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Desde que apareceram estes concursos parvos, tenho reparado num lamentável detalhe, as pessoas escolhem sempre cantores com vozes grossas, até as gajas! Incrível. E depois admiram-se que não vende. Um tipo liga a rádio, e têm que tirar graves, tal é o tremer do woofer. Estou a exagerar, pronto. Pessoalmente, não gosto muito das vozes graves. Chateia-me, acho monótono. No entanto, para bem da música tem de haver variedade em altura e timbre. Lembrei-me disto outra vez quando li uma entrevista a um dos membros do júri, o Luís Jardim, que também faz esta crítica.

Tal como no futebol não temos cultura de “criar” pontas-de-lança, na música falta o ataque todo. Até nas vozes femininas, e insisto nisto, é impressionante. Se o Nuno Guerreiro participasse nos Ídolos, era eliminado à primeira. Por exemplo, a vocalista dos The Gift, eu não consigo ouvir uma mulher cantar com uma voz tão baixa. Apesar de que, musicalmente, a voz dela é adequada à música que fazem.

Eu não estou a visar pessoalmente o rapaz, ele canta umas coisas, a voz tem um timbre engraçado, não parece ser um tipo com a mania, mas quando vi um bocado da final e só ouço vozes graves, suspirei mais uma vez. Estou muito habituado ao Heavy-Metal, as vozes nesse nobre estilo, são sempre “lá pra cima”, e é outra dimensão completamente diferente. A todos os níveis.

Então quando cantaram Queen…Até a gaja tem uma voz grave!!! E depois entra o tal gajo que foi à final, e foi aí que o Freddy Mercury deu voltas na sepultura. Nota-se perfeitamente que eles não estão confortáveis, nas notas altas, nem lhes é natural. A culpa também não é deles. Ainda por cima, depois eliminam o gajo que ainda dava alguma esperança. Isto não se faz.

Ainda por cima, são sempre concursos para voz, nada de tocar. É uma coisa tão patética. Uma vez tentaram mudar isso, na RTP 1 lá para meados dos anos 90, chamava-se “Reis do Estúdio”, e era um concurso de bandas. Isso faz mais algum sentido, aquela coisa parva que é tocar ao vivo… Agora este é mais uma passagem de modelos, que por acaso cantam umas coisas. É o mercado a funcionar. Agora, não me venham cá com merdas, e dizer que isto promove a música e os artistas portugueses. Nem brinquem com isso. É que para fazer música, convém tocar qualquer coisa. Sei lá, eu não percebo nada disto.

Na música, as vozes são classificadas pela altura que atingem, no caso dos homens, o contratenor é a voz masculina mais aguda. E na minha opinião, a mais bela, com mais sensibilidade. Claro que existe um enorme preconceito em relação aos contratenores, são vozes amaricadas, dizem muitos. Enfim, fica aqui o vídeo de um contratenor, que por acaso é gay, David Daniels, a cantar Handel. Isto da música não se coaduna com esse tipo de coisas.

O caso mais extremo da voz aguda masculina, são os castrati. A extensão vocal deles corresponde à da feminina. Esta faculdade numa voz masculina só é verificável na sequência de uma operação de corte dos canais provenientes dos testículos, ou então por um problema endocrinológico que impeça a maturidade sexual. (wiki) Nem seuqer me vou pronunciar em relação ás consequências nefastas de tal acto, mas o resultado é uma voz incrível.

Isto não acontecia por acaso, na Igreja não admitiam mulheres no coro, então precisavam de vozes agudas para completar o naipe. Cortar os tomates aos putos, com uma justificação dessas é qualquer coisa de extraordinário. Mas não era só por isso, as características únicas do timbre masculino num registo tão alto, eram apreciadas desde há muito tempo. Desde o Império Bizantino, segundo a wikipédia.

Há um filme, do qual gostei muito, sobre estes cantores castrados, o Farinelli. Para conseguir o resultado de uma voz assim, juntaram uma soprano e um contratenor e misturaram digitalmente. (wiki)