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“Dispensam-se palavras, não é o prelúdio de uma conversa, não é um começo, não tem princípio nem fim. É quando são feitas as perguntas mais concretas, e dadas as respostas mais sinceras. No cruzamento de viagens, olhámo-nos com toda a simplicidade que a vida teima em complicar, mas que os teu olhar revelou  em todo o seu esplendor de castanho claro, por entre os cabelos timidamente loiros.

Vínhamos de pé, os lugares foram-se esvaziando, mas não nos sentamos. Não queria fazer qualquer movimento, para além do tímido desviar do olhar, de quem não se quer comprometer com uma efémera fantasia interior, tu, não sei, apenas ficaste onde estavas. Aliás, nada sei sobre ti. Nem preciso, o facto de seres é suficiente para mim, neste momento.

Saíste sem olhar para trás. Anotei as palavras que ficaram penduradas no silêncio, sarrabiscos de sentimentos, traços indistintos enrolados num novelo cada vez mais confuso. O tempo ensinou-me a lidar com a indiferença, o cinismo cobarde  a compreende-la. Não foi uma troca de olhares, é egoísmo puro, não se oferece, não se troca, não se pede, deseja-se, é um impulso. Acaba aqui, se nos voltarmos a encontrar, mentirei, como se nada tivesse acontecido, diluiu-se no tempo,  mas nunca esqueço um olhar.

Para a rapariga de casaco cinzento, que não usa maquilhagem.”

Escrito, parece ridículo. Coisa de crianças. Acontecem-me com frequência, estes clichés. Nisto, sou uma criança e assim quero permanecer. Agora há um grupo no Facebook denominado “Porto Subway Love”, que pretende facilitar o reencontro entre pessoas que “cruzaram olhares românticos” no metro do Porto e querem voltar a ver-se” (Daqui).

O reencontro seria um escrutínio absurdo, de coisas que são apenas sussurradas. É preciso espaço, solidão, desencontro, para fazer valer a pena.