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Eu respeito o José Pacheco Pereira, acho que é um homem inteligente, mas as pessoas ás vezes, não sei bem porquê, metem a pata na poça com grande estrondo. Desta vez, foram as suas declarações sobre o casamento homossexual. Diz ele, no Quadratura do Círculo, programa da SIC Notícias que a adopção por casais de pessoas do mesmo sexo promoveria a pederastia.

Como não é um termo muito comum (só o termo), eis a sua definição:

“O termo pederastia, designa o relacionamento erótico entre um homem adulto e um rapaz adolescente. Por extensão de sentido, o termo é modernamente utilizado para designar, além da prática sexual entre um homem e um rapaz mais jovem, também qualquer relação homossexual masculina.” (wiki)

O JPP afirmou que esta é um das grandes objecções à adopção. Diz que existe historicamente uma relação entre a homossexualidade e a pederastia. Teve o cuidado de distinguir da pedofilia. Das palavras dele, que podem ser ouvidas aqui no Governo Sombra da TSF (lá para os 9:20 minutos), e podem ser vistas aqui, eu concluo que não deve ser permitida a adopção por casais homossexuais porque, ou vai aumentar o número de homossexuais devido à influência parental na criança adoptada, ou quando chegar a adolescente vai ser sodomizada pelos pais. Em relação a esta última, se era isso que ele queria dizer, deve desde já um pedido de desculpas aos homossexuais e ás pessoas sensatas. Pode publicá-lo no seu blog que não aceita comentários. A primeira razão, é o único argumento que os que estão contra a adopção utilizam.

E diz ele que “Ningúem quer falar desta matéria […]”. Eu tomo a liberdade de lhe responder, porque é patético! De onde é que estes gajos tiram estas ideias?! Esta associação da homossexualidade com todas as perversões sexuais, incluindo pedofilia e coisas do género, é de uma barbaridade e mediavalismo que me deixam perplexo. Em pleno século XXI continua-se bater na mesma tecla.

Em relação aos supostos traumas que as crianças possam vir a sofrer, andei a googlar o assunto e encontrei bastantes coisas. Há sempre uma espuma neo-conservadora que baseada em padrões morais (lá dizem eles), juram a pés juntos que as crianças vão crescer confusas em relação à sua identidade (eles não usam esta linguagem, só dizem que os putos vão ser paneleiros ou pedófilos depois de verem os pais a enrabarem-se), mas eu não me baseio nesta amostra para julgar determinadas posições ideológicas, há pessoas com bom-senso. Encontrei um documento bastante interessante, da American Academy of Pediatrics, acho que estes não fazem parte do lobby gay. É apenas um fragmento, mas tem umas conclusões interessantes. Eles também fazem referência a outros estudos.

In examining parenting styles and attitudes, researchers have found more similarities than differences between gay and heterosexual fathers and lesbian and heterosexual mothers. However, gay fathers are more likely to adhere to stricter disciplinary guidelines and to be more involved in their children’s activities (Bigner JJ, Jacobsen RB. J Homosex. 1992;23:99-112). In addition, lesbian mothers are likely to be more concerned about providing a male role model for their children than are divorced heterosexual mothers (Harris MB, Turner PH. JHomosex. 1985;12:101-113) (Kirkpatrick M, Smith C, Roy R. AmJ Orthopsychiatry. 1981;51:545-551). According to the technical report, “none of the 300 children studied to date have shown evidence of gender identity confusion, wished to be the other sex, or consistently engaged in cross-gender behavior.” In fact, the proportion ofyoung adults wth homosexual or heterosexual parents who report being attracted to someone of the same sex is similar, as is the proportion of young adults from both groups who report being homosexual. Finally, children of homosexual parents are more likely to be more tolerant of diversity, more nurturing and have higher self-esteem than children of heterosexual parents. “There is no argument that can be made that children of homosexual parents are not healthy,” Dr. Springer said. “Most of the criticism and laws come from people who are uncomfortable with those relationships. Every (gay or lesbian) family I’ve ever worked with is very happy and the children are very well adjusted.”

Espero que haja mais gente a ler estas coisas, e outras. Nestas coisas da pesquisa, convém ler muita coisas, mas deixo ficar este extracto, é bastante significativo. Se os pediatras dizem que não há problema, e o JPP acha que isto vai levar à sodomia dos mancebos. Aconselho-o a ler mais sobre isto, em vez de se dedicar à aviação no Tejo.

Já se sabe muito bem, nesta altura do campeonato, que a homossexualidade não é uma opção. Não se escolhe. Essa é uma ideia tacanha que visa conotar os homossexuais de pervertidos que tomam opções nesse caminho da perversão.

O que está aqui em causa, é o desenvolvimento harmonioso da criança. Esses critérios assentem no amor, e acesso a educação, serviços de saúde, etc. Os homossexuais não oferecem estas condições? Pode ser que não, mas pelas mesmas razões dos heterossexuais, não pela sua orientação.

Estou assim um bocado farto de ouvir falar neste assunto. É evidente que esta situação deve ser regularizada afim de que todas as pessoas possam beneficiar dos mesmos direitos. Agora, os políticos não se podem distrair com estas coisas.

Referências

AAP supports second-parent adoptions by homosexuals, O’Keefe AAP News.2002; 20: 76