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“José Lello afirmou hoje que é “desprestigiante” que o presidente da Assembleia da República viaje em económica.” in Económico.

É este tipo de afirmações que dá corpo à famosa expressão,  “Portugal é um país de faz-de-conta”. Faz de conta que somos ricos, e podemos gastar dinheiro que facilmente pouparíamos. Dinheiro esse que vai ser, o cliché do costume, deduzido nos salários dos desgraçados do costume. A politica de gastos absurdos, essa sim é desprestigiante.

E continuando com as alarvidades do deputado:

“Então, a segunda figura do Estado vai lá atrás? O que dirão os nossos credores se a segunda figura do Estado viajar em económica? Há sinais que se têm de dar para o exterior”

Estas coisas causam em mim uma raiva particularmente ‘sarnenta’. Está ao mesmo nível do “Sr. doutor! Não sabia que era o senhor, pode passar, se faz favor” “Sr. engenheiro, arranjo, claro que arranjo!”.

O faz-de-conta. As aparências. O “Act as if”. É transversal à população, o acessório, a embalagem, distraindo-nos do essencial, apenas nos importamos em aparentar boa formação, bons conhecimentos e bem-estar na vida. É evidente que os políticos também fazem o mesmo, afinal representam-nos mais do que estamos dispostos a admitir, e viajar em executiva, como se a parte da frente do avião separasse os devedores incapazes de pagar, e não uma dívida externa exorbitante, amplificada por obras megalómanas, auto-estradas por cima de canteiros de feijões, é a maneira que eles têm de mostrar que Portugal é uma país que viaja com a Europa em executiva, a turística é para a Grécia, devem pensar os optimistas profissionais da nossa praça.

Eu vou dar um desconto ao deputado José Lello, assumindo que ele considera estas medidas como demagogia e populismo, perante outras medidas mais eficazes na poupança de gastos do estado, mas se é esse o caso, ele faz parte deste governo, e compete-lhe denunciar essa ineficácia.

Ainda por cima, os partidos cada vez gastam mais em campanha (No ano passado, PS, PSD, CDS, PCP/PEV e BE gastaram 49,5 milhões de euros, contra 34 milhões gastos em 2005), a tentarem-nos convencer com politiquices rasteiras, e nós cada vez mais apertados, isso sem, é verdadeiramente nojento.

ps: O mesmo assunto, ironizado por um grande cronista.