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A televisão Iraquiana, Al-Baghdadia, conseguiu levar o reality-show para outro nível. Eu já vi alguns sketches da ersão brasileira do “Candid Camera”, a “Pegadinha”, e achava que eles iam longe demais, mas devemos estar sempre atentos, porque há sempre maneira de nos surpreendemos.

Esta televisão têm um programa, que tem passado na altura do Ramadão (há alguma ironia nisto, ou é impressão minha?), onde pessoas famosas são detidas por soldados num checkpoint, e acusadas de transportarem explosivos.

“Why do you want to blow us up?”
“You are a terrorist.”
“How much did they pay you to do it?”
“You will be executed.” (Daqui)

Eu já disse aqui que gostava de humor negro, mas acho que isto não é bem humor. Não vi nada do programa, mas não me parece que façam piadas inteligentes, o humor negro, de forma alguma, dispensa a inteligência, é essa a fronteira. Numa situação daquelas, com escolas a rebentar, a sensação com que fico, é que faz parte da cultura dessa sociedade, e não consequência de uma guerra. Sou uma pessoa tolerante, mas espero que as pessoas que gostam disto, saibam que no Ocidente, isto não faz parte dos nossos hábitos. Mas, já que me declarei tolerante, terei de dar o benefício da dúvida, em vivo em paz, não faço ideia do que é viver com o medo, por isso, é preciso ser muito racional. Alguém terá de ser.

Num artigo do DN, o cronista Ferreira Fernandes descreve bem aquilo que eu penso disto. Diz ele:

“Há duas conclusões disto. 1) O género humano é parvo. 2) Felizmente, o género humano é parvo, o que o permite ter a resiliência para sobreviver ao dia-a-dia das guerras.”