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Não costumo falar aqui muito de livros, nem sei bem porquê. Mas hoje, a caminho de uma entrevista de emprego em Lisboa (também não costumo falar de trabalho, mas sei porquê), como o tempo e o vagar sobravam, levei no bolso um livro que andava para ler há algum tempo. “O Estrangeiro” do escritor francês Albert Camus.

Muitos livros me marcaram, mas este em especial, porque me apetecia citá-lo, hoje, em cada pergunta da agressiva entrevistadora. O livro, e passo a citar a contracapa,  é sobre um homem que pode ser estrangeiro na sua própria terra, na sua própria casa, ou dentro de si. Basta-lhe, para isso, que, um dia, ao acordar, não compreenda o sentido das coisas.

É um livro com um livro dentro dele. A introdução de Jean-Paul Sartre, que é uma análise à obra de Camus, não é recomendável àqueles que sofrem o síndrome “Não contes nada, que me estragas o filme!”. Sartre atreve-se a citar várias frases de livro. Quando as obras valem por si, o factor surpresa é como um “rater” numa corrida de superbikes.

Embora eu me distancie da personagem principal, Mersault, particularmente na perversidade, partilho com ele o reconhecimento do Absurdo na vida. O meu sonho esta tarde, enquanto contemplava as paisagens vastas e a vegetação rasteira interrompida por casas brancas, era dizer isto na entrevista.