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Ontem vi a final do Festival da Canção, e ganhou a melhor. No entanto, não foi isso que o público pensou. Vaiaram a miúda, Filipa Azevedo, e fizeram uma figura de parolos sem qualquer gosto. Se a música em Portugal está mal, não é culpa de mais ninguém do que do público. Vi comentários absolutamente patéticos, coisas como “só sabe gritar”, “mereceu ser vaiada” e “deve ser da família do sócrates”, por aí fora. E não foram alguns, a maioria não gosta da música. E tenho de dizer que está muita acima da média, em comparação com a azeiteirice que aparece no Festival a nível Europeu. Eu vejo estes festivais, porque estou sempre atento ao que se passa no mainstream. Não sei, é um fetiche meu. A música é esta:

Os votos foram dados pelo público e por jurados com conhecimento musical. Os jurados escolheram a Filipa, mas o público preferia outra concorrente, a Catarina Pereira. E claro, viram logo dizer que isto era coisa da RTP e que são uma cambada de emproados e intelectuais que apenas escolhem as coisas segundo o gosto deles, e não ouvem a voz do povo. Se o povo falasse, ouvia-se, mas o povo resmunga, e não se percebe a mensagem por entre os palavrões. A música dela era esta:

Estão a ver a diferença? Nem são precisos grandes comentários, é uma música de Festival, um refrão mais do que batido, umas danças e um punch-punch por trás. A moça é simpática, e têm tudo para conquistar o público, que facilmente cede ás fórmulas. Em Portugal não há maus músicos, há mau público.

Por mim, ganhou a melhor. Não vai ter hipótese, porque vai lutar com a azeiteirice made in europe, que é algo de um mau-gosto que até dói. A Filipa vai cantar entre o ricky martin russo e uma barbie sueca qualquer, todos com coreografias cheias de cor e punch-punch a acompanhar.

Estão a ver porque é que os ingleses nos olham d’alto? É por estas e por outras…Tira-me do sério esta mania de futebolizar todas as questões e enxovalhar o que não compreendemos ou gostamos. É por isso que digo que os saloios têm o que merecem, nós temos o país e a situação que criámos, ninguém o fez por nós.