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Sempre me fascinaram as ruínas da antiga aldeia de Vilarinho das Furnas, submersa  pelas águas do progresso, em 1971 com a construção da barragem. É um exemplo claro, daquilo que tem de ser sacrificado para benefício de muitos. Uma população inteira, com tradições e culturas únicas. Uma comunidade com os seus costumes e leis próprias.

Se vale a pena este sacrifício, talvez. Acho que a questão não é de todo linear. Se por causa da electricidade gerada pela barragem (ou estruturas associadas) permitiu salvar uma vida, seria uma questão se superioridade moral. Justificaria o desterro das pessoas? Acho que sim. Mas a realidade não nos permite inferências tão concretas.

Nem é isso que me interessa, quando visito este local, não consigo deixar de popular aquele local na minha imaginação. Imaginar o que seria abandonar um local, as minhas raízes, onde vivi toda a minha vida. Não sei se conseguiria compreender as razões, muito menos de aceitá-las. Poderiam-me oferecer todos os luxos do mundo, mas aquelas casas de pedra à beira-rio, rodeadas pelas montanhas, um local inóspito, que parece isolá-los da crua realidade exterior. Parece, apenas isso. A dureza das suas vidas cavadas nas pedras duras, a pobreza, pode-se combater com a força dos braços, com a resiliência de quem nunca teve muito, mas a força invisível do progresso surge como uma inevitabilidade. É um combate perdido. E eu sinto um aperto no estômago, porque também faço parte dessa força destruidora do progresso.

Sinto o conforto do lar, nestes lugares onde o tempo não deixa marcas, apenas a imperceptível paciência da erosão contra a teimosia das pedras. A vastidão da paisagem, a rudeza das montanhas, a intimidade da floresta densa. Um poema geológico. A beleza absoluta, como dizia Miguel Torga sobre o Douro. Ele não gostava do Minho, mas tenho de o contrariar. O Gerês é o derradeiro exemplo da beleza minhota, razão para a criação de um Parque Natural, pois temos a obrigação de proteger uma pérola, que nos liga à verdadeira essência.

Esta terra não se limita à beleza natural, a variedade gastronómica, e o exotismo linguístico, justificam a criação do parque Natural, é preciso proteger estas espécies.

Este documentário, mostra a aldeia antes da submersão. Pena, não conseguir encontrar a versão completa.