulados? Que não são afectados psicologicamente? Isto está mais que provado.

Cambada de palhaços, é o que tenho a dizer. Por isso é que gostam tanto de circo.

Artigo do MST.

Cartoon criado por Rodrigo de Matos, e extraído do jornal Espresso.