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“Mr. Crowley” é o título de uma música do Ozzy Osbourne, que fala de um homem que representa a mais pura encarnação do mal, um homem que viajou ás profundezas da obscenidade, levou a compulsão carnal ao extremo, que fala de um homem odiado pela Igreja, auto proclamado como “The Beast 666” uma grande inspiração para letras no “Heavy-Metal”😀 Esta música é um dos hinos do Heavy-Metal, o guitarrista é a lenda Randy Rhoads.

O fascinante nisto tudo, é que ele foi real. Não há muitos filmes terror com personagens tão maléficas como Aleister Crowley. É conhecido como “The Wickedest Man In the World”. À medida que vou pesquisando sobre ele, vou-me apercebendo da sua dimensão como alguém que levou a vida ao extremo, uma personagem fascinante.

O documentário “The Occult History of Rock and Roll”, esta parte fala da influência que Crowley teve no metal, e foi grande. Aos 3:55 minutos aparece no documentário uma das melhores bandas de Gothic-Metal de sempre, os Moonspell. Eles têm letras excelentes, e nos seus primórdios eram bastante “negras”, uma delas é a “Tenabrarum Oratorium”. Várias outras bandas foram influenciadas, Iron Maiden, Therion, Rolling Stones,etc. E curiosamente os Beatles. O Jonh Lennon considerava-o como um ídolo. O guitarrista dos Led Zepllin, Jimmy Page é um coleccionador de objectos desta personagem.

Aleister Crowley nasceu em 1875 na Inglaterra, com o nome de Edward Alexander Crowley. Na sua infância recebeu uma educação Cristã muito rígida, os pais faziam parte de uma seita chamada de “Exclusive Brethren“. O pai era um pregador nesta seita. Esta seita caracteriza-se pelo controlo das vidas dos seus membros, que empregos devem ter, com quem casar, etc. Reprimiam o prazer. Isto fez crescer nele enquanto criança, uma enorme repulsa pelos dogmas da Igreja. Aos seus 11 anos o pai morreu. Ele tornou-se numa criança revoltada com a sua família e a sociedade.

Na adolescência, mais do que uma obsessão sexual, começou a desenvolver uma uma obsessão pelo pecado, de uma forma pornográfica. Um exemplo, é o poema “When Celia farts”:

“When Celia comes, ’tis earthquake hour
The bed vibrates like kettledrums
It is a grand display of power when Celia comes

When Celia farts, my hasty nose
Sniffs up the fragrance from her parts
Shamed are the violets and rose when Celia farts”

Frequentava uma escola particular em Cambridge, a qual teve de abandonar por ter sido contagiado com gonorreia, depois de se envolver com uma prostituta. Não se interessava apenas por mulheres, era bissexual. A vida dele era dedicada ao sexo e à magia.

Experimentou muitos tipos de drogas. Muito do que ele fez foi sob influência destas substâncias. Foi um aluno destacado, alpinista, casou. Foi para o Egipto onde passou por experiências onde, segundo ele foram revelações que o orientarem. Teve uma filha que morreu de febre tifóide. Abandonou a mulher, culpando-a da morte da filha.

Teve experiências extremas, como ir para o deserto do Sahara com o seu discípulo/amante, praticar rituais.

Viveu numa casa (Abbey of Thelema), na Sicília, com outras pessoas, discípulos, amantes, etc. Faziam tudo por ele. Rodeados por drogas, executavam rituais de magia e sexo. A casa ainda existe, e pode ser vista no documentário acima, “Masters of Darkness” na quarta parte.

Testava os seus discípulos até ao limite, para ver até que ponto lhe eram fieis. Obrigou a sua mulher Leha, a ter sexo com um bode. Um dos seus discípulos morreu, depois de beber sangue de gato.

Estes rituais macabros foram descobertos, e Mussolini deportou-o do país. Os seus seguidores ficaram loucos e suicidaram-se. A sua mulher tornou-se prostituta.

A própria voz dele é algo macabra. A maneira como fala é teatral. Em 1920 gravou “The Call Of The First Aethyr”, entre outras coisas como uma Missa Gnóstica, onde recita versos:

Teve mais um filho. No final da sua vida, começou a questionar a sua vida. Sentia-se culpado. Viciado em heroína. Morreu em 1947 com 72 anos, , vítima de bronquite crónica e complicações cardíacas. O seu médico morreu 24 horas depois. A imprensa da altura disse que este se tinha recusado em continuar a prescrever ópio a Crowley, e este o tinha amaldiçoado. Devem ser histórias. Há alguma controvérsia em relação ás suas últimas palavras. A enfermeira que o tratava disse que tinham siso “Sometimes I hate myself”. No entanto a sua esposa, na altura, disse que as últimas palavras de Aleister Crowley foram “I am perplexed”.

Um interessante episódio da sua vida, foi o encontro com o poeta Fernando Pessoa. Esse mesmo. Este ilustre poeta, do qual sou grande admirador, era astrólogo, e admirador das ciências esotéricas. O Pessoa “oculto” usava o heterónimo de Raphael Baldaya. O estranho encontro com Crowley está descrito neste site, que fala nas Poesias Ocultistas de Pessoa. Ele traduziu o poema de Crowley “Hino a Pã”. Fica aqui um extracto (versão completa):

“Vibra do cio subtil da luz,
Meu homem e afã
Vem turbulento da noite a flux
De Pã! Iô Pã!
Iô Pã! Iô Pã! Do mar de além
Vem da Sicília e da Arcádia vem!
Vem como Baco, com fauno e fera
E ninfa e sátiro à tua beira,
Num asno lácteo, do mar sem fim,
A mim, a mim!” (…)

O que é que o Homem faria, se soubesse que os seus actos não iriam trazer qualquer represália? Iria-se entregar às mais obscenas práticas sexuais? Inundar-se de drogas? Estimular os sentidos até ao limite da saciabilidade? Este é o fascínio da personagem Crowley, a sua incansável procura de prazer, apetite pela vida e vigor.

“Do what thou wilt”

Mais informação e referências estão abaixo listadas. Quem se tiver interessado pelo assunto (ou tiver curiosidade mórbida suficiente) deve ler mais, pois eu apenas referenciei alguns acontecimentos. A vida deste homem é cheia. Muito ficou por contar.

The Confessions of Aleister Crowley : An Autohagiography“, by Aleister Crowley.

“A Magick Life A Biography Of Aleister Crowley”. (link)

“Aleister Crowley, O Mago Das Mil Faces”, por Carlos Raposo. (link)

“A ‘Besta 666’ em Lisboa”, por João Alves das Neves. (link)