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Há que dar mérito aos realizadores e artistas chineses, que põe o dedo na ferida. Filmes políticos na China, aquela democracia que nós sabemos, devem ter muitas dificuldades de promoção. O “The Ditch”, realizado pelo chinês Wang Bing, é um filme que retrata a vida dos “homens que foram condenados a trabalhos forçados no “campo de reeducação” de Jiabiangou, no Noroeste da China, à beira do deserto do Gobi, nos últimos meses de 1960″. Segundo a review no Público, é “Visceral, desconfortável, brutal, a espaços insustentável (…)”.

É fácil de perceber porquê, sabendo que é baseado em factos reais, “uma ficção rodada como se fosse um documentário”, segundo Wang Bing. Não é um filme para ver e comer pipocas ao mesmo tempo, não é daqueles que se vê o trailer e viu-se o filme.

O realizador diz algo que me faz querer ver o filme “Não queria criar personagens demasiado construídas, explica o realizador, tendo escolhido actores profissionais com pouca experiência ou gente sem experiência de representação para interpretar os episódios inspirados em testemunhos reais de sobreviventes de Jiabiangou.” É uma forma de eliminar a teatralidade que separa o real da ficção, realçando a crueza.

O trailer não elucida muito da violência do filme, mas eu estou habituado a ver cinema asiático e eles conseguem criar imagens visuais muito fortes.

ps: Em relação ao Festival de Veneza, a neta de Mussolini, que pelos visto disse um dia que ” os romenos têm no ADN o impulso de violar”, quer proibir um filme que retrata a forma racista como são tratados os romenos em Itália (Daqui). Isto parece uma notícia do Correio da Manhã…