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O governo de Sarkozy expulsou os ciganos da França. Vamos ser realistas e basear-nos em factos, querem ter um acampamento cigano no quintal? Grande parte dos portugueses não quer.

“Das entrevistas a todos os funcionários da autarquia resultaram dois perfis distintos: “80 por cento diziam que os ciganos são primitivos, vivem como galinhas do mato, não aguentam um teto, deveriam ser abandonados ao direito de andarem por aí (…), são mentirosos, agressivos, sujos, perigosos e tudo isto desemboca na teoria de que eles têm de ser tratados a mal, têm de ser cidadãos como os outros e a polícia tem de os pôr na ordem”, apontou.

Por outro lado, “20 por cento diziam que os conheciam, que eram óptimas pessoas, não faziam mal a ninguém. Eram inteligentes e só precisavam de ser ajudados, mas estavam a sofrer um processo de perseguição e tudo o que de maligno lhe atribuímos é uma forma de se defenderem contra a perseguição que sofriam”.”

A França tem surpreendido o mundo com medidas de carácter racista e discriminatório. A proibição do véu islâmico é uma delas. Uma coisa tem de se lhes dar mérito, discutem e tomam medidas. Porque estas coisas merecem discussão.

Este Sarkozy é uma figura que me dá uma certa pena. Parece daquele tipo de gajos que está sempre lá, mas ninguém gosta dele. Tem aquela cara de palerma, mas que faz coisas e tem resultados. E a mulher dele, que nem se nota usar o marido para ter fama. É daquelas coisas tristes.

E voltou a dar espectáculo, respondendo ás acusações da Luxemburguesa Viviane Reding quando esta comparou a expulsão dos ciganos, com o que aconteceu durante o período da Segunda Guerra Mundial. Sarkozy sugeriu  que Luxemburgo recebesse os ciganos.

A comparação  é despropositada. É desvalorizar aquilo que de mais terrível aconteceu na História da Humanidade, não faz sentido.

Por outro lado, não acho que seja legítimo um chefe de estado dizer isto,  devemos reservar essa pergunta para nós mesmos. Viveríamos em paz com um acampamento de ciganos perto de casa?

A palavra cigano, tem uma conotação negativa. Há uma hostilidade à partida, um estereótipo difícil de contornar. Noutros tempos dizia-se que os ciganos comiam cães mortos. Ameaçava-se as crianças “come a sopa, senão o cigan vem e  A verdade é que há casos de sucesso. Os casos de insucesso  são os tais acampamentos, onde vivem ilegais. Não pagam impostos, e não cumprem a lei. Frequentemente exigem subsídios e alojamento, muitas vezes atribuído, alegando as condições desumanas onde vivem.

Uma mulher cigana não pode, para enorme infelicidade minha, casar-se com homens que não sejam ciganos. Sinceramente, este costume impede qualquer integração. Devemos respeitar a sua vontade, eles devem respeitar a nossa, e assim há harmonia, mas integração total, implica cruzamento de sangue. Mias do que isso, é este confronto ético.É o que acontece com os véus. O véu islâmico é uma forma de repressão às mulheres, de opressão, segundo a lei francesa.

Não nos podemos armar em defensores da cultura muçulmana, ou doutra, escamoteando a barbárie inadmissível praticada nos nossos tempos, perpetrada em nome dos costumes e cultura ancestral.

Em Portugal, cerca de 20 por cento dos reclusos  são estrangeiros. Das duas uma, ou o nosso famoso “saber receber” é uma treta, ou vem para aqui toda a escumalha.

Em relação ao parlamento francês, houve uma coisa que me fascinou, a forma de protestar, na hora, durante a sessão parlamentar sobre o aumento da idade da reforma. Os deputados fizeram-se ouvir no local adequado, sem rodeios, com gritos de “golpista” e “fascista”. Isto devia acontecer aqui, dá-me a sensação que os nossos políticos apenas levantam a voz durante a campanha eleitoral, não se comprometem. Eu não estou a defender que se ande à porrada como nas assembleias da Coreia ou Japão, os protestos podem ser veementes, mas com respeito. Repare-se na forma, até é caricato, como os deputados socialistas perseguem o presidente da Assembleia, Bernard Accoyer. (Daqui)