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Por várias vezes ouvi esta frase ao longo da minha vida. Eu podia interpretá-la de duas maneiras, que representam duas formas diferentes de estar na vida:

  1. Fazia uma introspecção e procurava as razões que levaram determinada pessoa a exigir respeito da minha parte;
  2. Considerava que a mera referência ao respeito um atentado à minha liberdade, pois pressupõe que eu próprio me iniba de dizer, ou fazer determinadas coisas que eventualmente possam prejudicar outrem, mas que eu posso fazê-las à luz da minha interpretação de liberdade.

Claro que eu da hipótese 1. podia chegar à conclusão que alguém me estava a privar de algo a que eu teria direito, e chegava à hipótese 2. Pelo que vejo, a hipótese 1 é posta de lado.

Ao longo da vida, tenho conhecido pessoas, que se “crispam” ou fazem aquele sorriso irónico com o canto da boca, quando ouvem dizer que a liberdade implica mais deveres do que direitos. Este é um princípio fundamental da nossa sociedade. Aceitar o que não gostamos. Quem me conhece, sabe que eu reajo ás críticas que me fazem, e por vezes efusivamente, e normalmente confunde-se isso com não saber aceitar as críticas. Eu aceito, mas discuto. Quando alguém, no seu pleno direito, toma a liberdade de criticar, terá, necessariamente de estar preparado para a devida resposta. Apenas pessoas com fraco carácter e fraca personalidade é que precisam de faltar ao respeito para se insurgir contra uma opinião desfavorável.

Neste blog, eu falo muito de ética e princípios morais, apesar de os defender com convicção e acreditar na sua universalidade, tenho a consciência que é a minha maneira de ver as coisas. É a minha sensibilidade e educação. O mais importante para mim, é que esses princípios estejam assentes numa base de respeito. A blogosfera é um espaço de opinião, e ao mesmo tempo uma comemoração da liberdade na sua forma mais pura. Não há regulação, simplesmente cada um escreve o que quer, consoante a sua consciência, os seus princípios, e sem necessitar de currículo para opinar sem correr o risco de ser acusado de intelectualmente irrelevante. E nem sei como podia haver regulamentação, só se for uma entidade que leia os posts um por um, e determine aqueles que devem ser apagados por violarem uma qualquer lei.

É impressionante a frequência com que ultimamente se difama e falta ao respeito as pessoas, em capas de jornais, artigos, e pior, os próprios políticos não se dão ao respeito (aquela expressão popular um pouco nubelosa). Vemos um ministro a fazer uns “corninhos” e é imediatamente crucificado, se aplicássemos esse rigor em todos os sectores, ia ser uma limpeza. Vemos um primeiro-ministro afundado em casos mal explicados, constantemente surgem na praça pública nomes de pessoas, instituições e empresas envolvidos em suspeita, Isaltinos, Felgueiras, Freeport, BPN, Independente, Moderna, sucatas, compra da TVI, etc. Nada é clarificado. Os partidos parecem ser uma catapulta para futuros voos pelo riquismo, influência e poder, uma espécie de ritual de passagem, onde cada mancebo é benzido coma água benta da opinião única, a direcção tomada pelo partido. É isto que os políticos dão a entender, terão de pensar naquilo que fazem e dizem, antes de se queixarem da imprensa.

Os jornais substituem-se à justiça, mesmo que esta esteja ou pareça falida. O assunto é melindroso, os cidadãos têm o direito de saber o que se passa. Por outro lado, esse poder na imprensa condiciona a opinião pública, consequentemente a sua intenção de voto em determinada direcção. Se existisse apenas um meio de comunicação, seria gravíssimo se esse fosse tendencioso, é o que acontece nas ditaduras, mas existindo inúmeros jornais, revistas, rádios, televisão, sites, e juntando a blogosfera, o carácter tendencioso de um jornalista ou entidade, é facilmente desmascarado e fica ao critério de um leitor (informado) julgar a seriedade daquilo que está a ler.

Eu não quero com isto, “Medina Carreirar” este post, com todo o respeito pela pessoa em causa, eu dou estes exemplos, para relevar a falta de princípios e de moral. Estamos a construir uma sociedade, que promove o acotovelamento das pessoas, por um qualquer privilégio ou status. E a importância que, nós por estes lados, damos a esse status…

Escrever textos num jornal, baseado em coisas que nos disseram que ouviram no restaurante. E lançar isto para a praça pública, parece-me pouco rigoroso. Mas há que distinguir entre o artigo de opinião, e uma notícia. São formatos diferentes. É um terreno pantanoso este dos artigos de opinião. Trata-se de uma visão pessoal das coisas, mas quando se envolve factos oriundos de fontes suspeitas ou anónimas, factos não confirmados, visando pessoalmente alguém, há que, no mínimo, pensar um bocado. Não estou a afirmar que seja este o caso, não me ponho na posição de acusador, nem tenho competência nem conhecimento dos factos em causa. Quem quer usufruir da liberdade nestes termos, pode muito bem conviver com políticos que não sabem, ou não querem, ouvir críticas.

Fazer destes caso, uma arma de arremesso político é apenas cometer o mesmo pecado, cometido pela pessoa acusada, apenas com uma polaridade diferente. Se um político com a importância de um primeiro-ministro tentou controlar ou condicionar a imprensa, por meios sinuosos ou directos, é gravíssimo, anti-democrático, e sabe o que tem a fazer, se os factos o provarem. E o problema é este. Há a sensação clara, de que a Justiça não funciona, e casos que envolvem pessoas com responsabilidade, continuam pendentes, envolvendo a política em suspeitas de corrupção e abusos de poder.

Juntando a este triste cenário de impunidade, está a “futebolização” do debate. Cada um defende os seus interesses, os seus futuros votos, o seu clube partidário, sem qualquer responsabilidade ou respeito. A demagogia deixou de o ser, passaram a ser argumentos como quaisquer outros. Neste momento não distingo os partidos uns dos outros, excepto pelas pedras que são lançadas de um lado e de outro. Juntando aos políticos , estão os opinadores a puxar pela sua equipa, tal como hoolingans, e no final da pirâmide, estamos nós. Amantes deste tipo de crispações entre os famosos, vamo-nos rindo…

Não posso afirmar que são todos iguais, essa é a demagogia na qual não me revejo, nem concordo com o método de “vassourar” tudo e todos com o objectivo de limpar, há muitas pessoas na praça pública da política e imprensa que respeito e admiro, mas o sentimento de impunidade, e acima de tudo, uma enorme falta de respeito e princípios, perturbam-me muito mais do que números e dívidas.

Eu disse o que pensava, em plena liberdade. Sem compromissos. Apenas com a minha consciência, aquilo que mais  tenho de precioso. Tenho gosto nisso. É pena que muitos se queixem do contrário. E é triste que, para muitos, a consciência seja apenas um legado de um antepassado da sua própria espécie.

Cartoon de Rodrigo, no Humoral da História do Expresso.