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E lá vamos nós outra vez.  Como se fosse um ritual, algo que devia ter um  significado especial, é quase uma prisão social, o manter as aparências. Oferecer prendas ás pessoas apenas porque é dia 25 de Dezembro… Parece mal não se fazerem compras de natal, não dar prendas aos amigos ou familiares. Eu faço parte dessa engrenagem. Porquê? Porque é confortável. Está tudo congeminado para isso. Os centros comerciais vestem-se de gala para receber os seus ilustres convidados, que em pleno tempo de crise (ainda não percebi bem o que se passou de novo) vão rebentar com as economias que têm, aumentar as suas dívidas, dar mais uma demonstração cabal de consumismo desenfreado.

Esta seria um altura ideal para apelar ao bom-senso das pessoas, em vez de termos publicidades patéticas com o Pai Natal em cantorias parvas, havia campanhas de sensibilização para que as pessoas não gastem tanto dinheiro e o poupem para pagar as suas dívidas presentes e futuras. Claro que isto é uma verdadeira utopia, os capitalistas que ficariam atemorizados  com o facto de poderem ficar  10 milhões de euros mais pobres , os entendidos em economia  que só não possuem a capacidade  de prever crises, coisa que devia ser chamada de incompetência, todo esse pessoal argumentaria que esse consumo é que faz mover a economia, as empresas que dão postos de trabalho dependem disso. Depois do Natal, lá para meio de Janeiro lá vamos nós fazer as contas e ficar escandalizados com a capacidade das pessoas para gastar dinheiro numa altura em que aparentemente ele não existe, com aquela família que ainda está a pagar o carro e a casa, mas pediu mais um empréstimo para passar umas férias na neve, nos Alpes.

Isto soa a demagogia? É um facto, mas a mim custa-me muito ver esta situação e a impossibilidade de sair dela. para mim passa pela educação das pessoas. Eu quando era criança não fazia listas de prendas para o Natal, não que pertença a uma família pobre, mas tão-pouco é abastada, eu achava que era inútil porque não havia dinheiro para aquilo que eu mais gostava, e não eram extravagâncias. Eram apenas Legos um pouco mais caros. Eu tive a sorte de ter essa educação, sempre soube gerir o meu dinheiro e não entro nesses desvarios natalícios ou noutra altura qualquer.

No entanto anteriormente disse que também não era excepção nas compras de Natal. É mais confortável, é mais barato, está tudo à mão de semear, até tem as pessoas prontas para fazer os embrulhos. Eu não consigo afirmar que sou contra isto,  apenas sou contra a robotização das pessoas. O natal tornou-se num ritual deprimente, todas as figuras do Pai Natal fazem-me lembrar a Coca-Cola ou qualquer outra mega-empresa, uma figura simpática que esconde alguns dos grandes males da humanidade, ambição desmedida, desprezo pela individualidade, apelo ao consumo em massa, etc. Eu sei. Treta comunista (não que eu seja um, longe disso), a cassete do costume.   Eu não quero suprimir o Natal e deixá-lo ser apenas uma celebração cristã, mesmo que até a data do nascimento do JC seja duvidosa, isto segundo aquelas teorias mirabolantes que vão aparecendo por aí, mas esta versão capitalista deixa-me sempre deprimido.

Eu estou aqui a barafustar à toa. Não vale a pena espernear, é uma inevitabilidade. Eu gosto do Natal, 99% desse gosto é pelas recordações que tenho de criança e o quanto o Natal era mágico, para ser sincero tudo era mágico nessa altura. Eu não tinha a noção daquilo que estava por detrás da máquina. Agora tenho. E é triste.

Cartoon do Rodrigo em “Humoral da História“, no jornal Expresso.