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Hoje assisti a uma palestra sobre escrita científica em inglês. Deixou-me deprimido. Lendo a minha tese, que já devia estar acabada, vejo um reportório digno do “Hit Parade of Errors in Grammar”. OK, estou a exagerar um bocado, erros de gramática já os eliminei quase todos. Tratam-se de erros de estilo, no que respeita à escrita académica. Claro que eu sei bem que escrever uma tese não é como escrever um post neste blog, que parecem fragmentos de uma qualquer conversa de café sem qualquer estrutura ou contribuição que não o esvaziamento da inundação intelectual do seu autor.

Eu tenho de admitir que uma das razões que me leva a escrever no blog é treinar a minha escrita. Sem o objectivo de imitar qualquer tipo de estilo,  apenas a capacidade de exprimir por palavras aquilo que exactamente sinto e penso. E não é fácil.  Por isso, cada vez leio mais e admiro os verdadeiros escritores, aqueles dignos de assim serem chamados.  Por poucas vezes eu consegui olhar para o que escrevi,  e  senti naquele exacto momento de leitura, aquilo que sentia no momento da escrita e procurava transmitir.

O que acabei de fazer, divagar, é o que mais gosto no que respeita à escrita. Algo não posso fazer durante o processo de escrita académico. Tudo tem de ser planeado, pensado, lido e relido. É como dizer a uma criança, ” o teu trabalho a partir de agora, vai ser brincar uma hora por dia, terás de o fazer sempre a esta hora e com estes brinquedos”. Aquilo que divertia passa a ser uma obrigação. Escrever para mim é  brincar, e seguindo a analogia, sou como um puto na fase da destruição, avaliando pela qualidade do meu texto. Escrever uma tese, está longe de ser uma brincadeira, embora tivesse momentos agradáveis, a formalidade que implica aborrece-me profundamente.

Voltando ao início, a palestra a que assisti motivou-me a fazer algumas alterações na minha tese. Eu já tinha tido em linha de conta que se deve evitar o uso de contracções, usar a voz passiva, estilo impessoal, usar determinados tempos verbais em certas situações, etc. However, não sendo o inglês a minha língua materna (longe disso…), faço parte daquele grupo de pessoas que utiliza o inglês com ferramenta de trabalho e o resultado da minha escrita é duvidoso aos olhos de um inglês, por exemplo. Esta massificação do inglês faz com esta língua se transforme noutra coisa qualquer falada e escrita por latinos, asiáticos, africanos, etc…Eu escrevo inglês como se fosse em português, nunca consegui fazê-lo com naturalidade, não soa a inglês, parece uma espécie de puzzle com as peças encaixadas à força nos lugares errados, no entanto, compreende-se a imagem formada.

A propósito da qualidade da escrita, nesse seminário a que assisti, o orador referiu um estudo que conclui que há uma percentagem significativa (não me lembro quanto) de professores que falam de sexo com mais abertura, do que admitem problemas na sua escrita.  Eu não partilho dessa hiper-sensibilidade, por isso podem-me bater à vontade😀