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Já tenho em mãos, aliás em bytes, o novo álbum dos Iron Maiden, lançado hoje. A correspondente versão física está a caminho, uma edição especial comprada na Amazon. O “The Final Frontier” é o 15º álbum de originais da banda britânica, e o mais longo, 76 minutos.Tem apenas 10 músicas, o que dá uma média típica do progressivo em termos de duração das músicas, mas este álbum não é progressivo, pelo menos na definição clássica do prog. Digamos que os Iron Maiden são prog à sua maneira.

A atmosfera que rodeia o disco agrada-me muito, sci-fi e naves espaciais. O último álbum, “A Matter Of Life And Death”, era centrado no tema da guerra e da religião, também é interessante e muito musical. No entanto, eu sou grande fã do sci-fi, e musicar estes temas resulta sempre bem para mim. “El Dorado” é o outro single, nada de especial, principalmente depois de ouvir o resto do álbum, tal como esperava quando o ouvi pela primeira vez.

Abrem o álbum com efeitos especiais. A “Satellite 15… The Final Frontier” não é a abertura convencional dos álbuns de Maiden, até aos 4 minutos onde começam os riffs clássicos do Heavy-Metal, e a voz melodiosa do Bruce Dickinson.

“Mother of Mercy”, depois dos singles, já conhecia e não estava particularmente entusiasmado, embora previsse algo de diferente, mas foi neste música que se começou a perceber a solidez deste álbum. Só bandas que sabem exactamente o que querem, tem a maturidade para isso, é que podem fazer coisas destas.

“Coming Home”, tem uma melodia excelente, muito Maiden, mas ao mesmo tempo com uns condimentos algo diferentes, as guitarras tem algo de diferente.

“The Alchemist”, um adiamento mais rápido, um refrão suave em termos de melodia, esta cumpre a fórmula habitual, mas esse fórmula funciona.

“Isle of Avalon”, as músicas destes últimos álbuns de Maiden que começavam com dedilhados, introduções extensas, a voz a começar nos graves, subindo progressivamente em intensidade, tendiam a ser um pouco aborrecidas, mas desta vez isso não acontece.Há algo de exótico neste início. Em termos de harmonia, há aqui algumas diferenças, o acompanhamento do solo é um bom exemplo.

“The Talisman”, é uma música típica de Maiden pós-reunião, o dedilhado inicial com 2 minutos, seguindo-se a entrada das guitarras, com uma progressão semelhante à “The Ghost of The Navigator” do “Brave New World”, seguindo-se o refrão com a respectiva progressão I-VI- III-VII.

The Man Who Would Be King”. Mais uma vez, o dedilhado e solo no inicio, mas desta vez o nível subiu. Esta é a melhor música do álbum.

“When The Wild Wind Blows”. Capricharam na introdução outra vez. Muitas bandas tentam fazer este tipo de coisas, mas por alguma razão Iron Maiden tornou-se num culto, não é pelas capas das álbuns, e por esta capacidade de fazer música com uma identidade única, com qualidade e muitíssimo bom gosto. Esta é que é a melhor música do álbum!

Parece-me que este é o álbum, em termos de som, que mais se aproxima do período de ouro da banda, nos eighties. As duas últimas músicas valem pelo álbum todo, fazem justiça à história da banda. As guitarras estão ligeiramente diferentes, apesar de se distinguirem bem umas das outras, há uma maior solidez, um trabalho de equipa mais forte. Aliás, isto também se pode dizer dos restantes instrumentos.

É um regresso em grande. Muito bom álbum, melhor que o anterior. Talvez o melhor depois do Seventh Son, mas talvez esteja a ser precipitado, o “Brave New World” não é fácil de bater, acho que a diferença está no single.

Nota: Esta review foi feita em tempo-real, enquanto ouvia o álbum pela primeira vez. Aconteceu aquilo que eu ansiava, ia ouvindo as músicas e a minha preferida ia sendo actualizada. Dá-me um prazer enorme ter de ouvir várias vezes um álbum para aprecia-lo na totalidade. Este é um deles. Por isso, esta review assemelha-se a uma primeira leitura de um livro, ainda não assimilei completamente estas mudanças em Maiden, subtis, mas significativas.

Nota 2. Ainda não tiveram de baixar meio-tom nas guitarras por causa da voz.😀

Mas houve quem não gostasse, é o caso deste pato-bravo do Independent, que nesta crónica, disse e passo a citar: “Business as usual, then, with trademark riffs. Lucky for them the world will never run out of 14-year-old boys.”