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Salvaguardando mais uma vez, que a primeira década do século XXI só termina no final deste ano😀 (não irritam um bocado, estes gajos que têm a mania que sabem sempre mais qualquer coisa que os outros? “ai a década só acaba no final de 2010” “ai eu tiro sempre o cinto antes de chegar ao destino (de carro)”,  a tipa que sempre que diz qualquer coisa fala do namorado “ai o meu namorado isto e aquilo”,etc etc. Não consigo lembrar-me de mais nada, mas há imensas coisas que me irritam nas outras pessoas. E para ser honesto, certamente eu causa semelhante efeito nos outros. Então esta década, que vai do inicio do ano 2000 ao final do ano 2009, ficou marcada pelo aparecimento de um nova corrente artística na música? Só se forem as correntes que o 50 Cent usa ao pescoço.

Os estilos musicais mais marcantes, surgiram de tumultos sociais,uma forma talvez seja por isso que Portugal é bastante inócuo musicalmente. Temos bons músicos, não dúvida disso, mas escasseia a boa música. Não temos uma motivação, algo forte que nos leve a superar-nos, porque para fazer nós temos tendência a relativizar, dizendo que as coisas hoje são como dantes, mas em contextos diferentes. Custa-me a perceber quais são as razões que levam a nossa música a falhar. Não é que não houvessem acontecimentos sociais mais do que suficientes esta época, mas as evoluções tecnológicas foram mais importantes. Até houve uns tipos que andaram a jogar Flight Simulator em Nova Iorque, com a fetichista promessa das 70 virgens.

Como já li por aí, o iPod é o grande acontecimento musical da década, eu estendia este conceito, à massificação das bibliotecas musicais dos consumidores. Agora não se compra o best-of de uma banda para se a conhecer (como eu fiz muitas vezes), agora saca-se da net toda a discografia e vai-se ao youtube para ver qual é a música dessa banda que tem mais visualizações. E como acontece invariavelmente com quase todas as massificações, isto levou a um enorme decréscimo na qualidade do público. Exactamente isso. O público não sabe ouvir. As editoras limitam-se a darem-lhes o que eles querem. Limitam-se a corresponder ás exigências do mercado. Uma geração estupidificada ao som do reggaeton que ouvem no telemóvel. Não estou a culpar ninguém em particular, são de difícil compreensão e averiguação as razões que levam ás circunstâncias de cada época. Uma coisa posso afirmar com segurança, esta massificação não ajuda nada a maturar musicalmente as pessoas.

Esta década foi marcada pela revolução de conceitos, napster, programas de televisão para lançar estrelas fugazes ou não tipo Ídolos, na América a Kelly Klarkson. Coisas como o Spotify são uma boa solução. Infelizmente ainda não podemos usufruir em Portugal desse serviço. O Myspace e a oportunidade das bandas darem-se a conhecer. Isto não é pouco. O facto de se poder aceder a música com esta facilidade, postar vídeos no youtube a tocar qualquer coisa, e o facto de milhões de pessoas poderem ver, muda muita coisa. É um veículo de promoção muito importante, que não pode ser negligenciado.

Tenho lido alguns blogs sobre este assunto, e muita gente toca num ponto interessante, o da mistura de estilos. O aspecto mais positivo da globalização, para mim o conceito mais importante desta década, seria injusto dizer que foi uma década onde não surgiu nada, muito pelo contrário, surgiu tudo de uma vez. De repente começamos a conhecer gente de todo o lado, Os meus votos para a próxima década, são chegar a 2020 e ter a “casa arrumada”.

Apesar dos defeitos que falei, encaro este fenómeno como muito positivo. Estendendo o conceito a tudo, o acesso massificado a informação foi o grande fenómeno da década, e que importante ele é. Penso que na próxima década, a grande questão passará pela filtragem e organização dessa informação, de forma a que nos seja útil e não nos dispersarmos. Não sei muito bem como será o correspondente a isto na música, talvez caiba ás bandas e editoras assumir este fenómeno como inevitável, em vez de processarem os fãs por sacarem as suas músicas, e apresentarem o seu trabalho noutra forma. Os Radiohead fizeram-no.

Em relação à música tocada, esta década começou com o regresso do Bruce Dickinson e do Adrian Smith aos Iron Maiden, culminado essa reunião com excelente “Brave New World”. E digo isto, para dar um exemplo que mostra o regresso dos clássicos do Heavy-Metal com grandes álbuns e grandes concertos. Os Maiden fizeram a maior tournée da sua história, e passaram por Portugal, e eu lá certinho no Super Bock Super Rock. Isto não acontece à toa. Correndo o risco do ser injusto (mas só um bocadinho), não apareceu nenhuma banda capaz de destronar os clássicos. Nos anos 70, 80, e em parte nos 90, as grandes bandas nasciam das árvores. Isso actualmente não acontece. No entanto, sou obrigado a fazer um aparte e fazer referência a um estilo que me diz muito pouco, mas marca a década, o Indie. Bandas com Arcade Fire, Arctic Monkeys, Kaiser Chiefs, Bloc Party, Franz Ferdinand, etc. Corro o risco de classificar mal estas bandas, mas penso que se podem agregar num estilo semelhante. Eu não consigo ser fã destas bandas, sinceramente. São bons ao vivo, é uma música com movimento, simples e crua. Reflecte bastante do espírito desta década e talvez da necessidade de simplificar uma realidade que por si é complexa, mas eu tenho de ver tipos a tocarem muitos. Solos de guitarra, solos de bateria, de baixo, tocar muito! Posso parecer fundamentalista, mas tenho de ouvir grandes instrumentalizações. Não estou aqui a afirmar que eles não sabem tocar, longe disso, mas têm uma forma quase “desdenhosa” de tocar guitarra, parece que lhe batem quando fazem aqueles ritmos, uma mistura de dança com mosh.

Acho que é uma boa forma de falar de uma década, falando da música que a marcou.