Tags

, , , , , ,

Há muitos fantasmas à volta desta temática. Por ignorância e por medo. Não é medo que surgiu do nada,os acidentes nucleares que aconteceram ao longo da história tiverem consequências que ainda agora se fazem sentir. O medo do poder comunista russo, e o seu arsenal nuclear, tem um peso histórico que também ensombra a discussão. Não se pode confundir a acção bélica com a produção de energia. É um assunto que requer algum conhecimento da matéria, para se poder ter uma opinião sólida, no entanto, não é preciso ser-se um cientista para discutir sobre isto. Basta saber duas coisas: a viabilidade económica e as consequências em termos ambientais. Eu espero que haja um debate aberto e sem politização (tu é que sonhas…), que as pessoas sejam esclarecidas.

Há cientistas a favor desta opção, e vária documentação. A European Physical Society (EPS) disponibilizou no seu site, um documento onde apresenta a sua posição sustentada em factos científicos. Os prós e os contras. Pode ser consultado aqui. (se der erro façam search pelo termo “nuclear”).

“As any energy source nuclear energy generation is not free of hazards. The safety of nuclear power plants, disposal of waste, possible proliferation and extremists’ threats are all matters of serious concern. How far the associated risks can be considered acceptable is a matter of judgement which must take into account the specific risks of alternative energy sources. This judgement must be made rationally on the basis of scientific findings and on open discussion of evidence and in comparison with the hazards of other energy sources.”

Por exemplo, este documento refere as vantagens em termos de emissões de CO2, consequência da produção de energia eléctrica. Como se sabe, a energia nuclear é extremamente vantajosa, e este é um dos grandes argumentos dos pró-nuclear.

Outro documento interessante (este em português), pode ser consultado aqui. Foi redigido por José Luís Pinto de Sá, Professor do Instituto Superior Técnico, e que escreve no blogue “A ciência não é neutra“. Neste blogue é possível ler alguns artigos sobre o uso de energia nuclear. Outro blogue muito interessante, e que leio regularmente, é o “De Rerum Natura“, neste o assunto do nuclear também é abordado.

A minha posição sobre este assunto é clara. Defendo um paradigma de evolução que assenta num a convivência em harmonia com a Natureza. Tivemos várias oportunidades para nos entendermos, em Copenhaga ficou patente o quanto estamos longe de um entendimento em termos de futuro. É cada um por si.

A opção do nuclear representa a continuidade de uma mentalidade que assenta apenas nos números, fria e matematicamente indesmentível. É impossível argumentar contra a perspectiva puramente economicista e racional.  Essa tem sido a linha seguida ao longo da história, e veja-se onde chegamos. Isto parece uma parvoíce, mas é preciso olhar para o todo, a “big picture”. Vamos assentar o nosso desenvolvimento na perspectiva economicista, que significa adiar os problemas, mas que rende, em vez da definição clara de uma ética colectiva, que vise a igualdade de oportunidades e o sacrifício em prol de valores em detrimento da busca desmesurada por mais capital económico.

Como é que se pode pedir a um país como Portugal que se sacrifique, perca dinheiro (que não têm), e países como a Espanha ou França recorram a este tipo de energia, tendo electricidade mais barata, constituem uma concorrência desleal? Cederam a uma lógica de mercado. Esse mercado sustenta famílias carenciadas. Como é que se pode pedir a essas famílias que se sacrifiquem? Não se pode. E este é que é o cerne da questão.

A necessidade das pessoas, é o território fértil onde a lógica economicista planta as suas sementes. O espírito critico das pessoas está adormecido com a promessa de uma vida melhor, no sentido de mais riqueza material. É isto que nos traz felicidade? Não somos felizes, somos essencialmente deprimidos. Não estou com isto a dizer que nos devemos despojar de todos os bens materiais e viver em cavernas, é a nossa ambição e “ultimate goal”  que temos de avaliar.