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Hoje, li um artigo muito interessante no Expresso escrito pelo Luis Pedro Nunes. É o gajo do Inimigo Público e do Eixo do Mal. Este artigo trouxe-me tantas e tantas recordações. Tantas conversas com um copo mão, motivadas por simples olhares para o lado. Que saudades dos olhos por baixo das franjinhas bascas.

Olhar para mulheres não é invadir a sua privacidade, não é com a nossa prolífera imaginação transformá-las em actrizes  de um filme porno de duvidosa qualidade. Os homens praticam esta actividade de olhar para as mulheres, o girl-watching, desde sempre. Interrompem seja lá o que for, desviam o olhar para elas, uma inevitabilidade genética, que requer um grande esforço absolutamente contra-natura para evitar mexer a cabeça na direcção de concordâncias suaves.

Um bocadinho de radicalismo misturado com ignorância quase total acerca do pensamento masculino, tolda o raciocino feminino, e transforma um prazer estético ancestral num acto de obscenidade e opressão machista. Numa perspectiva optimista, confundem,sendo realista, querem confundir, o girl-watching com um piropo atirado de cima de um andaime, depois dela passar, claro. “Tu viste aquelas mamas?!”

A herança do patriarcado que dominou a sociedade no passado, pesa em cima das costas da minha geração confusa. Olhar para uma mulher, sem ser num cruzamento acidental de olhares, é  como se fosse forçar o nariz que agora aponta para cima, voltar a apontar na direcção do chão. Para o nariz estar empinado, é preciso ter os olhos na mesma direcção, senão o efeito estético é esquisito,  e isso impede de ver a realidade.

O bom-gosto é um conjunto de subtilezas, que transformam pedras em diamantes, pequenos detalhes que revelam grandes qualidades, anos de dedicação a uma causa que é perceber as mulheres, saber o que se lhes pode agradar. O girl-watching requer esse bom-gosto, não é estar especado num bar a espumar enquanto um grupo de gajas festeja qualquer coisa. Não se mandam piropos rascas.Não se transforma a mulher num objecto.

Eu já discuti isto com várias mulheres, mas elas não acreditam neste bom-gosto. É uma coisa típica nas mulheres portuguesas. Em tempos foram conhecidas por terem bigode. Agora fazem depilação e são lindíssimas. O próximo passo será depilar a “herança das Marias”, citando artigo. Aquela que dá a classificação aos homens de “todos iguais”.

Não pensem, vocês mulheres, que olhar para vocês é um acto de plena satisfação. É um masoquismo impressionante. É cultivar uma frustração que dá origem a posts como estes. Recomendo a leitura dos artigos que tão nos links, este do “The New York Observer” tem alguns extractos de conversas com mulheres que usam roupas diminutas, mas não esperam que os homens olhem para elas. É incrível a arrogância de alguns comentários.

Eu gostava que todos os homens do mundo fizessem a experiência de parar de olhar para as mulheres. Sentiriam elas a falta dessa atenção? Lá no fundo sabem que o olhar é motivado por muito mais do que desejo.

Imagem daqui. Outro artigo sobre o assunto.