Tags

, , ,

O caso Casa Pia, revelou algumas coisas que caracterizam o nossa Justiça. Começa logo pelo tempo que demorou, não sei se é exclusivamente burocracia, ou se temos um imbróglio de leis que tenham esta consequência, não sei o que é, mas na televisão, toda a gente barafusta com isto.

É incrível a quantidade de nomes que foram lançados para a fogueira, no decorrer deste processos, as suspeições que ainda pairam, a ideia de que há mais gente culpada à solta, ou de que o julgamento é injusto. Não devia haver esta desconfiança. E aquela ideia muito portuguesa “Os grandes não apanharam eles!” “É porque são da política, senão já lá estavam” “Era cortar-lhes a pila!”.

O que me choca nisto tudo, é que depois de lida a sentença, pessoas acusadas de pedofilia andarem de livre vontade, à entrada do tribunal, a fumar o seu cigarrito e com direito a reportagem, confessando-se muito chateadas  (foi este o termo usado por um deles), por terem sido acusados. Pior do que isto, é terem o direito de antena, numa estação pública como a RTP, para se defenderem. Numa democracia, é inaceitável. As pessoas devem-se defender no sítio certo, a sua culpa não deve depender da simpatia da opinião pública, que tantas vezes dispensa julgamento imparcial em detrimento de simpatias pessoais. Pode ser inocente, podem estar a sofrer uma injustiça tremenda, mas não pode ter o direito a este privilégio, o qual apenas figuras públicas podem ter. Além do mais, isto tudo me parece um regabofe, um assunto seríssimo a ser tratado como um jogo de futebol, com direito a relato e tudo.