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É por causa de opiniões como esta, do Vasco Graça Moura, que eu fico deprimido com a nossa situação. Mais do que os problemas da nossa economia, é esta forma “tacanha” de pensar. Culpar sempre as gerações mais novas de serem incompetentes e impreparados.

Ele intitula de “A luz ao fundo do túnel”, um artigo onde, em suma, diz “eu bem te avisei!”. O enxovalho ao PS é normal, o enxovalho ao eleitorado que votou PS também não é novo – “Na altura, afirmei (e mantenho) que essa eleição foi um acto da mais pura estupidez por parte do eleitorado. E recomendei aos interessados que se besuntassem com o resultado” – agora, o enxovalho é para  “uma geração de jovens impreparados de todo, seja qual for o grau das suas habilitações”. Em relação a isto, caro Vasco Graça Moura, com todo o respeito, besunte-se também, e use a sua imaginação.

Estou farto destas tretas. Como universitário, sou o primeiro a criticar muitos dos meus colegas, eu incluído, por uma vida académica, muito pouco académica. Sem uma procura incessante por conhecimento e melhoramento das capacidades pessoais, a todos os níveis. Há várias razões para essa falta de empenho e motivação, quer de natureza pessoal, quer de natureza conjuntural. É muito fácil acusar as novas gerações de falta de preparação, agora criar condições, mudar mentalidades,  para que esses ignorantes não se sintam asfixiados por uma elite que parece criar todo o tipo de barreiras, ainda por cima, com um discurso, ora paternalista, ora de um padastro que não sabe disciplinar sem castigar. Para se ser empreendedor, hoje em dia, é preciso ser-se quase um fora de série. Não basta ter uma ideia e coragem para assumir um risco. É quase um suicídio. Não se pode falhar. É este cenário com que as gerações mais novas enfrentam.

Temos que lidar com esta realidade. Uma das maneira é, literalmente, cagar para vocês todos, mais o país que nos deixaram. Sigo em frente, com os meus sonhos, e vocês que se fodam todos. É mesmo isto. São poucos aqueles a quem devemos agradecimentos, esses sabem quem são.