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“Moita Flores quer reunir 100 mil assinaturas em defesa da tourada” (no Público).

O Moita Flores, tal como muitos outros, aproveitou um argumento que agora está na moda:

“Lembrando as suas origens alentejanas, Moita Flores acusa os promotores das iniciativas contra as touradas de não estarem interessados na defesa dos direitos dos animais, nem na defesa dos direitos do homem. “Gritam o folclore politicamente correcto e giro! E fazem abaixo-assinados, procurando destruir sem compreender, protestar quando a verdadeira essência do seu protesto são as suas próprias consciências”.

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Gritam o folclore politicamente correcto e giro! E fazem abaixo-assinados, procurando destruir sem compreender, protestar quando a verdadeira essência do seu protesto são as suas próprias consciências”

Eu admito que há muita gente que alinha nisto, mais pelo “folclore” do que pela profunda crença, mas isto é mais do domínio da suposição do que factos concretos. Já chega de argumentos em favor das touradas, com base em cultura e tradição, no enxovalho. O Moita Flores utilizou uma expressão curiosa: “em nome do progresso com memória, em nome do desenvolvimento sem perder o sentido da História”. Não posso estar mais de acordo, acho a História fundamental, mas para nos dar lições daquilo que foi mau, para não voltarmos a repetir.

Eu compreendo a motivação da tourada, e não tenho dúvidas que os aficionados (eles gostam desta expressão) gostem da Natureza e do campo. Gostamos todos do mesmo, mas para fins diferentes. Para utilizá-la em proveito próprio, ou para admirá-la no seu estado selvagem, sendo o proveito dos seus recursos, algo feito com muita ponderação. Em Portugal, podemos fazer essa ponderação, ao contrário do que nos querem fazer crer. Na Etiópia, por exemplo, é que não. Estão a morrer à fome.

Em relação à hipocrisia dos ambientalistas, e defensores da Natureza, é o argumento perfeito. São contra as plataformas de petróleo, mas conduzem carros a gasolina. São contra as touradas, mas comem carne. Deviam talvez para de respirar, para não emitirem dióxido de carbono para a atmosfera.

O que me mete mais nojo, é que antes de se revoltarem contra as causas que destroem o ambiente que nos rodeia, visam em primeiro lugar, aqueles que defendem, uns melhor outro pior, a causa ambientalista, negligenciando as suas obrigações. Isto revela muita coisa, bastante obscura, mas isso é outro campeonato.