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Regressei à Holanda. Passado praticamente um ano. Volvidos 4 dias desde o início da viagem, posso dizer que é diferente quando se vêem as coisas pela segunda vez, digamos que agora estava mais consciente daquilo que ia ver, e isto faz-me ter uma perspectiva diferente das coisas, mais focalizado nos detalhes.

As ruas paralelas, o cheiro a erva, o frio e neve, os edifícios com uma fachada homogénea, as escadas vertiginosamente íngremes, a diferença de temperatura dentro e fora dos edifícios, as loiras de bicicleta, os coffeeshops e tudo o que se possa imaginar relacionado com sexo, continuam na mesma. Eu gosto muito deste país, mas tenho de dizer, que se não fossem algumas das coisas que enumerei, era apenas uma país interessante a visitar.

Quando viajo para qualquer lado, a primeira coisa que faço, inconscientemente ou não, é comparar esse novo local com os meus locais familiares. E comparar a Holanda com Portugal é qualquer coisa. Mas há algo que me salta logo à vista, a organização. A Holanda é o cúmulo da monotonia, no que respeita ao aspecto das cidades. É tudo igual, feito a régua e esquadro, uma precisão que só pode ser comparada com o enfado que provoca ao fim de algum tempo, é um “país sem sal”. Claro que eles trataram de substituir o sal pela erva, e de povoar determinada zona iluminada de “red” com umas moças simpáticas. Os holandeses não gostam de ouvir isto, mas é verdade.

Não estou a dizer que a Holanda não é um país bonito e agradável, mas beleza não é perfeição, é a aleatoriedade dos pequenos defeitos. Defeitos que se compõe de tal maneira, que fazem sítios e pessoas serem inexplicavelmente atraentes. É aqui que entre Portugal. Comparando Portugal e a Holanda, em termos de rendimentos, e esse tipo de critérios, não tenho dúvidas que levamos uma “coça”. Comparando com outros critérios como o tal caos que faz as coisas serem interessantes, Portugal tem mais fascínio. O que acabei de dizer é um paradoxo. A organização devia ganhar ao caos, mas no caso de Portugal é mais complicado do que isso. A conclusão a que eu chego, e à semelhança daquilo que faço em relação a escolhas, é viver num e noutro.

Holanda, deixas saudades.

p.s. “Os Países Baixos são frequentemente chamados de Holanda, o que é formalmente incorrecto, já que as Holandas do Norte e do Sul são duas de suas doze províncias. O adjectivo holandês é o utilizado para se referir ao povo, à língua e a qualquer coisa que pertença aos Países Baixos. A diferença entre o substantivo e o adjectivo é uma peculiaridade do idioma português e não existe no idioma holandês.” (wiki)