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Amanhã há eleições, e eu não vou poder votar, se fosse, votava em branco. A abstenção não tem o mesmo significado do que um voto em branco, mas vou nivelar a minha cidadania pela qualidade do debate político, ou seja, pela irrelevância. Vejo esta campanha com o mesmo entusiasmo da reposição integral da novela “Pedra Sobre Pedra”.

“Dêem-me um tiro na cabeça porque sem um tiro na cabeça eu vou para Belém”, isto não foi o candidato Manuel Coelho, foi o Fernando Nobre aos gritos.

O Fernando Nobre desde que se assumiu a candidatura à Presidência da República, foi descendo em plano inclinado no que diz respeito a discurso , não se confunda isto com algum tipo de apreço pelas manhas e jogadas de bastidores que terão de existir em política, porque estamos a jogar com muitas vontades e ideias completamente distintas.  E claramente este candidato não está preparado para assumir a responsabilidade.

O seu  debate com o candidato do PCP, mas consta que teve um momento de particular brilhantismo (Daqui), parece que “sr. Lopes do PCP privou com crianças que iam descalças para a escola e que o dr. Nobre da AMI priva com crianças que correm atrás de galinhas para lhes tirar comida do bico.” Como este país está a empobrecer, ou parece que está, ou diz que está, nem sei bem, alguém que tenha bons conhecimentos no meio parece ser o candidato mais bem preparado. Talvez o Sócrates se deva candidatar, pois as casas que desenhou estarão destinadas a este extracto social.

Os Monty Python já tiveram uma discussão parecida…

É impressionante como esta campanha consegue descer bem fundo, os velhadas foram desenterrar o passado da sua juventude e invocar os tempos de luta anti-fascista, reciclando os velhos clichés. Manuel Alegre faz isto com especial habilidade. Era uma pessoa com quem gostaria de conversar sobre política.

Os outros candidatos vão dando alguma cor à democracia. O Defensor Moura levantou o tema da regionalização, que carece de esclarecimento e de debate sério.

Em relação a Cavaco, “Para ser mais honesto do que eu tem de nascer duas vezes”, disse ele. Ele não se esperava ver envolvido numa daquelas conspirações “socratianas”, suspeições e dúvidas, e no fim não foi ninguém. Como nos meus tempos de escola, quando alguém roubava giz e éramos ameaçados de castigo colectivo se ninguém se acusasse, e nunca acontecia nada nem ninguém se acusava, fomos embuidos desse código comportamental.  E tal como nos tempos de escola, quando os rapazes queriam jogar futebol e não tinham bola, faziam uma colecta pelo pessoal da turma, incluindo as raparigas que não ligavam puto a futebol, “Podeis jogar vólei!”, era com esta desculpa que se conseguia o dinheiro. Em adultos compram TGVs e submarinos. Eu nem de vólei gosto…

ps: Esta referência ao Monty Python não foi ideia  minha, parece que todos os cronistas que opinaram sobre esta matéria sabem dizer “NI!!”. Esta relação não é coincidência, e ainda estou para perceber qual das coisas é mais “non-sense”.