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Mariano Gago, ministro da Ciência e Tecnologia, disse que “A pirataria foi, desde sempre, uma fonte de progresso e uma fonte globalização”. (daqui)

Posteriormente, através de um assessor, veio a desmentir esta declaração, dizendo que “houve uma “incorrecta interpretação” das declarações do ministro e afirma que condena “naturalmente, toda a pirataria que retira aos produtores e autores a capacidade de prosseguirem a sua capacidade de criação” e que a pirataria “transfere ilegalmente para empresas distribuidoras o valor devido aos produtores e autores”. (daqui)

Eu aposto que ele foi sincero à primeira, e este comunicado, não passa de política. Fazendo um  aparte, também gosta que o ministro Teixeira dos Santos tivesse assim um momento de sinceridade, não filtrado pelo politicamente correcto. Não é de politica que eu quero falar, mas sim deste fenómeno da pirataria em massa.

Chamamos de pirataria no presente, aquilo que no futuro, iremos considerar a razão da mudança de paradigma no acesso e desenvolvimento de todo o tipo de conteúdos. Seja cultura ou aplicações comercias de desenvolvimento. O ministro tem toda a razão.

A pirataria altera a lógica de mercado que domina a troca de coisas entre seres humanos. A Internet não deve ser regredida à lógica do mercado , o mercado é que se deve adaptar e evoluir para a lógica do free-will da Internet. Aliás, é precisamente isso que os liberais defensores do mercado livre têm como argumento base, se tens talento e determinação para fazer algo, faz. Se te tornas rico à custa disso, e alguém menos capaz fica pobre, lamento, é a lei do mais forte. O problema é que na Internet, o mais forte não é um tipo que tem uma colecção de Ferraris, é um geekolas que pega numa aplicação que custou milhões para desenvolver, e põe-na na net pronta a sacar, com um keygen incluído…

Não indo tão longe, basta um gajo qualquer ripar um álbum e postá-lo num fórum qualquer. Poderia por-me aqui a falar, se isto é justo ou não para os artistas, mas é perder tempo e não leva a nada. A realidade é só uma, tudo vai parar à Internet e facilmente se acede. A grande força motriz para os avanços tecnológicos é a vontade da Humanidade, e não me parece que a mesma esteja disposta a abdicar da liberdade de acesso que dispõe no momento.

A solução não passa policiar o computador de cada um, ou criar leis que restrinjam o acesso, é a adaptação a esta realidade.