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Tal como acontece sempre nas pessoas, as bandas com a idade vão perdendo o lirismo, tornando-se mais pragmáticas. Talvez até cínicas. Foi o que aconteceu com os Dream Theater. No inicio a sua música era feita de belas melodias intercaladas com heavy-metal, e frases oriundas de vários estilos musicais. Foi nesta altura que eles criaram a sua identidade, e afirmaram-se como uma banda única do universo do prog. Actualmente, a música deles é mais “pesada”, os riffs são mais crus e perderam um pouco daquela poesia inicial.

Uma das grandes diferenças, e uma das principais razões na mudança de estilo, a meu ver, está no teclista. Inicialmente era o Kevin Moore que estava nas teclas. Agora é o Jordan Rudess. Este é um músico fantástico, muito melhor que o primeiro teclista em termos técnicos. Trouxe possibilidades completamente diferentes à banda, no entanto, perdeu uma certa particularidade do som,  no respeita a teclados. A utilização de determinados sons nas teclas e coisas simples que o Moore fazia, dava um certo charme à música, romantismo até.

A “Wait for Sleep” e a “Surrounded” são bom exemplo disso. Estas são versões ao vivo em Tokyo, na tour de 93.

Em 1992, lançaram o fabuloso “Images and Words”, que para mim é um álbum perfeito. Ouço todas as músicas com quase o mesmo entusiasmo. O som é aquele que eu gostaria de ter numa banda. Principalmente a guitarra. Inicialmente era para ser um álbum duplo, em que a segunda parte era uma música intitulada de “Change of Seasons”. Por questões de conflito com a editora, acabou por não ser. Acabou por não ser mau, porque foi lançado mais tarde um álbum com o mesmo nome, que inclui covers de Elton Jonh, Led Zepplin e Deep Purple.

Esta música tem a particularidade de ter uma duração de 23 minutos. Para quem está habituado a ver a MTV, deve pensar que será repetir o refrão 47 vezes, mas não é o caso. Tem imenso instrumental, do melhor que eles fizeram até agora, sem perder a coerência, não se trata de uma espécie de “raposódia”, a música faz todo o sentido, sem se repetir, mantém sempre o mesmo feeling.

Fica então, a primeira versão da “Change of Seasons”, com o Kevin Moore nas teclas. Quem conhece a versão de 95, com o Derek Shrionian nas teclas, vai notar as diferenças. A letra também muda um pouco, bem como a introdução e algumas partes lá para o meio, ok, tá completamente diferente, só sobra mesmo o esqueleto da música.😛

As instrumentais sempore foram uma constante nos Dream Theater. A “Ytse Jam” é um bom exemplo disso. São músicas onde todos podem solar e mostra a sua técnica em todo o seu esplendor. Reparem no vídeo em baixo, aos 3:55, o solo de baixo do Jonh Myung. Blow your mind! Um baixista extraordinário, muito humilde, passava despercebido no palco, se não fosse brilhante a tocar. Também ele mudou, no início da banda as linhas de baixo eram bem mais alucinantes. Uma curiosidade, “Ytse Jam” é “Majesty” escrito ao contrário, o nome antigo da banda.

A cover  acima é do primeiro álbum, “When Dream and Day Unite”. Quando eles o gravaram em 89, ainda eram muito novos, na casa dos 20 anos, e é impressionante a qualidade que já demonstravam na altura. Apesar de o som não ser bom, é um álbum de que gosto bastante. A seguir ficam algumas músicas desse tempo,embora a primeira não faça parte do álbum, é uma instrumental com uma melodia lindíssima, a “Eve”.

Podia continuar por aqui fora, com a “Metropolis”, “Take The Time”,”Another Day”, “Under a Glass Moon”, etc. São muitos os exemplos de uma era dourada de uma banda genial em todos os domínios. E como eu não gosto muito da expressão  “dantes é que era bom”, tinham um som que eu adorava, mas tornaram-se muito melhores músicos e melhores compositores.

No entanto, falta falar do vocalista James Labrie. Os Dream Theater são criticados por causa do vocalista. Alguns dizem que não se adequa à banda. Sinceramente, não compreendo. É o vocalista ideal para eles. Teve uns problemas nas cordas vocais, perdeu um certa capacidade de chegar a notas altas, eu notei isso quando os vi ao vivo no Coliseu, mas ainda chega onde muitos nem sonham. E a idade também não perdoa. Nos vídeos que mostro fica evidente a sua capacidade.

A “Surrounded” tocada pelo Jordan Rudess, no “Chaos In Motion” tour. Dá para ver as diferenças que enunciei, comparando com a versão antiga. Os arranjos iniciais mostram toda a classe desta banda. Em relação aos solos de guitarra do John Petrucci, nem é preciso dizer nada…😀

Já agora, como estamos no Natal…