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Ela entrou pouco depois da Campanhã. Olhei durante algum tempo. Foi alternando entre ela e o livro, ela ganhou sempre, não há nenhum escritor que rivalize com o prazer estético. Tinha um ar cansado, olhos pisados pelo sono,  melancolia espalhada pela pele branca, muito pensativa.

As pessoas que estavam perto de mim, saíram, sobraram 3 lugares. Ela vinha de pé, pegou na pequena mala que trazia, talvez par ficar um fim-se-semana, e sentou-se ao meu lado. Estou habituado à hilariante ironia das circunstâncias que determinam a minha vida.

Antes de sair, pôs uns brincos compridos, que lhe davam uma ar ligeiramente “galdério”, gostei. Há tipos que não imaginam a sorte que têm. O amor é a redistribuição mais  desequilibrada.

Ponte de Lima é um monumento à pasmaceira. Não por ser uma vila, sem a agitação citadina, mas pelas pessoas que encontro sempre nos mesmos sítios, por mais tempo que esteja fora, regresso, e elas lá estão. Os mesmos casais de sempre, elas com o ar do tédio encarnado, e eles sem saber bem o que fazer.