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Atenção, o texto a seguir não é spoiler-free.

Eu escrevi parte desta crítica, antes de ver o filme. E mantenho-a. Também escrevi a última frase antes de ver o filme.Porquê? Porque sou facilmente influenciável pelas opiniões de outrem, e vou com uma “ideia feita” para a sala de cinema? Leio e ouço as opiniões dos críticos de cinema, mas mantenho sempre as minhas, até de uma forma arrogante, por vezes.

Tirando os efeitos especiais, não sobra muito deste filme. É mais uma mensagem de paz e amor ao estilo discurso de vencedora da Miss Universo. Trata de aspectos muito importantes de uma forma passageira e superficial. Eu fico sempre com uma sensação de incompletude em relação a um filme, sempre que isto acontece.  Certamente o objectivo do realizador era esse. Fazer passar uma mensagem de uma forma simples, sem entrar em devaneios existenciais ou políticos. No entanto, saí da sala com a sensação de que se tivesse menos 15 anos ia adorar o filme, neste momento acho que é engraçado, nada mais. Não desafia o espectador a pensar, a não ser que tenha menos de 15 anos e ainda não tenha reflectido muito na questão ecológica, nesse caso pode ser um bom ponto de partida. E claro está, tens a personagens cliché todas, desde o marine ao sargento durão, passando pela tipa  sensível que se apaixona pelo marine.

Não é um filme qualquer. Era extremamente injusto dizer que eram apenas efeitos especiais e uma qualquer gaja que aparecesse durante o filme tipo “Transformers” ou “Fantastic Four”. Tem muito mais do que isso. Apesar da história ser simples, é apresentada de uma forma muito bela. Simples, mas precisa. Aliás, em termos estéticos tudo me parece perfeito em Avatar. O James Cameron elevou o uso de CGI em cinema para outro nível, tal como tinha feito no Terminator 2. O uso de Motion Capture teve resultados sensacionais na animação das personagens. Particularmente na expressão facil das personagens, que era em tudo semelhante à dos actores que as encarnavam.

Este filme fez-me lembrar um dos melhores e mais underrated jogos de sempre, o Outcast. Em tudo, embora o Outcast tivesse uma banda sonora melhor, as cores e os cenários, um marine que vai para um mundo estranho, e depois se identifica com os nativos.

E depois há sempre um pato bravo que vem dizer que o filme, pelo facto de ter uma mensagem de paz ambiental, é propaganda de esquerda. O que seria mau para a direita delegar tudo o que tenha a ver com paz ambiental para a esquerda, não abonava muito a favor deles. Mas isto é outro assunto. Há claramente uma distinção clara entre os “bonzinhos” e os “muito maus”, mas há muito tempo que Hollywood padece deste manicaismo.

Os óculos 3D também deixavam um pouco a desejar.  Porque é que um gajo tem sempre de comprar um par novo em cada filme? É uma grande roubalheira, além do facto de que estes não eram descartáveis. Em tempos de gripe A e afins, há que zelar pela higiene. Já lá vai o tempo de uns óculos com uma lente vermelha e outra azul, agora a tecnologia é diferente. Provavelmente não são sempre do mesmo tipo. Mesmo assim, a experiência 3D ficou muito aquém da qualidade dos outros efeitos. Futuramente acredito que irá ser excelente, mas de momento até causa algumas tonturas no inicio, e a imagem por vezes parecia desfocada. Quando pus os meus, reparei que não perdiam muito tempo a limpá-los. As “mãozadas” de pipocas eram a evidência.

Em jeito de conclusão, vale a pena ver o filme. É um blockbuster que vale a pena.

Fica aqui um vídeo engraçado com alguns dos efeitos especiais que marcaram a história do cinema, desde o início.