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Eu juro que pensava que os vampiros estavam tão “démodé” como as mullets (o penteado do Chuck Norris nos anos 80), mas pelos vistos não. O famoso filme (que ainda não vi, nem me desperta o interesse) Twilight, foi o mote que trouxe de volta um tema que as bandas de gothic-metal e doom abandonaram em finais dos anos 90, por puro esgotamento criativo. Não há mais por onde inventar.

Foi lá para meados dos anos 90 que o gothic-metal atingiu o seu auge, e o seu declínio que não durou muito, no inicio do século 21 já não se ouvi gótico. As bandas mudaram muito o seu estilo, tendencialmente para a inclusão de elementos electrónicos. Houve muitas bandas de gótico na altura, casos de Amorphis, The Gathering, Paradise Lost, My Dying Bride, Theatre of Tragedy, Anathema, Crematory, etc. E a melhor de todas, os nosso Moonspell. Mesmo se pegarmos nos filmes de vampiros dessa década, temos o Drácula de Bram Stoker e o Entrevista Com Um Vampiro, e comparando estes com o Twilight, enfim…A banda sonora do Twilight devia ser HIM.

Moonspell era a melhor banda de gótico, a banda de culto portuguesa, e agora a comparação mais parava de sempre, a Amália dos metaleiros. Mais de culto do que Xutos & Pontapés, se considerarmos que ser uma banda de culto define-se pela lealdade dos fãs e não pelo número. E se há uma característica transversal ao pessoal que houve metal, é essa.

A minha perspectiva do gótico, não se baseia em vestir sempre negro, usar roupa espalhafatosa ou pulseiras com picos. É uma questão muito pessoal, mas para mim está na maneira de ser. Contemplativa, com tendência para romantizar e dramatizar as vivências. Viver a vida em poesia e não em prosa. Agora já me começo a sentir como se tivesse 15 anos, e a deixar crescer o cabelo…Que saudades que eu tenho daqueles tempos. Até estou a ver as caras dos tipos com quem trocava cd’s e entusiasmo por este estilo de música. E o cabelo…

De certa forma ainda mantenho esse espírito, mas musicalmente precisava de evoluir. O som estava explorado. No entanto, recentemente os Opeth trouxeram esse espírito, aliada a uma qualidade musical excepcional. Os Moonspell voltaram ás origens, com a re-edição do “Under Satanae” e o lançamento do pesado “Memorial”. Não podia flar da cultur gótica recente, sem fazer referencia a esta banda. Apenas pela sua qualidade, e não por nenhum patriotismo. Eu comecei por dizer que os vampiros estavam fora de moda, mas na realidade o ambiente criado pelos contos vampirescos que abundam pela literatura continua ser procurado, mas num meio underground, tal como deve estar.

A partir do momento em que abandonam os castelos góticos, cemitérios, para ir corredores de um qualquer liceu americano, ou para capas de revistas para miúdas de 12 anos, passam de figuras místicas para teenagers maquilhados. Agora foi a SIC e TVI a fazerem uma espécie de “Morangos com Açúcar” de caninos afiados.

Enfim, o gótico tem muito mais para oferecer do que esta febre dá a entender.

Deixo aqui alguns clássicos das bandas que referenciei há pouco. Começo pelos Moonspell, como não podia deixar de ser. Podia por muita coisa, mas escolhi as emblemáticas “Full Moon Madness” do rodou-mais-de-1000-vezes-na-minha-aparelhagem álbum “Irreligious”, e a espectacular abertura do álbum anterior, a “Wolfshade (A Werewolf Masquerade)” do “Wolfheart”.

Outra banda que me marcou imenso, foram os The Gathering. Esta música intitula-se de “On Most Surfaces” do “Nighttime Birds”, mais um cd que riscou de tanto tocar…

Fecho com mais uma banda clássica, os Amorphis. A música chama-se “Castway”, é tirada de im álbum que fez furor, o “Tales From The Thousand Lakes”.

“Forever young in a ground so cold
The splendor of your death still fresh to behold

In your neck an open wound
To spawn life into your Love
And to feed the creatures of our world”

(…)

A Poisoned Gift, Moonspell