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Ser-se rico agora, não é a mesma coisa do que há anos atrás. Os condomínios fechados já não conseguem “camuflar” as diferenças abissais entre as classes. A revolta é cada vez maior. Será  possível as pessoas continuarem a suportar esta diferença, apenas mantendo a ilusão que um dia dia poderão ser elas a usufruir desses luxos? Há sequer condições que garantam oportunidade para que tal suceda?

É muito fácil ser demagogo nesta questão, é preciso reconhecer que muita gente arriscou, foi inteligente,  trabalhou muito, e com isso atingiu um elevado nível de riqueza. O factor, que me parece contribuir para a alteração  da relação entre os mais desfavorecidos e os mais ricos, é o acima enunciado, a literacia dos desempregados, que não conseguem acumular dinheiro, e da classe média que está a ser empurrada para baixo.

Houve uma altura, em que a diferença na educação escolar e conhecimento entre ricos e pobres, disfarçava o fosso existente entre  estas classes.  Os trabalhadores nasciam pobres e cresciam pobres. Até ao século XX, uma pequena percentagem da população frequentava a escola. Durante os século XX as coisas melhoraram, embora a instrução se ficasse pelo ensino básico, na maioria dos casos.

Actualmente, o conhecimento está ao alcance de todos. Estou, claro, a considerar a excepção dos países africanos e semelhantes em termos de pobreza. Hoje em dia, as pessoas têm acesso imediato à notícia, e as coisa que acontecem pelo mundo fora, deixaram de ter uma distância que lhes tirava importância e significado. Agora convivemos de muito perto com a desgraça alheia, quase em tempo real. E também convivemos com a riqueza dos outros.

Este conhecimento e  dá origem a uma opinião e revolta muito mais sustentada em termos ideológicos, contra esta diferença de distribuição de riqueza. As coisas mudaram, as pessoas têm mais ambições na vida, além de sobreviver. Uma côdea já não resfria uma revolta ascendente. Eu pergunto-me, como é que vamos reagir a este regabofe capitalista? Sempre os mesmos a cometer as asneira a lucrar com elas. Nada vai mudar?

Crescemos convictos de que poderíamos vencer apenas com o suor do nosso trabalho. Ainda acredito nisso, apesar de tudo. Acredito que se não me contrataram ainda, ou é porque têm as vagas todas preenchidas ou é porque não acham que sou suficientemente competente. Isso aceito, e procuro melhorar-me. Não me acusem é de ser responsável pelos males do país, e que a minha geração é uma cambada de meninos mimados que não querem fazer nada. Padecemos de um problema ancestral, isto não é uma meritocracia. O povo têm responsabilidade, evidente, mas é muito mal governado. Não temos bons exemplos. De cima só há casos de corrupção e influências estranhas, isto nunca poderá acabar bem.

Depois da comovente reunião e entendimento entre o mais recente herói do liberalismo português e o “manso é a tua tia!”, foram encontrados os prevaricadores, os causadores  desta maleita económica. São eles os desempregados que preferem não trabalhar e viver com um subsídio de miséria. Ah, malandros! Se não fossem vocês, isto é que era um país.

Já agora, caro Pedro Passos coelho, quem é que são os calaceiros, em concreto? Dizer que o “país foi calaceiro“, é um bocado vago.

Imagem via Ladrões de Bicicletas.