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Andamos sempre no mesmo. Não sou bairrista, é daquelas manifestações de mediocridade que me incomoda, mas a injustiça deixa-me muito mais abalado. Hoje deparei-me com esta notícia, sobre a qual já tinha ouvido rumores:

O Festival da Ilha do Ermal, em Vieira do Minho, que estava marcado para 13 e 14 de Agosto, foi cancelado devido à falta de apoios, nomeadamente da câmara local, anunciou hoje a organização”

“Nunca foi intenção da organização que o festival fosse suportado pela autarquia, mas a mesma tem um papel fulcral na organização do mesmo”, lamenta-se em comunicado. “Cedo compreendemos que a situação financeira da autarquia de Vieira do Minho não permitiria o seu envolvimento de uma forma capaz de permitir o arranque do projecto”

“Ficamos a saber que, apesar da nossa região ser uma das mais belas do país, inserida num contexto natural ímpar, o sol continua a brilhar mais a sul , perto dos grandes centros de decisão, longe do país real”, pode ainda ler-se no comunicado.”

Como é que o país ainda se mantém assim desequilibrado? Já só nos resta Paredes de Coura (para o qual estão a ser realizados os devidos preparativos). É incrível a quantidade de festivais em Lisboa e arredores, e nós “a ver navios”. Um nortenho tem de fazer uma deslocação, que nunca é menos de 20€, se conseguir ir numa excursão. Portagens, combustível ou comboios, fica bem mais caro. Não é justo.

Isto era a parte da justiça, a parte da estupidez é particularmente cómica. O Super Bock Super Rock é um parque de estacionamento com um palco (pequeno) e um som de merda, o vento à beira-rio interfere muito. O Rock in Rio é um festival pimba, do qual nunca falam do dia do metal, é impressionante o silêncio da imprensa nessa dia. Tem um marketing que justificava ter umas 200 mil pessoa por dia. Um bilhete caríssimo. E há mais uma catrafada deles, Sumol e não-sei-quantos, festivais para queques e surfistas, por aí fora.

Não sou contra a realização destes festivais, mas não haver Ermal e Vilar de Mouros por falta de dinheiro, para fazerem concertos em cima de alcatrão é patético.

Vilar de Mouros. O primeiro Open Air português. Um clássico. Uma localização perfeita para um festival, sempre com grandes bandas e excelente som. Tenho uma simpatia especial por este, muito boas recordações e a 1ª vez que fui a um festival e vi Iron Maiden em 2000.

Paredes de Coura. Anfiteatro natural, do I need to say more?

Estes festivais têm um ambiente fantástico, a sua localização remota, o afastamento das grandes cidades,  um recolhimento espiritual, a beleza da paisagem, o encontro com a Natureza e fumá-la. No meio disto há concertos.

Aqui no Norte, temos a responsabilidade de fazer mais pela cultura, e sermos independentes, não podemos deixar que os centros de decisão continuem a ter esta designação.

Falta de dinheiro? Não, falta de vergonha…