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Quem acompanha a série “Lost”, e ainda não viu o final, não deve continuar a ler.

A série não é a “preto e branco”, já se percebeu isso desde a primeira temporada. As questões não respondidas, as dúvidas sobre o enredo, foram-se acumulando, e à medida que a série se aproximava do fim, ficou claro que o público ia ficar “ás escuras”. Portanto, era preciso tomar uma atitude como espectador. Não encarar o “Lost” como sci-fi.

É uma grande série. Das melhores de sempre, do melhor que vi até agora. Capaz de agregar fãs de diferentes géneros, pela sua ambiguidade. Tem muitos enigmas, que são levantados por uma sequência de eventos com conexões muito subtis. Sempre alternando elementos de sci-fi, com mitologia e conexões sentimentais complexas entre as personagens. Uma espécie de Spilberg, mas menos lamechas.

Ontem vi o último episódio. Não gostei. Por mais que o final seja à volta das personagens, dos seus sentimentos, em detrimento dos tais elementos de sci-fi, que precisavam de ser esclarecidos,  eu não fiquei nada convencido. Já vi finais estranhíssimos, como o final do “2001 Odisseia no Espaço”, mas sempre era mais perceptível do que este.

Pelos vistos, no Lost, uns estavam mortos, outros vivos, e no final, tal como na “Tieta do Agreste” ou novelas semelhantes, acabam todos juntos a celebrar com sorrisos e abraços.

Foi muito emotivo, mas não me impressionou, pois fiquei sem saber quase nada. O que raio são os números? Foi das coisas mais enigmáticas da série, e chegam ao fim sem explicar o que significam. E a estátua egípcia? De onde surgiram as pessoas como a a mão do Jacob? Foi ter à ilha por acidente? E qual é a explicação para o fenómeno da luz da gruta? Podia continuar por aqui fora, são muitas as perguntas sem resposta. Pesquisei algumas na net, encontrei várias teorias, mas não me convencem.

Já percebi que não vou ter resposta. Não é isso que interessa no Lost, não são as origens dos fenómenos, o que é importante são os efeitos que os fenómenos causam nas personagens. Entendo isto como uma nova forma de fazer séries, de transmitir emoções mais fortes, ou seja, não dispersar a atenção com detalhes técnicos e concentra a atenção do espectador nas personagens. É apenas isso que interessa no Lost, pessoas.