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Numa noite de chuva  e vento, as impiedosas  nuvens negras apoderaram-se do céu, foi o gótico a resgatar a sombra da lua, para uma audiência que enchia a Casa das Artes.

Os Moonspell sabem criar o ambiente, conhecem a plateia, e estes ouvem-nos há muitos anos. Não foi preciso a distorção da guitarra eléctrica e o pedal duplo da bateria, para criar as emoções exclusivas do Metal. O ambiente intimista da sala era o espaço ideal, duvido que os próximos concertos tenham este “feeling”.

Foram acompanhados pelo quinteto Opus Diabolicum, formado por quatro violoncelos e percussão, e pelo coro feminino Crystal Mountain Singers, que embelezaram a “Scorpion Flower” e a “Luna”.

Uma versão acústica do espectro  musical de Moonspell pode trazer alguma desconfiança à partida, dada a conotação dogmática que paira à volta do Metal, terá de ser barulhento para ser pesado. Recriaram o espírito da banda através das cordas de guitarras acústicas, violoncelos agressivos, sons de teclado que pairavam no ar, e um Fernando Ribeiro que interpretou as letras com uma voz adequada ao momento.

Isto foi no Hard-Club, em Lisboa. Tinha demasiada luz, nos Arcos de Valdevez foi melhor. Esta é a “Wolfshade”.

O resultado desta recriação foi muito bom, sem desvirtuar as músicas originais, conseguiram explorar outras direcções que o tema pode ter. Quando ouvi pela primeira vez que a banda iria tocar versões acústicas, a primeira coisa que pensei foi no álbum Pecado, e são aquelas resultaram melhor, com destaque para a “Mute”. No entanto, penso que a Full Moon Madness, um dos clássicos do mais do que ouvido por mim,   álbum”Irreligious”, ficou um pouco estranha, perdeu um pouco do poder que tem.

Os Opus Diabolicum abriram o concerto com versões de Moonspell adaptadas aos seus instrumentos. Sim, eu sei, Apocalyptica. Fazem-no bem, mas dos melhores momentos é quando tocam o seu próprio tema dedicado aos Moonspell, composto pelo percursionista Miguel Oliveira.

Em suma, a digressão é curta, por isso, se algum fã tropeçar por aqui, aconselho-lhe este concerto, sem desconfianças, o espírito que faz de Moonspell o que eles são, está intacto.